29.6.09

Criado pelo tio, e não ''cavó''

mais fotos da viagem Sorte Paraty


You can dance
You can jive
Having the time of your life
See that girl
Watch that scene
Digging the Dancing Queen





Thais Walk On


Este final de semana foi bom. Ri muito, aprendi várias coisas, conheci novas pessoas, dei atenção e recebi de velhos amigos. Reconquistei a liberdade digital de ter Internet em casa (rs) e ouvi belas frases. “O que me causa sofrimento transformo em arte” (Truman Capote); “Te amo tanto que mesmo com você eu penso em você” (do personagem de Clive Owen em Duplicidade – muito legal o filme); “Quero ar novo pros meus pulmões” (Alê); “A gente não pode se defender do amor e nem da dor. Às vezes temos que encarar um deles, às vezes os dois” (de uma pessoa boa).

Bom, um turbilhão de sensações me pegou de surpresa neste fim de semana e quando cheguei em casa, depois de, em boa companhia, me entupir de batata frita com catchup (fingindo que aquela massa de carboidrato não me deixaria com a consciência pesada segundos depois) eu não estava no ponto de equilíbrio para escolher uma música pro meu perfil do Orkut, algo suuuuuuperrrrrrrrr incrível de se fazer e de uma responsabilidade enorme, rs. Queria que fosse algo que falasse mesmo de mim e pensei em várias, várias músicas, várias frases, várias citações.

Mas taí quem sou eu... alguém que sempre prefere escolher seguir em frente e que é feliz mesmo nos dias tristes e cheios de saudades e cicatrizes que não fecham de um dia para o outro. Perseverante, esperançosa, alguém que sabe o que quer e também do que tem preguiça. Thais Walk on. E não só na letra, mas na música que sobe na dor, para não se deixar abater pela melancolia dos fatos. E se for pra chorar, chora pela intensidade de viver à flor da pele sem medo do depois.

Aqui não tem como eu acessar o You Tube ou similar para postar o vídeo. Se quiser, clica aqui


And I know it aches
How your heart it breaks
You can only take so much
Walk on! Walk on!



Walk On

U2

"And love is not the easy thing
Is the only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind"

(E o amor não é uma coisa fácil
É a única bagagem que você pode trazer
Amor não é uma coisa fácil
A única bagagem que você pode trazer
É tudo o que você não pode deixar para trás)


And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong

(E se a escuridão for nos separar
E se a luz do dia parece estar muito longe
E se seu coração de vidro se partir
E por um segundo você quiser voltar atrás
Oh, não, seja forte)


(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't steal it
No, they can't even feel it
Walk on! Walk on!
Stay safe tonight

(Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou, eles não podem te roubar
Não, eles não podem nem sentir isso
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite)


You're packing a suitcase for a place
None of us has been
A place that has to be believed to be seen
You could have flown away
A singing bird in an open cage
Who will only fly, only fly for freedom

(Você está arrumando a mala para ir a um lugar
Onde nenhum de nós esteve
Um lugar no qual se tem que acreditar para se ver
Você poderia ter voado para longe
Um pássaro cantando em uma gaiola aberta
Que só irá voar, só voará pela liberdade)


(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't deny it
Can't sell it, or buy it
Walk on! Walk on!
You stay safe tonight

(Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou eles não podem te negar
Não podem te vender, nem podem te comprar
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite)


And I know it aches
How your heart it breaks
You can only take so much
Walk on! Walk on!

(E eu sei que dói
Como o seu coração se partiu
Você pode aguentar mais um pouco
Continue em frente, continue em frente)


Home!
Hard to know what it is
If you never had one
Home!
I can't say where it is
But I know I'm going
Home!
That's where the hurt is

(Lar
Difícil saber o que é
Se você nunca teve um
Lar
Eu não sei onde é
Mas, eu estou indo pra lá
Lar
É onde a dor está)


And I know it aches
And your heart, it breaks
And you can only take so much
Walk on!

(E eu sei que dói
E o seu coração, ele se partiu
E você pode aguentar mais um pouco
Continue em frente)


You've got to leave it behind:

All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you feel
All this you can leave behind
All that you reason, it's only time
And I'll never fill up all I find
All that you sense
All that you scheme
All you dress-up
All that you've seen
All you create
All that you wreck
All that you hate

(Deixe para trás
Você tem que deixar isso para trás
Tudo o que você produz
Tudo o que você faz
Tudo o que você constrói
Tudo o que você quebra
Tudo o que você mede
Tudo o que você sente
Tudo isso você pode deixar para trás
Tudo o que você raciocina, é apenas tempo
E eu nunca estarei acima do que procuro
Tudo o que você percebe
Tudo o que você conspira
Tudo que você veste
Tudo o que você vê
Tudo que você cria
Tudo o que você destrói
Tudo o que você odeia)

26.6.09

I just want to fly! Put your arms around me baby! [Sugar Ray]


Pra voar não precisa ter asas é só fechar os olhos. É possível voar pro céu, pro passado, pro futuro. É possível voar para um presente-fantasia, aquele que você queria que fosse e não é. Adoro voar. A-do-ro! Voar com música é ainda melhor. Mas o melhor vôo é no mar. Como é gostoso voar com um cilindro nas costas e escutar o próprio coração como se fosse de fora pra dentro. Hoje eu ainda não voei, mas vou voar, afinal... hoje é sexta e ninguém pode tirar as asas de mim. Hoje vou voar sozinha, mas estarei com quem eu quiser. Acho que vou voar para a primavera. Ou vou voar de rir. E você?

Se tem uma coisa que eu adoro é festa junina. Gosto de verdade. Das comidinhas, das bebidinhas, do frio, da fogueira, do pessoal com chapéu de palha cretino que, geralmente, não cabe na cabeça. Gosto até das músicas. Gosto do aconchego da festa junina, pois geralmente são sempre feitas na casa de alguém ou em algum lugar gostoso. As pessoas se juntam e dão risada o tempo todo e, se for numa área externa dá pra ver a fumacinha do hálito quente encontrando o ambiente frio. Este ano ainda não fui em nenhuma e pelo jeito se for em alguma só “julhina”. E não terei com quem ir de mãos dadas. E isso, para mim, é como fogos de artifício molhados que não estouram e como balões que se queimam no chão e não sobem. São bandeirinhas rasgadas que caem no canto do muro e não ficam esticadas balançando ao vento. É hálito quente que não encontra a noite fria para fazer fumacinha. É mais triste que Antônio, que ficou sozinho porque o Pedro fugiu com a noiva, aquela que era filha do João.

Quinta-feira é dia de happy hour

“Hoje é dia 25?!” Nossa! (susto) É aniversário do meu pai!
(Pausa dramática de 30 longos segundos. Ela abaixa a cabeça e segura a testa, como se fosse receber uma mensagem e psicografar...)
“Ah! Mas já to aqui mesmo! Garçom, traz o outro chopp doublé?”

...

“Se eu durmo com álcool no sangue acordo passando mal.”

...

- Recebi uma mensagem!
- O que diz?
- “Morreu!”
- Ah! O Michael Jackson morreu!
(todos) - Ahaahahahahaahahhahaahha

...

- Recebi uma mensagem do meu pai
- O que diz?
- “O Michael morreu, antes ele do que eu”

...

“A morte é uma coisa romântica, é byronista.”

...

“Eu preferia ser trocada por um homem. Porque com uma mulher penso: “O que ela tem que eu não tenho?”. Um homem, eu sei o que ele tem que eu não...”

...

“Posso cantar, mas estou com uma fenda nas cordas vocais”

...

“Submarino cheira planta venenosa da casa da minha avó”

...

“Sua chefe é maravilhosa, divertida e adorável!”

24.6.09

"Se você não pode mudar seu destino, mude sua atitude!" [Amy Tan]





"... cause every little thing is gonna be all right!" [Bob Marley]






"Non, rien de rien, non, je ne regrette rien..." [Edit Piaf]





"Nós gatos, já nascemos pobres / Porém, já nascemos livres!" [Saltimbancos}








19.6.09

Momento Fotolog


"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido." (Bertrand Russell)

(imagem: luminária do backpaker Sereia do Mar, Paraty/RJ)

"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo." [Guimarães Rosa]

“Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos, é sonhar mais.” [Marcel Proust]

Diz que esses banquinhos não são mega-ultra charmosos?!

"Ninguém acende uma lâmpada e a coloca num lugar onde ficará escondida, ou sob uma tigela. Ao invés disso, coloca-se ela de pé, assim aquele que entrar pode enxergar a luz." [Jesus Cristo]



"Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida."[Pablo Neruda]

- Queria muiiitoooo que essa foto fosse minha, mas foi a Isabella quem viu.


"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro". [Caio Fernando Abreu]

(Foto da Isa)

"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam."[Clarice Lispector]

...


"Se você obedece todas as regras, acaba perdendo a diversão."
[Bob Marley]







(fotos da viagenzinha a Paraty, no carro e posando ao lado da estátua do Bob!)


"Minhas palavras sobem voando, meus pensamentos ficam aqui abaixo; palavras sem pensamentos nunca chegam ao céu."
[William Shakespeare]

...



"A fuga nunca levou ninguém a nenhum lugar."
[Antoine de Saint-Exupéry]

(imagens feita no backpaker Sereia do Mar, Paraty-RJ)

manifestação sobre decisão de ontem

16.6.09

buracos

Eu podia jurar que havia dois, podia jurar que dois pulsavam e podia jurar que os dois eram de verdade. Podia jurar que os dois espaços ocupados no sofá seriam ocupados mais vezes e juraria, ainda, que os dois queriam um sofá maior. Eu podia jurar que o beijo não era de despedida, mas de acolhida, e juraria também que a estrada ficaria mais curta. Eu podia jurar porque, vai ver, o meu amor era tão grande que valia por dois.

...


A sala de interrogatório não tinha aquele vidro translúcido e nem um lustre com luz amarela balançando pra lá e pra cá. Nada de dupla de policiais malvado/bonzinho para mexer com o emocional do réu. Não tinha café de garrafa térmica e o cenário não era composto de mesinha quadrada e uma cadeira dura. Não. Mas a sala estava fria, congelando. E quando o interrogado prestou todo depoimento e o investigador anotou tudo, ainda muitas perguntas ficaram sem resposta. Mas o dever estava cumprido e a vida continuaria. Não houve condenação. Não houve multa. Não houve veredicto, porque, o tempo todo, não era uma questão de mocinho ou bandido, mas de mocinho e menino.

...


Ele tem olhos de menino que corre atrás de pipas
Ele tem olhos de menino que não gosta de comer verdura
Ele tem olhos de menino que coleciona figurinhas
Ele tem olhos de menino que ganha o maior carrinho de todos no Natal
Ele tem olhos de menino que pula a janela pra brincar na rua
Ele tem olhos de menino que gosta mais do sorvete dos outros
Ele tem olhos de menino que vive cheio de ralados e esparadrapos pelo corpo
Ele tem olhos de menino que joga espelho embaixo da carteira da colega de saia
Ele tem olhos de menino que desamarra biquínis e puxa cangas na praia
Ele tem olhos de menino que rouba beijo da menina e depois de levar um tapão sai correndo dando risada
Ele tem olhos de menino que espia o que não deve pelo buraco da fechadura
Ele é grande. Ele tem olhos de menino.

E eu queria que esse menino fosse meu.

13.6.09

Acalento

Acordamos e o frio deu lugar para um calorzinho aconchegante. Céu azul, mar calmo. O brilho do sol refletia na água e parecia vir em nossa direção. A areia macia e recheada de conchinhas parecia um tapete enorme. Fotografamos. Nos sentamos na areia e admiramos o mar. Imagem nenhuma pode retratar nossa visão. E a imensidão nos preencheu.

10.6.09

para colorir o dia





Véspera de feriado. Ninguém quis ver U2 Cover comigo. Semana difícil. Dia mais frio que o esperado. Céu cinzento, amargo, chuvisco. Cidade gelada e todos com sacolinhas de presente nas mãos. Aí, de repente, alguém anuncia: tem um tucano aqui fora!

E ilustrando o tempo, que metaforiza minha vida, um colorido inesperado aponta. Sai do conforto e escolhe um dos ícones mais feios da rua para se exibir e encantar as dezenas de pessoas curiosas que saíram para vê-lo. Depois de pincelar com suas cores aquele arredor, voou e a chuva tomou seu lugar.

9.6.09

Viver despenteado

Acho que nunca postei algo que não foi escrito por mim. Mas este texto é tão bonitinho! Não é?! Não encontrei quem é o autor...



Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade... O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia...
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes, deixa seu cabelo irreconhecível..

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado... mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

A moça e a estrada



Era uma pessoa boa em abstrair coisas. A brincadeira de ver bichos em nuvens acompanhava sua vida, mesmo depois da infância. Com a maturidade, passou a ver mais coisas que bichos. Via de tudo nas nuvens.

Adorava andar de carro em estradas de alta velocidade sentindo o vento embaraçar os cabelos e o sol esquentar seu braço esquerdo. Gostava do “bronze motorista”. Era como que uma forma de lembrá-la que sabia aproveitar o sol mesmo sem estar estirada para ele. E nem podia. A pele era branca demais e já tinha marcas de expressão e de sol no rosto. Com preguiça de usar cosméticos rejuvenescedores, passava maquiagem de boa qualidade e usava grandes óculos escuros. Unindo o útil ao agradável, tinha a combinação perfeita para se sentir a estrela de um videoclipe.

No geral, era aos finais de semana que conseguia dedicar-se à essa entrega na estrada. Gostava de lembrar que o avô dizia que a estrada é como a vida, pois a gente tem que ir sempre em frente, para não causar acidentes. E como a vida, a estrada nos permite ver o que tem ao seu redor rápido demais, por isso é preciso curtir cada quadro. E ela curtia.

Ligava o som e quando estava pensativa apenas acompanhava as músicas no pensamento. Quando estava feliz, era muito mais divertido, pois cantava e batucava todos os sons, tanto dos vocais quanto dos instrumentos. Tinha estatura mediana, não era tão alta e as pernas, muito menos, longas, mas sempre no batuque frenético batia o joelho direito na ignição. Às vezes aquele carro parecia apertado, mas era um apertadinho confortável, sabe?! Era o que ouvia ela dizer.

Um dia, um tanto pensativa apenas cantarolando na mente a música que tocava no rádio, recebeu um telefonema. O dia passou a ser noite e os vidros foram fechados. O cotovelo esquerdo não ocupava mais a beira da janela e o freio passou a ser mais utilizado que antes. Sem dó. Nesse dia ela passou de carro, buzinou e não a reconheci. Os cabelos estavam presos para não serem embaraçados e os óculos escuros aposentados no porta-luva. Estranhamente não vi mais nuvens no céu. Será que no inverno elas somem? Nunca soube disso, mas hoje sei que a estrada não é a mesma sem ela. Era boa em abstrair as coisas, acho que abstraiu a estrada e, por isso, não pôde mais seguir e parou em algum retorno.

8.6.09

Mais um sobre o dito cujo (amor, Roma ou romã)



Eu também tinha uma teoria paralela de que temos que ter humildade para receber o amor. Porque o amor é muito maior que tudo e se ficamos tentando descobri-lo, entendê-lo, reconhecê-lo, acabamos por ter que matá-lo (ou fingir que ele não existe), para podermos agüentar que não damos conta de enquadrá-lo em formas concretas.

É preciso ser humilde para entender que amor é mistura de gazes (tem que ler esse textão abaixo pra entender o que quis dizer com isso) e, sendo volátil, é difícil segurá-lo para poder fazer medições de engenharia. É preciso ser humilde para assumir que sendo gás volátil e invisível, dá medo.

O que é o amor? (a mosquinha de banana)





Semana do Dia dos Namorados e a pergunta, que há séculos alguém tenta responder, paira no ar como aquela mosquinha de banana chata que sobrevoa a mesa de frutas. Você tenta matar, tenta se livrar dela e não consegue. E quando consegue, outra igualzinha aparece. A multiplicação inexplicável te põe no meio de umas 20 mosquinhas de banana. Não dá pra fugir.

Eu já achei que amor fosse algo infinito e igual à sensação do primeiro beijo. Tinha que ser sempre de arrepiar, de tirar do chão, de fazer a cabeça ficar leve e o coração batendo aconchegado, mas rápido, intenso. Eu deveria ter uns 11 anos.

Depois, achei que amor fosse algo infinito enquanto durasse, como na música. Tinha tudo a ver, pois nessa época achei que amor fosse música e os apaixonados tivessem “todo tempo do mundo”, também como na música. Aí, um dia, a música enjoava, cansava, saia de moda. O amor foi infinito enquanto durou. Eu tinha 15 anos quando achava que o amor era isso e queria ter vários amores. Tive.

Depois, achei que amor fosse algo infinito e finito ao mesmo tempo. Explico: na memória da gente ele seria finito, como música da estação, enquanto durasse, mas ficava o registro da sua existência numa gavetinha. Ou seja, por mais que outros viessem ocupar o coração, e outros sucedessem, depois todos iriam pro arquivo. E eu teria amor pra cada fase, pra cada tempo, na gaveta, mas com uma fagulhinha aquecendo o arredor. Na velhice, olharia pro último amor que tive, também velhinho ao meu lado, e agradeceria por ele estar ali. Os outros, fagulhinhas engavetadas, mas bem vivas, seriam lembrados com carinho. Eu tinha 20 anos e não conseguia esquecer um amor que teimava em me bater à porta e estragar outros amores. Percebi que não era amor, era doença, e fiquei um tempo sem uma nova teoria, mais um tempo com uma mosquinha de banana.

Quando tinha entre 25 e 26 anos, fui atropelada por uma teoria nova. Amor era aquilo que estava sentindo, amor era aquela montanha-russa gostosa, mas que num piscar de olhos virava um gira-gira de carrossel com algodão doce. Era vai e vem de volúpia e calmaria. Coloquei pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar, mas o amor era de vidro e se quebrou. E eu pensei: “Se era amor, como era de vidro?”. É porque não era.

Aos 27 anos, já desacreditada, passei a andar com um inseticida. Matava qualquer mosquinha que via e matava e matava, sem dó, bem rápido ia apertando a tampinha do aerozol, para evitar a multiplicação. Óbvio que as mosquinhas se tornaram resistentes e um belo dia encontrei o amor sem perceber. Descobri que o amor é muito mais simples que todas as teorias anteriores e todas as teorias de amigos e conhecidos, e de desconhecidos também. Amor não é significante e significado, mas impossível colocar uma sentença ao lado dos dois pontos no dicionário. Amor simplesmente é. Mas não estava satisfeita. Como assim, é???

Até que, enfim, consegui minha teoria resolutiva. Acho que as anteriores me ajudaram a descobri-la, pois tendo conhecido cada uma delas sei que são fraudes. Amor é um pouco de todas, mas sua característica maior é que adormece para ser acordado. O amor é algo que quando chega e te escolhe, entra nas veias, e o sangue vai levando-o a todas as partes do corpo. Enquanto a música toca, ele vibra e se faz presente. Quando o filme passa, ele se identifica e se mostra ali, mas quando o tempo passa rápido demais, a rotina cansa e ele adormece, é preciso uma narcose por nitrogênio. Amor é mistura de gazes.

Amor é a dúvida do será que é e, de uma hora pra outra, você perceber que a resposta é ‘’óbvio que sim”. Talvez seja por isso que para amar de verdade é preciso testar teorias malucas, como num laboratório de química, onde depois de anos misturando soluções, uma explode com tudo e quebra todas as anteriores, te fazendo perceber em todo o tempo de pesquisa, você sempre foi uma porcaria de um alquimista bobo. Porque o amor não era a mistura de soluções, mas a explosão em conseqüência. E isso, não dependeu do seu acerto, mas do seu erro.

Depois da explosão o gás invade todo o recinto. No começo é novidade e todos se acostumam com ele, o respiram sem perceber. Como o oxigênio, não é preciso vê-lo para saber se existe e está sempre ali te suprindo. Quando essa comodidade se faz presente, a gente sente falta da explosão, pois foi com ela que o conhecemos. Aí, parece que ele morreu. Mas está ali, e é por isso que disse ser necessária uma narcose de nitrogênio. Essa narcose pode ser um chute no balde, uma conversa com palavras baixas, um silêncio absoluto, uma viagem estranha, uma corrida pelado na rua, uma rodada de tequila seguida por mais umas três ou quatro. Depois da narcose, você dá uma chacoalhada e o amor acorda.

Essa minha teoria absoluta acabou sábado. E agora eu não tenho mais teoria nenhuma. “O que é o amor?”, a mosquinha de banana dormiu comigo, tomou banho, café, almoçou, fez diversas coisas durante o domingo e hoje veio trabalhar comigo. No meio dessa divagação gigante que virou o post ela me disse no linguajar das moscas de banana que o amor é quando é pra dois, se não é dor. Acho que ela andou lendo Martha Medeiros. Mas tem razão. Amava meu avô e quando ele morreu e eu não tive mais reciprocidade, virou dor. Então, agora, me apego a esta teoria... amor é quando é pra dois, e se não for, nunca foi, é dor camuflada. Era só uma fraude. E fraudes, quando adormecem não têm mais como ser acordadas. Amor adormece, fraude recebe injeção letal. Ou vai ver, amor é só Roma ou romã ao contrário. E ponto.

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(Imagem encontrada via Google (claro!)em: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/poucaspalavras)