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9.4.07

Eu quero, tu queres, ele quer, nós queremos, vós quereis, eles querem

Quero ser apertada até ficar roxa. Quero ser mordida até sangrar. Quero ser beijada até sufocar. Quero ser abraçada até ficar com o corpo todo dormente. Quero ser espremida, amassada, sacudida, assaltada, invadida. Quero ser cuidada até implorar ‘’menos!” e quero cuidar até ouvir “mais!”. Quero morrer sem respirar.

Carpe diem é o resumo

Acabei de olhar no calendário para lembrar o dia exato que fiz determinada coisa e me deparei com um fato que julguei seria pontual. Mas acabou se estendendo. Amanhã a noite fará um mês que aconteceu algo relevante e, desde então, estou vivendo com tudo fora do lugar.

Paralelamente, decidi no final da última semana que finalmente as cortinas e quadros que estavam encostados num pedaço de chão ganhariam seus respectivos assentos. Não deu tempo de acertar tudo em uma tarde, nem com dois bons ajudantes e uma assessora de decoração, mas pude perceber que, mesmo quando a gente resolve colocar as coisas no lugar, não tem como fugir de certa dose de desordem. Seja porque a sala ficou cheia de pó, pedaços de vidros quebrados ou tapete amontoado em um canto; seja porque as coisas ficaram tão bem assentadas que não estão ainda familiarizadas, dando a impressão de aquilo não estar 100% certo, ou melhor, seguro.

São paradoxais as conclusões de que para arrumar é necessário desarrumar; para solucionar é necessário criar um problema e para acertar é necessário errar (muiiita gente já até nasce sabendo disso). Irônico é pensar que a gente sabe que momentos surgem de solavanco, mas sempre nos preparamos para sentir ou não sentir algo, agir assim ou assado, resistir a isso ou àquilo. E é inútil programar-se.

Bom é perceber que, enfim, acho alguma maturidade em mim e não estou me descabelando por tudo isso. A reviravolta gerada pela poeira, pelo novo layout da sala e pelo que aconteceu há um mês está sendo bem-vinda, mesmo que eu não saiba como será daqui a pouco.

(depois posto a foto da sala)

2.4.07

Na (infinita) D.Pedro I


Toda segunda é isso. Vejo o sol apontar exatamente quando passo pelo posto da Polícia Rodoviária de Atibaia.


Se é ruim acordar cedinho, e estar ali por volta das 6h, bom é admirar o deus Rá levantando depois de mim. Para me sentir melhor, imagino que é um presente quente, mas menos calórico que uma cesta de café da manhã (que seria cabível nestes momentos), por exemplo.


É... os nasceres de outono são realmente meus favoritos.

29.3.07

Com os pés no chão


E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada

E quanto mais estrada, mais sei que vou querer atalhos

E quanto mais atalhos, mais sei que, na maioria, não serão a melhor escolha

E quanto mais escolhas, mais sei que surgirão dúvidas

E quanto mais dúvidas, mais sei que precisarei de força

E quanto mais força, mais sei que terei de ser diplomática

E quanto mais diplomática, mais sei que farei com calma

E quanto mais calma, mais sei que seguirei no caminho

E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada...

28.3.07

Para quem ainda não surgiu


Silencia-me, por favor
Silencia-me
Deixe que o barulho das situações irrelevantes não chegue até mim
Atente para que piadas sem graça não me atormentem
Inunda-me com a calada de uma noite estrelada
(Tolero o doce som da chuva caindo)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
Cuide para que o grito do tédio não me sufoque
Alcance, a mim, a calma, mas sem dar crédito à rotina
Preencha-me com tua presença
(Aceito as pedras que naturalmente virão)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
E transforma o desconforto do silêncio vazio que hoje conheço
Apresenta-me um som que não precisa ocupar meus espaços
Prova-me que há sons mudos e silêncios ruidosos
Silencia-me, por favor
Silencia-me
E me desconserte.

21.3.07

Córo



Corro. Vejo um furacão se aproximando e corro.

Corro. O vento me envolve, quase me tira do chão e eu corro.

Corro. As pernas se movem com sincronismo, mas não tiram meu corpo do lugar.


Estou presa. O furacão me envolve.

Estou presa. O vento me tira do lugar.

Estou presa. As minhas próprias pernas estão se aproximando.


Corro, para não me prender, e córo.