O elefante cinza tinha saudade de quando era um elefante azul e chamava atenção das elefantinhas cor-de-rosa da selva. Hoje, sente-se um enorme elefante branco, sem utilidade nem respeito. Uma coisa e não mais um ser vivo. Um objeto e não mais de admiração, mas de desprezo.
Nah, pra onde vou com essa de elefante? Quem gosta de elefante? Eu mesma prefiro zebras e girafas, leões, elefante é desajeitado e... cinza! Vou escrever então de pessoas. Sim, porque, sendo uma pessoa, devo conseguir escrever algo mais decente sobre, ou que, pelo menos, tenha experimentado para poder sair algo coeso. Mas falar do que? Continuo com brancos preguiçosos. Vou é falar de nada. O como é bom não fazer nada e não se preocupar com páginas em branco, linhas sem letras, palavras com todos os acentos, pingos nos "i" e "t" cortadinho. Isso, vou abordar o "nada".
“Nada é bom, nadar também.” Tá vendo? Tá fogo! Não sai. Até o ano passado eu sentava na frente do micro sem nada em mente, olhava pro word e a estória baixava em mim e eu ia escrevendo, sem nem saber o fim, fluía! Agora... agora nada. E “nada” sem graça.
Me rendo. A preguiça internética ainda não me abandonou. Semana que vem eu tento de novo. Juro.
Espaço reaberto pós longo período aposentado. Este é um lugar onde paro para pensar o que vem à mente, sem arredondar. Já foi uma gaveta; já foi um tupperware, daqueles que a gente fecha bem as idéias e põe na geladeira, guardando o que queremos preparar mais para frente. É relevante, tem motivo de estar, mas não está pronto. Superficial. Superfácil, Só prefácio. Superfacial, está na cara, mas só ali (aqui). As vezes, até consigo enxergar a lua pela fresta do telhado.
25.1.08
22.1.08
renovação
14.1.08
Everything's gonna be alright
Volto hoje ao trabalho e só ontem fiz a manjada retrospectiva de 2007 e projetei meus anseios para este ano. Antes não deu tempo ou não quis ou fugi ou fingi achar balela (e é).
Tá tudo ainda entalado na garganta, mas há gritos mudos nas extremidades do corpo todo. Sorte que beijei na boca na virada. E que virada. E que bons dias de não descanso andando de lá pra cá. Delícia.
É isso aí, mais 360 e poucos dias para vivermos e morrermos mais um tiquin. Mais um emoldurado de 12 meses para procurarmos feriados (são poucos em dias úteis neste ano). São horas e horas pros ponteiros dos relógios darem voltas e infelizmente é a pilha que acaba e não a corda que temos que girar. Tempos modernos, tempos de liquidez em tudo. Dias quentes, vida que se esvai. E assim vai até 31-12.
Um tanto de angústia a todos e que muitos estalos de felicidade neste vamoscomeçartudodenovo(atéoanoquevem). Vai dar tudo certo. O copo está meio cheio.
Beijinhos!
Tá tudo ainda entalado na garganta, mas há gritos mudos nas extremidades do corpo todo. Sorte que beijei na boca na virada. E que virada. E que bons dias de não descanso andando de lá pra cá. Delícia.
É isso aí, mais 360 e poucos dias para vivermos e morrermos mais um tiquin. Mais um emoldurado de 12 meses para procurarmos feriados (são poucos em dias úteis neste ano). São horas e horas pros ponteiros dos relógios darem voltas e infelizmente é a pilha que acaba e não a corda que temos que girar. Tempos modernos, tempos de liquidez em tudo. Dias quentes, vida que se esvai. E assim vai até 31-12.
Um tanto de angústia a todos e que muitos estalos de felicidade neste vamoscomeçartudodenovo(atéoanoquevem). Vai dar tudo certo. O copo está meio cheio.
Beijinhos!
28.12.07
vacaciones
... vuelvo sólo en 07-01-2008!
Blog parado!
besos (y perdón por no responder a los últimos recados)
Blog parado!
besos (y perdón por no responder a los últimos recados)
21.12.07
Tá acabando o ano...
Não sou uma pessoa boa para julgar e elencar coisas. Pelo menos, hoje, evolui e consigo saber e jogar fora sem dó o que me faz mal, mas o que me faz bem eu abraço feito a Felícia e fico chateada em numerar... então, cito algumas coisinhas boas de 2007. Nada de listinha de dez mais, cinco mais.
O único prêmio de primeiro lugar é pro quesito “Fã e figura mais presente do blog No Mezanino”. Este, sem dúvida (e por isso sem consciência pesada em ser injusta) vai pro meu pai, que insiste em assinar “Seu pai, Paulo”, como seu eu tivesse outro. Ele demorou pra aprender a assinar o nome sem aparecer o “anônimo” e passa aqui direto, comenta e acha bom (ele acha de verdade, coruja, não finge não – ou eu acredito piamente nisso).

Troféu Ouro Branco (o melhor bombom do mundo) pra ele (não deveria merecer nada, na verdade, pois miguelou os olhos verdes pra mim e pra minha irmã).

Algumas cositas boas do ano:
Todos os filmes que vi. Vi vários e agradeço as oportunidades de ver alguns deles no(a) Reserva Cultural. Olhe para os dois lados (divertido, moderno, bom praca), Vermelho como o céu (fez chorar), O Passado, Paris Je T'Aime (talvez arrisque que foi o que mais me empolgou), Os visitantes (vi na Warner, um filme israelense, acho, muito massa), O Último Rei da Escócia (não foi à toa o Oscar), putz, só este ano vi Pequena Miss Sunshine e amei, chorei de rir; Não por acaso (poético), Malena (é de 2000, mas vi este ano e tive certeza de que, se eu pudesse escolher ser outra pessoa, mas com meu cérebro mesmo e tal, ele seria o da Monica Bellucci), O ano em que meus pais saíram de férias (a última frase do moleque no carro vale o filme inteiro, que já vale muito), tá, Tropa de Elite também! Lembrei desses, não fui atrás, então, acho que estes foram meus melhores. Agora estou louca pra ver (e cantar – agüenta a Thais!) Across the Universe.
Músicas: descobri várias (sim, muitas) bandas e tenho CERTEZA que refinei meu gosto. Destaque para Manic Street Preachers e Superbus.
Amigos e colegas: Os fiéis espetaculares; “elementos” da promoter Lia; casamento de amigas do peito; novos bacanas na terra do trampo; troca de baboseira (ou não) diária com ‘’blogueiros’’ (ahahahah odeio este nome nerd) do Haja Saco ( em especial Fabinho , menino bom e simpático), Carol, Fê, Biazinha, Kiara, Calebe-Teenager, Jungle, Mari, Daniella, Priscila, Tiago... se esqueci alguém, xinga!
Amor: Ainda bem que a gente tem alguma coisa parecida com isso na vida; toda perda tem um ganho; tudo que é sincero vale a pena.
Trabalho: Ralação, adaptação, um monitor maior porque estou cada dia mais cegueta.
Família: A melhor sempre.
Foram muitas as experiências em 2007, que foi bem melhor que 2006... ufa! Cabelos diferentes, explosão da cozinha, carro novo (mesmo que simprinho), contas e responsabilidades de quem mora sozinha, fins de semana corridos, novas pessoas, novas conversas, novas descobertas.
Desejo que 2008 supere qualquer expectativa... sempre esperamos isso. Um Ano Novo maravilhoso a todos!
ps.: tem tanta coisa legal pra escrever e este post ficou medíocre. Tô cansada... tô morta... amanhã a.p. das 17h30 estarei de férias! Ufa!
O único prêmio de primeiro lugar é pro quesito “Fã e figura mais presente do blog No Mezanino”. Este, sem dúvida (e por isso sem consciência pesada em ser injusta) vai pro meu pai, que insiste em assinar “Seu pai, Paulo”, como seu eu tivesse outro. Ele demorou pra aprender a assinar o nome sem aparecer o “anônimo” e passa aqui direto, comenta e acha bom (ele acha de verdade, coruja, não finge não – ou eu acredito piamente nisso).

Troféu Ouro Branco (o melhor bombom do mundo) pra ele (não deveria merecer nada, na verdade, pois miguelou os olhos verdes pra mim e pra minha irmã).
Algumas cositas boas do ano:
Todos os filmes que vi. Vi vários e agradeço as oportunidades de ver alguns deles no(a) Reserva Cultural. Olhe para os dois lados (divertido, moderno, bom praca), Vermelho como o céu (fez chorar), O Passado, Paris Je T'Aime (talvez arrisque que foi o que mais me empolgou), Os visitantes (vi na Warner, um filme israelense, acho, muito massa), O Último Rei da Escócia (não foi à toa o Oscar), putz, só este ano vi Pequena Miss Sunshine e amei, chorei de rir; Não por acaso (poético), Malena (é de 2000, mas vi este ano e tive certeza de que, se eu pudesse escolher ser outra pessoa, mas com meu cérebro mesmo e tal, ele seria o da Monica Bellucci), O ano em que meus pais saíram de férias (a última frase do moleque no carro vale o filme inteiro, que já vale muito), tá, Tropa de Elite também! Lembrei desses, não fui atrás, então, acho que estes foram meus melhores. Agora estou louca pra ver (e cantar – agüenta a Thais!) Across the Universe.
Músicas: descobri várias (sim, muitas) bandas e tenho CERTEZA que refinei meu gosto. Destaque para Manic Street Preachers e Superbus.
Amigos e colegas: Os fiéis espetaculares; “elementos” da promoter Lia; casamento de amigas do peito; novos bacanas na terra do trampo; troca de baboseira (ou não) diária com ‘’blogueiros’’ (ahahahah odeio este nome nerd) do Haja Saco ( em especial Fabinho , menino bom e simpático), Carol, Fê, Biazinha, Kiara, Calebe-Teenager, Jungle, Mari, Daniella, Priscila, Tiago... se esqueci alguém, xinga!
Amor: Ainda bem que a gente tem alguma coisa parecida com isso na vida; toda perda tem um ganho; tudo que é sincero vale a pena.
Trabalho: Ralação, adaptação, um monitor maior porque estou cada dia mais cegueta.
Família: A melhor sempre.
Foram muitas as experiências em 2007, que foi bem melhor que 2006... ufa! Cabelos diferentes, explosão da cozinha, carro novo (mesmo que simprinho), contas e responsabilidades de quem mora sozinha, fins de semana corridos, novas pessoas, novas conversas, novas descobertas.
Desejo que 2008 supere qualquer expectativa... sempre esperamos isso. Um Ano Novo maravilhoso a todos!
ps.: tem tanta coisa legal pra escrever e este post ficou medíocre. Tô cansada... tô morta... amanhã a.p. das 17h30 estarei de férias! Ufa!
18.12.07
absurdinhos
- da mesma marca, determinada mochila custa R$ 879 e uma barraca R$ 399
- o álcool subiu 4 centavos em duas horas
- resolvi querer uma pochete
- amanhã vou pagar 5 ou 6 pedágios
- esqueci de pagar uma conta de R$ 0,53 e cortaram meu gás
- o álcool subiu 4 centavos em duas horas
- resolvi querer uma pochete
- amanhã vou pagar 5 ou 6 pedágios
- esqueci de pagar uma conta de R$ 0,53 e cortaram meu gás
nada a ver, só pensando alto...
Perplexo é uma palavra bonita. Soa bem. Assim como pelado soa legal e balela é engraçada porque enrola a língua se falada rápido demais. Gosto de perceber o som das palavras, talvez seja por isso que prefiro as ditas às não ditas. Palavras guardadas são desperdício de som. Paradoxalmente o silêncio é espetacular. Fica aí mais uma demonstração da minha indecisão para algumas coisas, libriana...
O que bate o martelo são os sentidos. Como brincar de “pedra, papel e tesoura”, o olhar cala, o tato faz falar, o cheiro emudece e a audição aguça a língua,; o paladar, no geral, impede que a boca seja usada pra outra coisa. E eu amo muito tudo isso, tipo slogan do Mc mesmo. E nesse 8 ou 80 meio que desequilibrado é que, insana, eu durmo em completa e incomparável paz.
O que bate o martelo são os sentidos. Como brincar de “pedra, papel e tesoura”, o olhar cala, o tato faz falar, o cheiro emudece e a audição aguça a língua,; o paladar, no geral, impede que a boca seja usada pra outra coisa. E eu amo muito tudo isso, tipo slogan do Mc mesmo. E nesse 8 ou 80 meio que desequilibrado é que, insana, eu durmo em completa e incomparável paz.
17.12.07
Croniquinha ruim de Ano Novo*
Preparou-se para a noite do Ano Novo em 15 minutos apenas. Sabia que não seria muito diferente do ano anterior: meia noite ouviria fogos e cachorros uivando em conseqüência e as pessoas que estavam no prédio brindariam quase mais alto que os bêbados no salão de festas do térreo. Na TV, Copacabana estaria lotada e talvez virasse fumaça como no ano retrasado. A Paulista pipocaria em mil cores e em algum momento mostrariam o primeiro dia do ano nas demais capitais brasileiras, sem a mesma ênfase, mas com o mesmo entusiasmo de “ano novo, vida nova”. Pegou uma berma branca que comprou em promoção na C&A e uma camiseta escrito “E que venha o Ano Novo!” em letras douradas, que ganhou da mãe, que foi pra praia com amigos. A irmã deixou um par de havaianas (erroneamente dois números menores) com um bilhete “Vai passar em casa de novo, mané? Feliz Ano Novo!!!” e se mandou pra Floripa com as amigas. A cueca da sorte estava já meio velha, mas compôs o visu frankstein de reveillon. Tudo seria a mesma coisa. Abriu a porta do apê e colocou uma cadeira pra fora. Era só esperar a contagem regressiva, abrir o champagne barato, beber e dormir. Não atenderia ao telefone com os amigos gritando Feliz Ano Novo, ah, não ia mesmo. Tinha pavor disso.
Foi no shopping duas vezes por semana por quatro delas e não achou o que vestir. Queria algo que não fosse glamouroso, que não fosse praiano, que não fosse mambembe, mas que também não fosse especial. Não achou. Pegou a minissaia branca do ano anterior e uma regata branca meio desbotada. Deixou na cândida e ficou novinha. Pegou uma tinta prateada e fez uns rabiscos malucos. Rasteirinha de strass e beleza. Pronta pra ir pro bar com a galera. Antes, ia passar a virada em casa, pra fazer sossegada seu filminho mental ali, sem ninguém se intrometer ou falar merda. Gostava de azul, achava que não dava sorte só pras noivas, fez uma mecha no cabelo e esticou-se no sofá com uma taça de cristal numa mão e uma garrafa de Chandon na outra. Estava calor, foi abrir a porta.
O tapetinho listrado enroscou e ela foi pro chão. A saia subiu e o vizinho da frente arregalou os olhos. “O que que é? Nunca viu? Pode vir me ajudar?”. Na verdade ele já tinha visto sim, mas fazia tempo. Enquanto ele a ajudava a levantar, ela reparou nos calcanhares caindo pra fora dos chinelos. “Esse chinelo não é seu, né?”. “É sim, assim como sua saia”. Eles desataram a rir e a contagem regressiva começou. E foi assim que o cara da cueca velha beijou a mocinha da mecha azul e daí pra frente o corredor daquele andar nunca mais foi o mesmo. Depois disso Renato Russo mudou um pouco a verdadeira história e escreveu Eduardo e Mônica, que vocês já conhecem.
*Outro texto escrito para postar no blog dos coleguinhas do Haja Saco (o primeiro está aqui)
Foi no shopping duas vezes por semana por quatro delas e não achou o que vestir. Queria algo que não fosse glamouroso, que não fosse praiano, que não fosse mambembe, mas que também não fosse especial. Não achou. Pegou a minissaia branca do ano anterior e uma regata branca meio desbotada. Deixou na cândida e ficou novinha. Pegou uma tinta prateada e fez uns rabiscos malucos. Rasteirinha de strass e beleza. Pronta pra ir pro bar com a galera. Antes, ia passar a virada em casa, pra fazer sossegada seu filminho mental ali, sem ninguém se intrometer ou falar merda. Gostava de azul, achava que não dava sorte só pras noivas, fez uma mecha no cabelo e esticou-se no sofá com uma taça de cristal numa mão e uma garrafa de Chandon na outra. Estava calor, foi abrir a porta.
O tapetinho listrado enroscou e ela foi pro chão. A saia subiu e o vizinho da frente arregalou os olhos. “O que que é? Nunca viu? Pode vir me ajudar?”. Na verdade ele já tinha visto sim, mas fazia tempo. Enquanto ele a ajudava a levantar, ela reparou nos calcanhares caindo pra fora dos chinelos. “Esse chinelo não é seu, né?”. “É sim, assim como sua saia”. Eles desataram a rir e a contagem regressiva começou. E foi assim que o cara da cueca velha beijou a mocinha da mecha azul e daí pra frente o corredor daquele andar nunca mais foi o mesmo. Depois disso Renato Russo mudou um pouco a verdadeira história e escreveu Eduardo e Mônica, que vocês já conhecem.
*Outro texto escrito para postar no blog dos coleguinhas do Haja Saco (o primeiro está aqui)
10.12.07
olhos de menino
Ele tem olhos de menino que corre atrás de pipas
Ele tem olhos de menino que não gosta de comer verdura
Ele tem olhos de menino que coleciona figurinhas
Ele tem olhos de menino que ganha o maior carrinho de todos no Natal
Ele tem olhos de menino que pula a janela pra brincar na rua
Ele tem olhos de menino que gosta mais do sorvete dos outros
Ele tem olhos de menino que vive cheio de ralados e esparadrapos pelo corpo
Ele tem olhos de menino que joga espelho embaixo da carteira da colega de saia
Ele tem olhos de menino que desamarra biquínis e puxa cangas na praia
Ele tem olhos de menino que rouba beijo da menina e depois de levar um tapão sai correndo dando risada
Ele tem olhos de menino que espia o que não deve pelo buraco da fechadura
Ele é grande. Ele tem olhos de menino.
Ele tem olhos de menino que não gosta de comer verdura
Ele tem olhos de menino que coleciona figurinhas
Ele tem olhos de menino que ganha o maior carrinho de todos no Natal
Ele tem olhos de menino que pula a janela pra brincar na rua
Ele tem olhos de menino que gosta mais do sorvete dos outros
Ele tem olhos de menino que vive cheio de ralados e esparadrapos pelo corpo
Ele tem olhos de menino que joga espelho embaixo da carteira da colega de saia
Ele tem olhos de menino que desamarra biquínis e puxa cangas na praia
Ele tem olhos de menino que rouba beijo da menina e depois de levar um tapão sai correndo dando risada
Ele tem olhos de menino que espia o que não deve pelo buraco da fechadura
Ele é grande. Ele tem olhos de menino.
6.12.07
aaaaaaaaaaaaaaa

a ansiedade é uma coisa terrível que corrói e faz o corpo padecer a gente quer tudo que é necessário pra hoje e tudo que é bom pra ontem e aí como não temos controle sobre o tempo a pele fica feia os cabelos caem as unhas desfiam e sai até herpes na boca outra coisa que também acontece é a língua fica boba e falar coisas absurdas tão rapidamente que não dá tempo de o cérebro censurar em algumas ocasiões isso acaba sendo ótimo mas em outras geralmente levamos um tapa na cara real verbal ou visual e todos doem ser ansioso é ruim a gente toma sorvete tão rápido que não dá tempo de sentir o sabor e fica só com dor nos dentes sensíveis e andamos tão depressa que nem percebemos a cidade iluminada com luzinhas e mil enfeites de Natal sorte que os ansiosos têm também conta pra pagar para poderem ser obrigados a parar pelo menos pra fazer somas e subtrações mas aí vem o boleto da passagem da viagem de férias e a ansiedade passa a perna novamente naquele ínfimo momento lúcido e se imagina as malas por fazer os acertos finais e a empolgação que está pra chegar como se uma torcida organizada balançasse pompons em volta de quem está ali com tudo na cabeça passando como um filminho em alta velocidade um filminho que ainda não foi gravado e que as cenas podem ser iguais piores ou melhores que aquelas ali ser ansioso é uma merda pois a gente nunca acerta a trilha sonora e nem faz uma fusão decente nas imagens até os créditos finais são atropelados e atropelado o momento entre o café e a volta pro trabalho que teima em atrapalhar todos os planos de dias tranqüilos e sem preocupações nem que durem só dez ou seja 240 horas sem dar uma de trator ao invés de passarinho feliz não dá pra ser acelerado igual ao Forest Gump e ficar barbudo daquele jeito
3.12.07
palitinho de picolé premiado vale mais um
Não te conheço. Não sei quem é você. Não sei se prefere Phebo porque limpa melhor ou Dove porque tem o bendito 1/4 de creme hidratante e não sei se prefere entrar na água do mar ou caminhar na areia. Não sei se é encrenca, não sei se é fantasia de monstro em parque de diversões. Não sei qual dos seus nomes combina mais com você, mas gosto do que cada um me faz pensar. Não sei muita coisa, e não é esse pequeno mistério que me impulsiona a querer descobrir mais, mas perceber que você é do tipo que sempre faz rir. Disso estou certa. E quem faz rir acumula créditos. É como provas de fim de semestre com peso 2 ou bolas de bilhar que valem mais. Quem faz rir é a bônus track da melhor música do álbum em versão especial ao vivo só com voz, banquinho e violão.
29.11.07
Sexta infame com tudo!
Me confessa... óbvio que você já sentiu uma orquestra de anjos tocando no seu coração, vai! vávává!
Essa música é incrível, inacreditável...
O comecinho é intraduzível... um "La da di da-da da-da da / Da-da da-da / La da di da-da da-da da" poético por demás! Número 5 num novo CD que deixo no carro...
Assista ao clipe e contemple esta bela obra dos anos 80. A corte é um sarro, mas o meu destaque fica pro back gordinho (nada contra, vê a cara dele) que estréia aos 1'01'' e faz entradinhas surpresas... e, claro, pra piscadela final! Sensacional!
Ah! tem um moleque tocando gaita também, enquanto outros voam (claro, são anjos!)
Boa sexta!
Must Be Talkin' To An Angel
Eurythmics
La da di da-da da-da da
Da-da da-da
La da di da-da da-da da
Da-da da-da, yeah
Main:
No one on earth could feel like this
I'm thrown and overblown with bliss
There must be an angel
Playin' with my heart, yeah
I walk in to an empty room
And suddenly my heart goes BOOM
It's an orchestra of angels
And they're playin' with my heart, yeah
Chorus:
Must be talkin' to an angel
Main
And when I think that I'm alone
It seems there's more of us at home
It's a multitude of angels
And they're playin' with my heart, yeah
Chorus
Bridge:
I must be hallucinating
Watching angels celebrating
Could this be reactivating?
All me senses dislocating?
This must be a strange deception
By celestial intervention
Leavin' me the recollection
Of your heavenly collection
(Instrumental)
Chorus repeats until fade
uma cena e uma música qualquer
Ela resolveu passear na velha Maria Fumaça que o avô a levara quando era criança e os pedacinhos de carvão trazidos pelo vento, junto com a fumaça pra dentro do trem, queimaram seu conjunto de shorts e blusa vermelho de bolinhas brancas, feito pela avó. Sozinha, debruçada na janela antiga com tinta verde descascada, ele sorri pensando como é bonito ver os trilhos serem cobertos pelos vagões. De repente, uma música, que nunca havia reparado, começa a tocar nas velhas caixas de som que reproduziam o chiado mais magnífico que já tinha ouvido. É Palavras e Silêncio. Pensa por instantes que Fagner é terrível e que o dueto com Zeca Baleiro é irrelevante. Só que o violão a enfeitiça, a música navega em suas veias em barquinhos de papel dobradura e ela acaba tomando cada verso em aviõezinhos de colheradas. Volta para a poltrona, só apóia uma das mãos no peitoril da janelinha e mira o horizonte. O sol está se escondendo atrás de duas montanhas, como naqueles desenhos feitos com giz de cera. Começa a pensar na vida, desde que o carvão queimou o shorts, o mesmo da foto que ela está numa praia, morrendo de medo, posando de bonezinho sobre um pobre e mirrado pônei. Lembra de muitas das palavras não ditas e de muitos silêncios cheios de significado. Recorda-se de grandes pequenas conquistas e de todos os seus amores. Tenta fazer uma listinha, desde o menininho da festa junina da escolinha. Refaz velhas perguntas, “será que se eu tivesse feito tal coisa seria diferente?”, “será que se eu não tivesse feito seria?”, “será que fiz tudo que pude?”, “será que eu estou fazendo a coisa certa?”. Suas palavras se perdem na brisa do cair da tarde e suas dúvidas na única certeza de que tem: talvez nunca tenha respostas. Muda o foco, lembra dos olhos verdes clarinhos do avô, que a diabetes escureceu, do abraço forte do outro, que ainda pode sentir. Da avó que completou 80 anos cheia de energia, mesmo fumando feito a chaminé do trem e da outra, que vive procurando novas doenças e remédios para ter um pouco mais de atenção, e que, baixinha, cabe embaixo do braço dela. Percebe que os exemplos são doces e que, polindo cada parte do que tem, poderá ficar velha com dignidade. Na Maria Fumaça, reviveu seu passado, analisou seu presente e decidiu seu futuro. Os medos voaram pra traz da locomotiva, que apitou só quando chegou na estação.
certezas e incerteza
- Vou rir demais quando for tomar banho en el baño compartido do primeiro hostel que eu for ficar mês que vem, pois vou lembrar da cara de nojo da minha irmã, dizendo "vamos levar só sabonete líquido";
- Vou rir pra sempre, toda vez que lembrar da amiga trêbada, chacoalhando uma caixa de presente enorme e gritando "é um cinzeiro!";
- Meus olhos vão brilhar cada vez que meu coração me apontar alguém interessante;
- Meus olhos vão brilhar cada vez que eu lembrar de todas as lendas e contos de fada que já vivi, sendo princesa, bruxa ou gata borralheira;
- Vou gaguejar cada vez que mentir pra minha mãe e praguejar pessoas que tratam as outras mal ou chutam o cachorro;
- Vou chorar um choro de sorrisos quando for abraçar a Vivi de noiva, no próximo dia 15, exatamente o mesmo de quando abracei a Ju, em 30 de julho;
- Vou chorar um choro morno e feliz quando conhecer a Torre Eifel, exatamente o mesmo da minha primeira aula no laboratório fotográfico em 2000, quando a imagem começou a aparecer, "do nada", bem nos meus olhos (por dentro e por fora).
...o resto, só Deus sabe.
Como é que é que ele disse mesmo? "Navegar é preciso, viver não é preciso". Isso, foi isso mesmo.
- Vou rir pra sempre, toda vez que lembrar da amiga trêbada, chacoalhando uma caixa de presente enorme e gritando "é um cinzeiro!";
- Meus olhos vão brilhar cada vez que meu coração me apontar alguém interessante;
- Meus olhos vão brilhar cada vez que eu lembrar de todas as lendas e contos de fada que já vivi, sendo princesa, bruxa ou gata borralheira;
- Vou gaguejar cada vez que mentir pra minha mãe e praguejar pessoas que tratam as outras mal ou chutam o cachorro;
- Vou chorar um choro de sorrisos quando for abraçar a Vivi de noiva, no próximo dia 15, exatamente o mesmo de quando abracei a Ju, em 30 de julho;
- Vou chorar um choro morno e feliz quando conhecer a Torre Eifel, exatamente o mesmo da minha primeira aula no laboratório fotográfico em 2000, quando a imagem começou a aparecer, "do nada", bem nos meus olhos (por dentro e por fora).
...o resto, só Deus sabe.
Como é que é que ele disse mesmo? "Navegar é preciso, viver não é preciso". Isso, foi isso mesmo.
27.11.07
quando a moça desidratada saiu correndo e voltou

Não teve dúvida. Saiu correndo sem nem bater a porta, largou aberta. Enquanto corria, lembrou do filme “Corra, Lola, corra”, mas sabia que não dava para ficar indo e voltando a cena. Só parou de correr quando torceu o pé várias quadras pra frente. Por sorte, o bairro tímido tinha muitas casas e algumas ofereciam degraus para a calçada. Sentou. Tirou o tênis e percebeu o pé inchando. A dor da torção era bem menor que a de seu coração oprimido. Ele tinha sido torcido e retorcido por meses a fio e já nem tinha mais a forma de uma mão com os dedos presos na palma, estava meio disforme, meio mulambento. Começou a chorar, mas sabia que não ia lavar a alma como acontece nos filmes. Sabia que o chorar descontrolado era apenas um desabafo à galope, um alívio morno. Efeito placebo. Mesmo assim não conseguia controlar o fluxo das lágrimas que rolavam sem vergonha de estar à céu aberto e que saiam dos olhos deixando a cabeça mais oca e propícia a uma bela dor de cabeça.
Chorou até a dor do pé e do coração parecerem pequenas. Até todas as dores acumuladas parecerem se esconder por detrás dos olhos mareados, cujas pupilas nadavam sem rumo num mar finito, mas fundo e revolto demais. Quando as pálpebras se cansaram de ficar apertadas demais, ergueu a cabeça (que já comportava um turbilhão de alfinetes que se movimentavam em ritmo acelerado), e decidiu limpar o rosto. As lágrimas haviam descido queixo abaixo e molhado todo seu colo. O gosto estava vívido nos lábios. Lembrou que quando era criança percebeu que “lágrima é igual a soro caseiro”, mas o resultado não era o mesmo, a lágrima não recompunha, não acabava com a desidratação daquele corpo maltratado pela falta de doses líquidas de carinho. Cansada, olhou pra rua vazia e acompanhou os poucos carros que passaram por ela, sem sentir sua permanência triste naqueles degraus. Levantou, saiu mancando. Teria que caminhar bastante e o tênis não cabia no pé. Foi descalça sentindo o asfalto quente. Tinha deixado a porta aberta e precisava fechar.
...
Do elevador, ouviu a música vindo do apê...
26.11.07
quando a menininha percebeu que não era tão pequena

Era uma vez uma menininha bem pequena. Ela era minúscula. Um dia ela abriu os olhos e viu o mundo diferente. Conheceu os passarinhos, as borboletas, os pernilongos, as formigas, as pulgas, e viu que era enorme. Um dia a menininha bem pequena percebeu que não é preciso usar salto pra ser grande e nem subir no alto de um prédio e gritar. Para quem está no chão, o tamanho das pessoas que pulam de pára-quedas é o mesmo. Na imensidão do céu, são todas fadas Sininho sem a mesma graça da personagem da história, mas livres e apenas com a força da gravidade nas costas.
(imagem ''Pulga'', de www.weno.com.br)
24.11.07
O dono do sorriso monaliso
Não ouve bem
(repete propostas indecorosas mesmo depois de nãos consecutivos)
O olfato não é aquelas coisas
Em conseqüência o paladar vai mal
Sobrou ser mestre no tato
Já que não vê todas as cores
Mesmo assim
Deu de presente luzes de Natal e de uma cidade inteira
É estratégico,
É terrível,
Mas não deve ser tanto.
(repete propostas indecorosas mesmo depois de nãos consecutivos)
O olfato não é aquelas coisas
Em conseqüência o paladar vai mal
Sobrou ser mestre no tato
Já que não vê todas as cores
Mesmo assim
Deu de presente luzes de Natal e de uma cidade inteira
É estratégico,
É terrível,
Mas não deve ser tanto.
22.11.07
!!SEXTA!!
21.11.07
fica sempre um pouco de perfume
Adora dar presente. Quando conhece alguém legal e divide alguma intimidade, dá um jeitinho de presentear. Nada caro, não é esse o ponto. É a lembrança, a demonstração de afeto; um sorriso carinhoso em forma de pacotinho embrulhado. Pode ser um bombom, um lápis, um bloquinho, uma pedra do lugar X, uma cocha da praia Y, uma bolacha de cerveja do bar Z. Pode ser também um verso. Quando está com alguém então, apaixonada, a vontade de comprar coisinhas sem muito sentido racional aumenta e dinheiro de pinga vira poesia. Em datas comemorativas a mania piora, beira a doença, um fascínio, quase fixação. Também gosta de ganhar (Freud diria que é projeção) esses pequenos presentes. Lembra de cinco que recebeu na mesma linha: um peso de papel cafona, uma cestinha de vime com três cachorrinhos de resina quase ridículos, um porta-caneta escrito “Feliz Aniversário”, num mês distante do dela, uma camiseta que levou dias para ter bordado um coração nas cores do Brasil e uma violeta de plástico. Quando pensa nisso se enche de alegria. Para ser feliz, basta uma fita escolhida a dedo, mesmo que não envolva nenhum pacote. De preferência, de surpresa, num dia qualquer.
20.11.07
Um Rodrigo qualquer
Era uma vez um Rodrigo como todos os outros. Como todos os outros, era safado, bonitão, tinha um certo charme, e gastava dinheiro à rodo. Não, não era fútil. Ele não gostava de economias, só isso. Ganhava bem, ia viajar direto e tinha amigas e amantes por todos os lados. Também tinha muitos amigos. Amigos de bar, de balada, de trabalho, da academia, da ong que freqüentava voluntariamente para agradar a vizinha-avião. Não sabia ir ao cinema e ficar de mãos dadas, mas era mestre em dançar forró e dar amassos em cantos retirados. Era um Rodrigo, como já dito.
Um dia o Rodrigo descontrolou e engordou no mesmo período em que bateu o carro, ficou à pé e o barbeador pifou. Desacostumado com o peso, não conseguiu mais praticar esportes. Tentou, ele tentou. Mas, seilá o motivo, não emagrecia. O carro ficou dois meses na oficina e a barba cresceu até ficar como a do Tom Hanks, em O Náufrago. O sonho de viver sob uma redoma de vidro, como naqueles filmes futuristas, numa praia particular jogando vôlei com os melhores amigos e as meninas mais gostosas do mundo ia por água abaixo. Não conseguia mais imaginar, não conseguia sonhar, não conseguia se olhar no espelho.
Aí, o Rodrigo como todos os Rodrigos fez algo diferente e chorou. Lavou a alma, mas não se conformou. Arregaçou as mangas e saiu por aí correndo. Dizem que o Forest Gump é inspiração. Dizem que agora consola as mais feias. Dizem que virou lenda urbana. Dizem que mora no prédio ao lado. Dizem que encontrou um emprego pífio e conserta relógios de ponto de empresas falidas. Dizem que fez lipo e virou o Gianecchini. Dizem que é piada, e é o Maradona. Dizem que nunca existiu.
Um dia o Rodrigo descontrolou e engordou no mesmo período em que bateu o carro, ficou à pé e o barbeador pifou. Desacostumado com o peso, não conseguiu mais praticar esportes. Tentou, ele tentou. Mas, seilá o motivo, não emagrecia. O carro ficou dois meses na oficina e a barba cresceu até ficar como a do Tom Hanks, em O Náufrago. O sonho de viver sob uma redoma de vidro, como naqueles filmes futuristas, numa praia particular jogando vôlei com os melhores amigos e as meninas mais gostosas do mundo ia por água abaixo. Não conseguia mais imaginar, não conseguia sonhar, não conseguia se olhar no espelho.
Aí, o Rodrigo como todos os Rodrigos fez algo diferente e chorou. Lavou a alma, mas não se conformou. Arregaçou as mangas e saiu por aí correndo. Dizem que o Forest Gump é inspiração. Dizem que agora consola as mais feias. Dizem que virou lenda urbana. Dizem que mora no prédio ao lado. Dizem que encontrou um emprego pífio e conserta relógios de ponto de empresas falidas. Dizem que fez lipo e virou o Gianecchini. Dizem que é piada, e é o Maradona. Dizem que nunca existiu.
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