13.2.13

Coração de papelão no varal



Naquele dia ela lavou seu coração de papelão e o pendurou no varal, para secar. O céu estava azul e as ondas vibrantes de amor vindas de tantos lugares do mundo e de tantas dimensões paralelas perdidas entre o céu e a terra pareciam pairar sobre o varal. A brisa suave era quente, como maresia, e o coração de papelão deixava a umidade para tornar-se duro e seco. Que controverso para um coração! Mas era só assim que ele conseguia manter-se literalmente firme. Estava aprendendo a ser meio termo, por necessidade, mas o que gostava e sabia mesmo era ser flexível, derretido. Gostava de desfazer-se e fazer-se de novo. Gostava de virar escultura em papel marché. Pendurado no varal, o coração de papelão se preparava para passar mais um Valentine´s Day em perfeita elegância, sem desmerecer outros corações mais duros ou invejar os mais afortunados.

4 comentários:

Anônimo disse...
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Thais França disse...
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Anônimo disse...
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Craig Peter disse...

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