20.10.09

A explicação (mirabolante)

Depois dos conturbados e revolucionários anos 70, com crises de petróleo, nascimento de movimentos ambientais e muito sexo, drogas e rock’roll, o mundo deu “feliz ano novo” e foi virado mais um ano no calendário: 1980. Para comemorar o fim daqueles tempos cheios de dor de cabeça, Deus se divertiu e criou várias coisas e pessoas especiais, uma delas foi a Thais França em outubro daquele ano. E Ele na sua infinita bondade, a criou e disse: “Serás muito feliz!”. E foi criando mais gente e mais coisas legais.

O ano foi recheado de novidades e Deus sabia que a década seria marcada pelo fim da indústria e começo da tecnologia da informação. Bill Gates já estava com os neurônios à toda e havia mais um trilhão de novidades por vir. Porém muitas coisas estavam fora do lugar e mesmo sendo onipresente e onisciente Deus precisou parar, descer e, de longe observar a Terra.

O senso comum da população mundial estava mudando, os mais tradicionais diziam que a inversão de valores estava em seu auge e 50 e poucos anos após duas guerras mundiais não eram suficientes para uma renovação da população, principalmente masculina, morta em batalhas. Fonte de sabedoria plena, Deus diagnosticou: “Nossa! Tem muita mulher na Terra! Preciso dar um jeito nisso, a Terra é azul e não rosa...”.

De fato, por causa do livre arbítrio dado à humanidade ou por simples descuido estatístico do céu, as meninas nascidas em 1980 e 1981 não tinham ainda uma alma gêmea. Aquela música “nossos destinos foram traçados na maternidade” não fazia nenhum sentido.



E isso deixava os anjos cupidos malucos, porque eles não gostavam de arriscar, preferiam dar fechadas certeiras a fim de garantir a felicidade mundial no quesito relacionamento afetivo, afinal, o maior índice de suicídio é por falta de um amor correspondido. Perto de uma iminente reivindicação dos anjos cupidos por instrumentos bases de trabalho para Deus, Ele resolveu agir de forma tática. E ainda tinha um agravante que O impulsionou a fazer algo certeiro: não podia deixar meninas como Thais França sem parzinho.

E foi então que Deus arquitetou uma força tarefa. Convocou os anjos mais velozes, mais dedicados e mais inteligentes e em pouco tempo tinha o resultado de um grande senso com informações colhidas em todas as regiões, até as mais longínquas da Terra. Para surpresa de todos, o Brasil era o país mais desequilibrado (coisa de meia dúzia de mulher para cada homem). Foi então que Deus cumpriu o segundo passo da estratégia: contratou milhares de cegonhas e mandou alguns milhares de homens para cá.



Mas não fez aleatoriamente. Para isso, checou o perfil das famílias brasileiras e encontrou jovens casais que queriam um bebê e tratou de enviar meninos gêmeos e até trigêmeos para eles; encontrou também famílias pequenas e já mandou um menininho. Mas ainda não estava ok. Ainda era preciso enviar mais homens para a Terra (e as cegonhas já estavam contratadas e pagas). Aí, Deus, em sua infinita esperteza procurou famílias já concretizadas, muitas já com muitas filhas e nenhum menino, outras com cinco meninas e um menino e fez uma seleção. Escolheu as que poderiam criar mais uma pessoa com amor e mandou um menininho para elas.

Uma delas, em especial, era de Brasília, DF. O casal já tinha o filho mais novo, irmão de cinco mulheres, com seus dez anos de idade. E era praticamente um anjo. Aí Deus soprou paciência e uma dose a mais de amor a eles e mandou um menino. Aquela família estava apta a lhe dar tudo o que precisasse, em especial um caráter reto. E quando as cegonhas terminaram seu trabalho, Deus disse aos anjos cupidos: “Vão e façam seu trabalho! Marquem o destino afetivo das menininhas nascidas em 1980 e 1981 que estão sem parzinho” – e fez uma restrição: “mas, por favor, peço que, em meu nome, Thais França tenha como par correspondente o Luís de Miranda, que acaba de chegar lá naquela família de Brasília.”

Os anjos cupidos responsáveis pelo estado de São Paulo e Distrito Federal, que estavam achando tudo fácil, puseram a mão na cabeça. “Mas Deus, com todo respeito, eles estão muito longe! Estamos com essa tarefa para ser feita às pressas, não podemos colocar para ela um outro alguém?”. E Deus ordenou: “Anjos preguiçosos, façam o que estou mandando!”. E os pobres passaram três dias planejando como seria o destino e o encontro de todos os outros meninos e meninas e três anos como seria o deles. E, com tanto tempo de estratégia, tudo saiu perfeito e escreveram nas estrelas. Assim, depois de muitos amores desencontrados, Thais e Luís se esbarraram. Agora, acredita-se que serão felizes para sempre. Faz um mês, mas eles sentem que faz mais de 27 anos.

15.10.09

Tum-tum

Vem aqui, deixa eu ouvir seu coração
Quero acertar as batidas do meu no seu
Quero calcular com quantos bits por minuto você vive
Quero fechar os olhos e me perder na conta, quero não ter que contar nada mais

Quero contar tudo para você
Quero contar segredos
Quero contar historias
Quero planejar castelos e derrubar tudo para no lugar erguermos uma casinha de sapê

Vem aqui, deixa eu ouvir seu coração
Vou respirar bem devagar e expirar contigo
Vou beijar seu peito com carinho e admirar você
Vou contar todas as suas pintas e começar tudo de novo, quero contar sempre e mais

Vou querer ouvir tudo o que pensa
Vou querer ler seus pensamentos
Vou querer que me conte historias pra viver e pra dormir
Vou querer apostar promessas valendo uma coca-cola para serem quebradas e substituirmos por juras de coração.

delicias

Um presente bem grande para uma criança bem pequena e bem pobre
Uma rifa de quermesse premiada com o nome “Josileusa”
Uma rosa selvagem no meio do acostamento daquela estrada movimentada
Um mês de lavagem grátis do nada, quando abasteço no mesmo posto de sempre
Um velhinho do asilo feliz no dia dos pais
Uma visita de amigos inesperada naquela hora que você se sente só no mundo
Uma cesta de doces da vó, no dia em que acabaram todos os chocolates da despensa
Um Plantão do JN com Bonner e Fátima dizendo que o Brasil é líder no desenvolvimento social seguido da Paula Padrão dizendo que todas as bombas nucleares foram desmaterializadas do nada
Bombons, sorvetes e camas quentihas emagrecedoras
Um copo de água gelada depois de correr 20 minutos atrás do ultimo ônibus
Um abraço de uma criancinha cheirosa sem pedir
Sua mãe feliz dizendo que ganhará R$ 5mil para ficar em casa descansando e fazendo quitutes pro café da tarde
Uma festa de aniversário surpresa com amigos de todas as épocas sorrindo pra você
Férias remuneradas de dois meses após trabalho nos fins de semana e descanso nos chamados dias úteis :)
Tudo isso seria muito bom, mas real e tão bom só minha vida depois da Elissa ficar 20 minutos na fila do banheiro da Cachaçaria.

(sou brasileira, não desisto nunca)

Quando penso em você muda o dia. O céu nublado ganha sol e as flores murchas se abrem coloridas todas! Pensei um pouco se era certo te querer, mas não tive resposta, porque não se trata de ser certo ou errado, mas se você é digno ou não do meu amor (já tão grande) por você. Pois é, vai saber... é que quando encosto no teu peito tudo se confunde e eu fico boba, meio semidebilmental. Vamos então soltar o varal de cordinhas sem nós intermediários. Vamos descer a ladeira de carrinho de rolimã sem freio. Vambora, como você diria, vamos parar de babis-blow. Que onda, gatão! É isso aí, velho. Sem medo. O que sinto é massa, é cabuloso. Conto alguns detalhes só pros brothers, o resto é segredo nosso. Baccios. E vem logo me ver.

2.10.09

Todos nascemos para fecundar


Plantar uma semente, plantar uma muda, plantar uma árvore. Plantar pequenas e grandes idéias, plantar gestos de bondade, de solidariedade. Plantar o presente e o futuro. Plantar sentimentos, plantar o bem. Já fez sua parte?

29.9.09

o nome dele

Eu vi cinco estrelas cadentes com ele. Só com ele. E foi só com ele que eu comprei lasanha congelada e não comi. Também foi com ele que eu travei, travei total. E eu estava lá, com ele, quando nem percebi que estaria lá de novo, e de novo, e espero que mais. Quando as luzes se apagaram e se acenderam de novo, adivinha quem estava comigo? E adivinha só... os olhos dele brilham e ele tem tiques estranhos e ele tem mãos grossas, e usa jeans e camiseta branca e tem as costas do jeito que eu gosto. E quer saber, ele se chama Luís.

23.9.09


Maria-sem-vergonha corre atrás do homem que quer
Maria-sem-vergonha dorme querendo ser acordada de madrugada com ligações e sms
Maria-sem-vergonha sou eu, é você, é toda aquela que sonha com
Brilho nos olhos
Alma voadora
Saia curta, decote e perfume forte
(nem todos de uma vez só)

Maria-sem-vergonha é antiga e é moderna
Maria-sem-vergonha lava, passa cozinha e quer ter aula de striptease
Maria-sem-vergonha somos nós todas que queremos
Fins de semanas infinitos
Cinema com pipoca
Barba mal feita, abraço espremido e sussurro no ouvido
(nem todos de uma vez só)

Vai Maria-sem-vergonha, corre, estica, puxa, dá uma cambalhota e seja mais feliz!

Criancice

“Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura”.
(Martha Medeiros)

“Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”. (Platão)



“Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos”. (Isaac Newton)

“As mulheres permanecem sempre crianças que vivem à espera de algo”. (Oscar Wilde)

“Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Mas nem todas as respostas cabem num adulto”. (Arnaldo Antunes)

21.9.09

Pode ser...

É estranho e arriscado dizer, mas outro dia o descrevi em um papel. Um papel não, uma lista ordenada em um papel. Uma lista ordenada e desacreditada em um papel. Uma lista pra Deus, uma lista que parecia de supermercado, mas impossível de se encontrar o que ali está descrito em qualquer esquina, ou mesmo na esquina mais famosa e glamourosa da Champs-Élysées, por exemplo.

É estranho, é arriscado dizer, mas digo que outro dia o descrevi em um papel porque é a primeira vez que encontro minha lista andando, comendo, falando, sorrindo e piscando os olhos com força. (É bem possível que este seja mais um texto romântico e se esvaia pela rede em algum tempo, transformando as palavras, linhas e parágrafos em pixels sem sentido, mas pode ser que não.) Pode ser que realmente minha lista ordenada e desacreditada tenha tomado vida e esteja respirando perto de mim. Se isso for verdade eu entenderei várias coisas sem sentido e, enfim, conseguirei tomar coragem para voar. Se isso acontecer, passarei a acreditar em cachorros falantes, casas voadoras e promessas de coração.

10.9.09

Pedra Grande

O caminho foi todo uma delícia, mas quando chegamos no topo a sensação foi de profunda admiração por toda aquela visão, que queria alcançar além do que os olhos viam. Uma paz incrível tomou conta de cada uma de nós e nossos pulmões se inflaram com liberdade. Depois de curtir um silêncio cheio de conteúdo e pensamentos maravilhados, caminhamos, corremos, escalamos, cantamos, gritamos. O vento brincou e levou pra longe o stress e o cansaço, o sol derreteu todos os maus pensamentos.

Eu, que já me senti como peixe, agora vou realmente voar. E lá vi três tipos de vôo. Um de asa delta, outro de parapente, e um rodopio apaixonado de um casal. Quero experimentar todos eles.

7.9.09

7 do 9



E não é que eu chorei com o hino!
Brasil, te amo!

3.9.09

En el muelle de San Blás

A primeira vez que ouvi esta música e a traduzi, achei fantástica. E continuo achando. Você que está lendo, provavelmente não vai entender, vai achar exagero. É que eu sinto ela fazer o sangue circular mais triste e ao mesmo tempo mais firme nas veias. Adoro palavas fortes... e ela traz algumas bem colocadas, dispostas, em posição perfeita. O shuffle a sorteou aqui no meu Media Player agora e, sem brincadeira, fazia uns 5 anos que não a ouvia. Foi bom.

A edição desse cara ficou legal.

2.9.09

Vitória-régia


Queria ter o final da tarde de hoje livre para mim. Para eu tirar os sapatos e andar descalça, sentindo a areia no meio dos dedos e as pedrinhas na curva dos pés. Se eu tivesse o fim da tarde todo para mim, poderia ter ido procurar uma vitória-régia e me sentado perto dela, para ficar aguardando em silêncio o desabrochar de uma flor. Nessa deliciosa espera, eu contemplaria o sol se pondo, agradeceria os momentos bons do dia e, quem sabe, colocaria os pés na água. Sem saber se era o primeiro ou o segundo dia de vida da flor, faria um jogo no qual ela me responderia se você é ou não uma pessoa especial. Se sim, a flor seria branca, se não, rosada. E eu esperaria os poucos minutos ansiosa, com a recompensa de que - de qualquer forma - sentiria um suave perfume adocicado no ar. De quebra, ainda veria a lua brilhante no céu.


(Hoje me apaixonei pela vitória-régia e descobri que ela pode chegar a até 2m de diâmetro; que sua folha adulta pode agüentar até 40kg sobre ela e que suas flores mudam de cor, de acordo com o primeiro e segundo desabrochar. Não é a toa que uma das lendas folclóricas mais bonitas é a dessa bela planta aquática amazônica.)

31.8.09

O marinheiro


Não tinha o hábito de usar despertador, pois acordar cedo era uma rotina de sempre. Levantava-se antes do sol e todos os dias o via subir por detrás do mar. Os primeiros raios da manhã davam a impressão de o mar estar alaranjado e cristalizado. Aquele mar calmo e seguro, que há tantos anos o abrigava.

Era um velho marinheiro da marinha mercante, conhecia vários barcos e navios de carga, e por isso também vários países, vários lugares. É claro que preferia o convés à casa de máquinas e como já estava com a idade avançada tinha um certo privilégio de livre arbítrio. Já não obedecia a regras, fazia o que tinha vontade. Era praticamente um passageiro-morador daquela embarcação e se orgulhava em ter conquistado esse status à base de muito trabalho, coleguismo e respeito.

À noite, contava histórias e estórias aos novatos e dizia que cada estrela era uma mulher que olhava pelos homens do alto, pois não os podiam ter. Como era injusto tanta mulher no céu e a ausência delas consentida no mar! Era verdade que nunca havia se casado, mas mentira dizer que não tinha vivido grandes amores. Pros mais chegados, contava suas aventuras, encantos e desencantos.

E como ia dizendo antes, cada novo dia parecia o mesmo. Levantava da cama, lavava o rosto, escovava os dentes, bebia o que tivesse e comia uma fatia de pão de forma com manteiga de garrafa. Uma vez por semana dava para comprar frutas e o desjejum era, portanto, mais saboroso. Mas no dia-a-dia era só isso mesmo: pão de forma com manteiga de garrafa e um pingado ou café preto, ou chá mate. Pegava a caneca e, no convés, via a lua dar lugar ao sol, e admirava o alaranjado no mar.

Um dia, quando a embarcação aportou logo cedo, resolveu dar uma caminhada. Era grande a carga que seria deixada no porto e a tripulação garantiu que em menos de cinco horas não terminariam o trabalho. Calçou o par de sapatos, desceu do barco e escolheu aleatoriamente o rumo. Seguiu pela direita, à beira mar e foi reparando em tudo que sua visão e mente podiam captar. Um casal de jovens namorados trocavam carinhos em frente a uma lanchonete, uma senhor de meia idade comprava jornal em uma banca cheia de penduricalhos, um moço triste caminhava ao lado de um cachorro sujo e magro. Passou também por um grupo de amigas alegres que tinham cestos de roupas nas mãos e por guardas que faziam ronda no local.

Já a uns quilômetros do barco viu um banco de madeira próximo a uma saída para a praia. Sentou ali e ficou admirando a paisagem. Um vento fresco bateu em seu chapéu e quase o fez voar. Nessa hora, um vendedor de doces sentou ao seu lado e perguntou: “Nunca o vi por aqui, está a passeio?”. O velho marinheiro respondeu que vivia no mar e apontou ao longe a embarcação, “Está vendo aquele barco grande, com alguns homens trabalhando? É minha casa”.

Conversaram sobre coisas bobas e o vendedor se foi. O velho sorriu e agradeceu a prosa. Mal estava sozinho, sentiu um calafrio e uma linda gaivota passou em sua frente e voou como que em direção do sol. Seus olhos brilharam como o alaranjado das manhãs do mar e se fecharam com delicadeza. Quando os abriu de novo, sobrevoava o mar.


(Imagem do banco SXC)

30.8.09

Valores...


Quanto custa um cachorro quente, quanto custa uma TV de LCD, quanto custa um carro, quanto custa?

Tudo tem um preço, mas nem tudo tem valor. O cachorro quente depois de um dia todo sem comer nada, uma TV de LCD comprada com a vaquinha de um grupo de amigos pra dar de presente de casamento, um carro quitado com várias prestações que apertavam meses o orçamento, isso sim tem valor.

Tem mais valor a carta que o selo, o papel e o envelope. Tem mais valor a bandeja de decoupage feita com carinho que os whiskys Blue Label sobre ela. Tem mais valor o som doce da voz da mãe à distância, que o celular com Bluetooth. Tem muito mais valor as cenas fotografadas e as viagens compartilhadas com amigos que a máquina fotográfica e as passagens aéreas.

Viver é um ato com preço inestimável, mas só consegue desfrutar com sabedoria aquele dá valor para às devidas coisas, que são, claro, as que ficam nas entrelinhas, escondidinhas, aquelas que dificilmente você vê explícitas mais de uma ou duas vezes por dia. E como o valor das coisas depende dos olhos de quem as vê, é aí que mora o perigo...

Deus pôs a gente na Terra e nos deu uma placa de “Atenção”, mas não explicou direitinho com o quê se deve temer. Eu acho que são com os falsos valores. Eles deturpam o que vemos, nos fazem ouvir os que não valem a pena, nos deleitamos com sabores errados, confundimos cheiros desagradáveis com boas fragrâncias, tocamos o que não devemos ou o que não é nosso. Valores errados estragam os sentidos, e o sentido de todas as coisas.

...E viver tem que ter sentido e tem que ser intensamente de verdade. Penso assim porque quando eu morrer eu quero chegar lá sorrindo.

23.8.09

Ontem

Areia no chão, estrelas no céu, cerveja na mesa, lustres de cabaça, bom som, bom papo, boa companhia, bom cheiro, gente dançando, lei antifumo (oba!), arandelas de barro, meia-luz, frio, aquecedor, riso, silêncio, beijo, abraço, amasso. Amasso o recibo do pedágio, estrada, tchau Fer, sono, bom dia. Fim.

Sobre a condenação das boazinhas

Isto não é um post, é um conselho precioso. Se não quiser pagar R$ 50 por ele, não leia.

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Não importa se você é inteligente e não é trouxa, se você for boazinha, você vai se %$#@%$. Não importa que seja intensa, picante, talvez um pouco sarcástica ou se ache perspicaz: se você for boazinha, você está condenada. Então, em doses homeopáticas vá à farmácia mais próxima e compre um placebo qualquer, só pra fingir que não é mais romântica, que não acredita em ninguém, que não chora em comédias românticas onde as boazinhas, que se %$#@%$ o filme inteiro, acabam felizes. E é como eu já disse outro dia... fingindo que não é boazinha, uma hora você acaba acreditando. Veja bem, vai dar tudo certo. E pára de querer achar o cara certo, vai ver o certo é o errado! E se um bonzinho aparecer não se iluda. Eles existem tanto quanto duendes e coelhinhos da Páscoa. (E agora entendi porque ainda não saí da comunidade “Eu acredito em Papai Noel”. Vou aumentar a minha dose de placebo)

Vasculhando...

Vasculhando meu note achei coisas que até Deus duvida! Músicas, textos, e-mails e fotos, muitas fotos, na minha pasta “800mil_imagens”. Isso porque eu estou para receber cerca de 1,5 ano de fotos em um DVD. Meu Deus! Quantas histórias e quantas estórias pelo caminho. A serenata que sempre quis e nunca ganhei, a serenata que quase deu certo, as flores que recebi, declarações em diversos lugares lindos e outros nem tanto. Os amores que vivi, separados por subpastas. Os amigos que estão por perto, os que estão longe, os que ficaram pra trás. Festas absurdas, baladas péssimas, rs, outras ótimas, churrascos inesquecíveis, viagens idem. Os locais que visitei, bares onde bebi, casa da avó, de amigos, ruas de sempre e de nunca mais (talvez). Muitas pessoas e muitas fases. E eu meio menina, meio mulher. Ufa! Como é bom viver.

Intensidade

Porque beijar não se faz apenas com lábios e língua, mas com mãos e braços e pernas e mais. E beijo que é bom tem gosto de boca.

22.8.09


Não é uma garota da praia, não mesmo, mas gostaria de ser. Menina do rio, só se fosse o de Janeiro, pois pés em lodo de rio, só de tênis. E ela já fez isso algumas vezes sem pudor. Adora ficar descalça, mas os meses frios não permitem, assim como o cenário cotidiano: ruas de asfalto, calçadas íngremes, trabalho que exige salto. Por isso, quando pode, mesmo que o vento bata gelado no corpo, ela mergulha os pés numa piscina qualquer e imagina uma paisagem viva e verde, com os bons amigos em volta e nada de preocupação pesando nas costas, na cabeça ou na alma.


(Renata, que saudade da sua casa! Que saudade de vc!)