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20.9.13

Mergulhar








Tem dias que a gente se bloqueia. Bloqueia pensamentos, bloqueia ações, bloqueia até vontades. Somos maus com a gente mesmos. Decidi há tempos nunca mais fazer isso comigo mesma, mas (sempre) às vezes dá merda. Pior é que dou o poder a pessoas fazerem isso comigo. Sempre caio nessa. Semana retrasada, por exemplo, queria muito ter visto a corrida. Sabia que ia sobrar pro Vettel, mas queria ver o Alonso com a taça, achei que daria. Mal vi, estava bloqueada, não foquei. Semana passada, outro exemplo, me programei para arquitetar o projeto de um livro, algo que sonho há um bom tempo e sei que não é tão difícil assim realizar. Bloqueei, deixei de novo para depois. Ontem, mais um exemplo, me programei para fazer uma série de coisas para mim, mas me desorganizei e não fiz nada. Puro autoboicote em função de um bloqueio por medo do fracasso. 

Para quem está decidida a não permitir mais que isso aconteça, três exemplos em poucas linhas é muito. Às vezes detesto fazer terapia e entender essa coisa toda. Vou me dedicar mais a momentos relaxantes, como tomar sorvete, andar de bicicleta e ir urgente para a praia, só para conversar com o mar e ele levar minhas preocupações pro fundão. Lá ouso ir, e sempre volto mais leve. Preciso urgentemente mergulhar. E vou. Lá tudo é brilhante e cheio de surpresas: adoro!

6.4.09

voar ou ser invisível?

Quero voar e quero poder me desgarrar e ir até aonde o sol me queimar mais forte. Quero subir e sentir o vento passar por baixo de mim. Quero acelerar e atravessar a atmosfera para ver o que tem depois dela. Quero ver um arco-íris de cima e quero ver o mundo no formato que a gente estuda no globo. Quero voar. Mas, às vezes, preferia ser invisível. Nessas horas, eu teria desejos mais humildes que os de voar. Eu simplesmente iria a lugares onde conversas são proibidas e ficaria no meio, ouvindo tudo. Também entraria na casa de desconhecidos para bisbilhotar o que guardam no armarinho do banheiro, coisas assim. Entraria numa loja de perfumes, maquiagens e demais coisinhas femininas e roubaria as mais gostosas. Sairia rindo por ser uma ladra fora do comum e imune às leis dos seres humanos visíveis e palpáveis. Dirigiria em plena luz do dia e faria questão de parar em semáforos e buzinar, para chamar atenção e as pessoas se assustarem. Trocaria as coisas de todos os lugares de lugar. Ia numa praia de nudismo. Iria a todas as sessões de cinema possíveis sem pagar. Iria a shows e ficaria no palco, sentindo a vibração do som no meu corpo invisível. Caminharia pela Paulista sem medo em plena madrugada. Dormiria no meio do mato, sem me preocupar com insetos. E antes de voltar ao normal, acabava com as Nhá Bentas e com os bombons de cereja da Kopenhagen mais próxima.

25.3.09

Workaholic

Tem dia que a dor nas costas é pior e tem dia que lembro que existia uma tal de LER. Tem dia que reparo que a cadeira está mais alta do que deveria, e que a posição do monitor não atende às normas. Tem dia que o sol se põe e a lua me observa ao longe, tímida, no quadrado da janela do escritório. Geralmente nesses dias, quando vou embora antes das 21h30, acho incrível! Uma conquista. Nesses dias penso: “queria correr, queria fazer academia, queria ver mais tv, queria ir ao shopping em plena segunda-feira, queria...”. Mas aí, ao desligar o computador, apagar a luz e por o celular no bolso... me dá uma saudade do expediente!

E eu pensei nessa música para acompanhar. Não sei por quê. Ela combina muito mais com o final de semana... (que, juro, não vejo a hora de chegar)

27.11.08

pensando...

Vi num blog muito sensível a seguinte frase em um post:

"Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo."
C. S. Lewis

Claro que isso me fez pensar. E pensar em quantas coisas imbecis acontecem, por não termos foco nisso. Preconceito, amarguras, doenças emocionais, separatismo... talvez o mundo fosse melhor se nossos olhos não nos traissem tanto. Talvez o mal não conseguisse se apoderar de nosso juízo se houvesse mais pureza filtrando nossos olhares.

Uma colega sempre diz que quanto mais conhece os homens, mais gosta dos cães. É justo! O cérebro deles não têm a capacidade de se contaminar com as maldades do mundo. Aí, quem enxergam e farejam são recebidos conforme a essência que possuem. A ingenuidade e inocência dos cães não poluem seus sentidos.

13.11.08

teto de vidro

Antes mesmo de entrar, mas já ao tocar a campanhinha, conseguia sentir a casa da avó. O cheiro de sempre, a claridade de sempre, que em dias de céu aberto, independente da estação do ano, iluminava os móveis da mesma forma, às 10h da manhã. A posição da mesa de jantar, do sofá e dos tantos relógios fora de sincronia, que badalavam “a hora certa”, cada um em um momento, compunham o cenário atemporal. Não fosse a estante nova e alguns badulaques enfeitando as prateleiras, a sala pareceria compor um museu de cera, daqueles bons, que a gente jura que é de verdade.

Entrou, a avó deu-lhe um abraço. Ao contrário da sala, ela era vulnerável. Estava mais magra, mais baixa e mais enrugada que antes, mas continuava idêntica, por contradição. Sentaram no sofá. O crochê de barbante e flores de plástico, que como diz a música “não morrem”, faziam-se confirmação de todo aquele quadro estático e coberto de uma poeira invisível, que só quem tem memórias consegue enxergar.

Tudo estava em perfeita harmonia até que ela passou pelo corredor. Estreito, com cerca de um metro apenas entre uma parede e outra, foi impossível não dar de cara com um quadrinho novo. Emparelhado ao velho retrato dela ao lado do primo e irmã, estava ali um outro, com as mesmas personagens, na mesma posição, mas revelado quase vinte anos depois. Agora jogador de basquete, o primo abraçava as duas moças, bem menores que ele, uma de cada lado.

A foto do quadrinho novo, feita exatamente para estar ali, já tinha dois anos, mas ninguém havia lembrado de ampliar e estava esquecida em um computador. Os sorrisos sinceros não deixavam dúvidas que aquelas crianças e aqueles adultos eram as mesmas pessoas. Para quem via, uma curiosidade e um bom enquadramento, mas para cada um deles, um intervalo de tempo cheio de acontecimentos bons e ruins.

A presença do quadrinho novo abalou as estruturas, como se quebrasse um paradigma. De repente a sala não era mais de cera. De repente os relógios moveram rápido demais os ponteiros. De repente tudo parecia estranho e o garotinho com menos de um metro de altura e as priminhas que o ladeavam com blusas do mesmo tecido e colarzinho de miçanga, tiveram que crescer e soprar a poeira sob aquela mesma luminosidade das 10h da manhã.

10.4.07

Achismos sobre o homem com ácido no metrô de Paris

"Sou a pessoa que procuram". Esta foi a frase confessa de um homem de 28 anos detido pela polícia parisiense nesta terça-feira, 10. O que ele fez? Ele jogou uma mistura química em algumas moças que dividiam o mesmo metrô que ele. O motivo? A matéria ainda não teve suíte e eu não sei.

No texto é relatado que acharam muitas coisas tóxicas no apê dele. Quando foi levado pela polícia, ele tinha o frasco com a mistura escondido em um maço de cigarros. Algumas vítimas, todas foram mulheres, tiveram ferimentos graves.

O que me chamou atenção é que o que talvez ficasse do lado de lá do muro divisor de um fato estranho para uma agressão bárbara atravessou a linha limítrofe. O líquido não iria matá-las – a menos que o homem forçasse a ingestão, o que não foi o caso... Foi preparado, reservado e escondido só para machucar. Para causar dor, para ficar ali incomodando e fazendo arder.

Ache o que quiser sobre mim, mas enquanto eu não ler a suíte e saber os reais motivos de o cara ter feito isso, vou ficar no meu “achismo” de que ele só queria que o veneno que preenchia o apartamento dele fosse conhecido, que a dor que ele sentia fosse provada e que alguém o procurasse e o reconhecesse. “Sou a pessoa que procuram”. Ele só queria ser notado.

Continuando com meus achismos, este pode ser um exemplo absurdo do que uma pessoa carente pode fazer. E vou além no meu "acho que", agora, bem radical: vai ver o cara era tímido (e/ou), retraído (e/ou), tinha vários problemas emocionais, psicológicos e queria mata ou amar mulheres, mas não conseguia.

Freud explica o caso e meus achismos. Pena que não posso falar com ele agora.

Clique aqui e leia a notícia


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Isso não tem nada a ver com o post. Achei este título na mesma lista de notícias da editoria Internacional do Uol e achei bem ruim. Está com link para o texto, caso interesse:
Dois suicidas se matam simultaneamente em Casablanca deixando vários feridos

Ruim mesmo, não?