Enquanto o blog estava em coma, a Vida vivia. Mas de praticante de exercícios leves a Vida passou a triatleta. Está correndo, pedalando, nadando, sempre numa velocidade alta demais. E na correria grava os momentos, tira fotos, manda por e-mail uma newsletter de vez em quando. A Vida bateu recordes de velocidade em pouco tempo e acabou percebendo que as pernas não agüentariam. Foi ao shopping e comprou rodinhas. Já trocou umas seis vezes desde janeiro, quando engrenou nessa rotina sem freios nem pára-choques. A Vida, portanto, está ficando doidinha. Semana passada saiu pulando de pogobol pela rua, pelada, gritando. Nesta segunda-feira pulou do alto de uma sacada, achando que era gato e que cairia sobre as quatro patas. Por sorte voou. A Vida está tão rápida que acelerou pro futuro e conseguiu acertar os movimentos exibidos naquele filme Matrix. A Vida pirou mesmo. Foge de balas, de socos, de enxurradas de línguas maldosas que caem afiadas do céu querendo cortá-la em pedacinhos. E foi assim que desenvolveu nova habilidade: ficar invisível. A Vida está evoluindo absurdo. Ela acaba entrando em crise de nervos quando percebe. É que são movimentos bruscos demais. Contei que ela virou elástica? Pois é, coisa que só Charles Darwin e Einstein juntos poderiam entender e explicar. O mais intrigante é que está cada dia mais doida, mas também cada dia uma doida mais lúcida. É controversa mesmo. Aí, quem explicaria seria Freud. Ou não. Deve estar tomando ginko biloba, guaraná em pó e ginseng. Vive de olhos abertos. Não dorme. Às vezes dá um medo da bichinha! Ela anda com tudo. Voa com tudo. Mergulha 100%. E quando você vira, ela já foi. Ta lá na frente. De cabelo em pé, mas com um lacinho pra enfeitar.
Espaço reaberto pós longo período aposentado. Este é um lugar onde paro para pensar o que vem à mente, sem arredondar. Já foi uma gaveta; já foi um tupperware, daqueles que a gente fecha bem as idéias e põe na geladeira, guardando o que queremos preparar mais para frente. É relevante, tem motivo de estar, mas não está pronto. Superficial. Superfácil, Só prefácio. Superfacial, está na cara, mas só ali (aqui). As vezes, até consigo enxergar a lua pela fresta do telhado.
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30.3.09
13.11.08
teto de vidro
Antes mesmo de entrar, mas já ao tocar a campanhinha, conseguia sentir a casa da avó. O cheiro de sempre, a claridade de sempre, que em dias de céu aberto, independente da estação do ano, iluminava os móveis da mesma forma, às 10h da manhã. A posição da mesa de jantar, do sofá e dos tantos relógios fora de sincronia, que badalavam “a hora certa”, cada um em um momento, compunham o cenário atemporal. Não fosse a estante nova e alguns badulaques enfeitando as prateleiras, a sala pareceria compor um museu de cera, daqueles bons, que a gente jura que é de verdade.
Entrou, a avó deu-lhe um abraço. Ao contrário da sala, ela era vulnerável. Estava mais magra, mais baixa e mais enrugada que antes, mas continuava idêntica, por contradição. Sentaram no sofá. O crochê de barbante e flores de plástico, que como diz a música “não morrem”, faziam-se confirmação de todo aquele quadro estático e coberto de uma poeira invisível, que só quem tem memórias consegue enxergar.
Tudo estava em perfeita harmonia até que ela passou pelo corredor. Estreito, com cerca de um metro apenas entre uma parede e outra, foi impossível não dar de cara com um quadrinho novo. Emparelhado ao velho retrato dela ao lado do primo e irmã, estava ali um outro, com as mesmas personagens, na mesma posição, mas revelado quase vinte anos depois. Agora jogador de basquete, o primo abraçava as duas moças, bem menores que ele, uma de cada lado.
A foto do quadrinho novo, feita exatamente para estar ali, já tinha dois anos, mas ninguém havia lembrado de ampliar e estava esquecida em um computador. Os sorrisos sinceros não deixavam dúvidas que aquelas crianças e aqueles adultos eram as mesmas pessoas. Para quem via, uma curiosidade e um bom enquadramento, mas para cada um deles, um intervalo de tempo cheio de acontecimentos bons e ruins.
A presença do quadrinho novo abalou as estruturas, como se quebrasse um paradigma. De repente a sala não era mais de cera. De repente os relógios moveram rápido demais os ponteiros. De repente tudo parecia estranho e o garotinho com menos de um metro de altura e as priminhas que o ladeavam com blusas do mesmo tecido e colarzinho de miçanga, tiveram que crescer e soprar a poeira sob aquela mesma luminosidade das 10h da manhã.
Entrou, a avó deu-lhe um abraço. Ao contrário da sala, ela era vulnerável. Estava mais magra, mais baixa e mais enrugada que antes, mas continuava idêntica, por contradição. Sentaram no sofá. O crochê de barbante e flores de plástico, que como diz a música “não morrem”, faziam-se confirmação de todo aquele quadro estático e coberto de uma poeira invisível, que só quem tem memórias consegue enxergar.
Tudo estava em perfeita harmonia até que ela passou pelo corredor. Estreito, com cerca de um metro apenas entre uma parede e outra, foi impossível não dar de cara com um quadrinho novo. Emparelhado ao velho retrato dela ao lado do primo e irmã, estava ali um outro, com as mesmas personagens, na mesma posição, mas revelado quase vinte anos depois. Agora jogador de basquete, o primo abraçava as duas moças, bem menores que ele, uma de cada lado.
A foto do quadrinho novo, feita exatamente para estar ali, já tinha dois anos, mas ninguém havia lembrado de ampliar e estava esquecida em um computador. Os sorrisos sinceros não deixavam dúvidas que aquelas crianças e aqueles adultos eram as mesmas pessoas. Para quem via, uma curiosidade e um bom enquadramento, mas para cada um deles, um intervalo de tempo cheio de acontecimentos bons e ruins.
A presença do quadrinho novo abalou as estruturas, como se quebrasse um paradigma. De repente a sala não era mais de cera. De repente os relógios moveram rápido demais os ponteiros. De repente tudo parecia estranho e o garotinho com menos de um metro de altura e as priminhas que o ladeavam com blusas do mesmo tecido e colarzinho de miçanga, tiveram que crescer e soprar a poeira sob aquela mesma luminosidade das 10h da manhã.
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24.9.08
momento chicletinho
Gosto de ouvir músicas de dor de cotovelo e não me encaixar, mas gosto mesmo é de me acomodar em suas notas meio desafinadas e na sua caixa de distorção (é assim que chama aquele tréco cheio de botões?). Gosto de torcer para você ficar mais um pouquinho e dar certo, gosto de ficar presa entre seus caninos. Gosto de ser sua presa, e de te prender também. Gosto do seu sofá vermelho e de colocar meus pés ao lado dos seus na cadeira fora de lugar e de ter medo do suspense à frente ou da sua cabeça baixa no batente da porta. Gosto que você seja assim, grande, pra eu me sentir pequena e sua, gosto de ser cuidada por você. Gosto de lembrar de você e de mim como passado, só pra ficar mais feliz sabendo que é presente. Gosto de você embrulhado ou só numa sacolinha. Gosto de você mesmo num envelope, sem nem etiqueta, sem capa e caixa de DVD. Não preciso ter o gênero, nem a data de gravação, ou a trilha sonora no estojo preto. Eu conheço a história e gosto dela. Gosto de tê-la sempre no play, como a fita "Os Caça Fantasmas", que minha irmã via cinco vezes por dia em 1990 e alguma coisa. Gosto de fazer mil coisas, mas você estar sempre no pensamento. Gosto de você ser parte e não incomodar. Você está em todos os lugares, até aqui.
queria a velocidade da luz nos dias úteis (?)

Trabalho, escrevo, corro pra lá e pra cá, bebo mais água que o usual, arrisco subir uns degraus ao invés do elevador, quero gastar meu tempo, quero que ele acabe, não quero que ele me prenda como cola, como aquela cola de armadilha de rato. Quero ganhar uma corrida que canse o tempo e faça o relógio parecer acelerado, e acabado. Saio, rio, bebo, como, falo com pessoas na mesma língua que eu. Busco palavras diferentes, assuntos diferentes. Quero sucumbir o tempo, quero sentir que ele é menor do que realmente é. Tento enganá-lo e persuadir meu relógio biológico que as horas não são longas demais. Olho pela janela do sétimo andar, viajo nas montanhas que ficam ao fundo da paisagem cheia de ruas e carros em primeiro plano. Quero que o tempo corra como os carros e motos que cortam a frente de ônibus e pedestres no chão. Quero que o tempo seja inversamente proporcional à lenta velocidade das nuvens que pouco se movem entre as montanhas. Quero que o tempo passe logo, quero que chegue logo o fim de semana para pelo menos um tiquinho eu ter você em slow motion, se possível for.
9.4.07
Carpe diem é o resumo
Acabei de olhar no calendário para lembrar o dia exato que fiz determinada coisa e me deparei com um fato que julguei seria pontual. Mas acabou se estendendo. Amanhã a noite fará um mês que aconteceu algo relevante e, desde então, estou vivendo com tudo fora do lugar.
Paralelamente, decidi no final da última semana que finalmente as cortinas e quadros que estavam encostados num pedaço de chão ganhariam seus respectivos assentos. Não deu tempo de acertar tudo em uma tarde, nem com dois bons ajudantes e uma assessora de decoração, mas pude perceber que, mesmo quando a gente resolve colocar as coisas no lugar, não tem como fugir de certa dose de desordem. Seja porque a sala ficou cheia de pó, pedaços de vidros quebrados ou tapete amontoado em um canto; seja porque as coisas ficaram tão bem assentadas que não estão ainda familiarizadas, dando a impressão de aquilo não estar 100% certo, ou melhor, seguro.
São paradoxais as conclusões de que para arrumar é necessário desarrumar; para solucionar é necessário criar um problema e para acertar é necessário errar (muiiita gente já até nasce sabendo disso). Irônico é pensar que a gente sabe que momentos surgem de solavanco, mas sempre nos preparamos para sentir ou não sentir algo, agir assim ou assado, resistir a isso ou àquilo. E é inútil programar-se.
Bom é perceber que, enfim, acho alguma maturidade em mim e não estou me descabelando por tudo isso. A reviravolta gerada pela poeira, pelo novo layout da sala e pelo que aconteceu há um mês está sendo bem-vinda, mesmo que eu não saiba como será daqui a pouco.
(depois posto a foto da sala)
Paralelamente, decidi no final da última semana que finalmente as cortinas e quadros que estavam encostados num pedaço de chão ganhariam seus respectivos assentos. Não deu tempo de acertar tudo em uma tarde, nem com dois bons ajudantes e uma assessora de decoração, mas pude perceber que, mesmo quando a gente resolve colocar as coisas no lugar, não tem como fugir de certa dose de desordem. Seja porque a sala ficou cheia de pó, pedaços de vidros quebrados ou tapete amontoado em um canto; seja porque as coisas ficaram tão bem assentadas que não estão ainda familiarizadas, dando a impressão de aquilo não estar 100% certo, ou melhor, seguro.
São paradoxais as conclusões de que para arrumar é necessário desarrumar; para solucionar é necessário criar um problema e para acertar é necessário errar (muiiita gente já até nasce sabendo disso). Irônico é pensar que a gente sabe que momentos surgem de solavanco, mas sempre nos preparamos para sentir ou não sentir algo, agir assim ou assado, resistir a isso ou àquilo. E é inútil programar-se.
Bom é perceber que, enfim, acho alguma maturidade em mim e não estou me descabelando por tudo isso. A reviravolta gerada pela poeira, pelo novo layout da sala e pelo que aconteceu há um mês está sendo bem-vinda, mesmo que eu não saiba como será daqui a pouco.
(depois posto a foto da sala)
3.4.07
(Se achar muito longo e for ler mais ou menos, nem comece)
Quando as coisas começam a dar errado, prepare-se. Vão continuar assim. Não sei por que não percebi a semelhança, do início do dia problemático, com minha compra do ingresso para O Fantasma da Ópera (que, de R$90, saiu por R$220 para a milionária aqui).
Após meses pensando (sério) resolvi ir ao show do Keane, por pelo menos dois motivos razoáveis. Às vésperas do “grande espetáculo”, descobri que, felizmente, a comunidade emo não é tão enorme assim e sobraram alguns ingressos. Mas antes disso, achei que não (o site dizia que, para pista, estavam esgotados), e tive uma troca de e-mails indigesta com uma pessoa que tem tudo para ser indigesta, mas não é. Ok. Passou. Ao telefone, a mocinha do Ticketmaster me vendeu um convite, sem desconto, sem ser possível fazê-lo com a carteirinha de estudante e também com R$ 24 de taxa (e não, eles não entregam em casa). Já não gostei, mas estava decidida e pensei: dane-se.
“Há no máximo 15 ingressos para pista no sistema e a senhora pode não estar encontrando amanhã. Vale a pena estar tentando comprar com desconto depois e vir a estar cancelando esta compra. A senhora vai estar tendo sete dias para isso”, aconselhou a suspeita e gerundista vendedora. Ok, “vai que...”.
Recuso-me a concretizar neste hipertexto o número que está para cair na minha conta, caso eu não consiga fazer o cambalacho comentado acima. Assim, chamemos de X o valor absurdo que ficou acordado ao final da ligação, com meu “sim” antes da benção final...
(saio da primeira pessoa para não me matar)
Thais, irritada com os e-mails indigestos, com o valor X e com o trabalho, que está puxado nesta semana de feriado, resolveu se dar ao luxo de sair no horário (horário, aliás, que é incrível para uma jornalista). Mas a Thais não ia para casa relaxar... ela ia pagar o aluguel, que não é baratão, e depositar R$27 (que era para ser R$26,20, mas a máquina não aceita moedas e a conta da Thais do Bradesco não tem um puto e ela não consegue fechá-la, pois tem que ir pessoalmente na agência que está 150km longe dela) em uma conta da Folha de S.Paulo.
Estrategicamente ela planejou (e ela adora programações infalíveis): “vou pagar o aluguel, pois em 20 minutos a imobiliária vai fechar; depois passo num Banco do Brasil, saco dinheiro para cobrir o cartão de crédito, que ainda está vinculado lá para não ter problemas, e já coloco uma graninha a mais, para fazer uma transferência, e não depósito, para a Folha. Aí, saio de lá, vou na academia, volto para casa, tomo um banhão, janto e leio um pouco antes de dormir. Hoje, nada de internet”.
(voltando para a primeira azarada pessoa)
Agora, resumindo, porque já não dá para agüentar tudo isso:
- depois de pagar o aluguel, me perdi no bairro, peguei trânsito e achei o Banco do Brasil mais próximo quase meia hora depois;
- chegando ao Banco do Brasil, enfrentei uma filinha de duas velhinhas que, por não se darem bem com a máquina, valiam por 12 pessoas “normais”. Quando consegui passar o cartão, digitar a senha e ia informar o valor do saque, li: “Operação indisponível no momento”;
- Inspirei, expirei, inspirei, expirei... segui para o Bradesco. A programação da semana está PRONTA e não dava para deixar para amanhã. Com R$27 trocados na carteira fui, pelo menos, fechar a pendência com a Folha. Trânsito. Chego no banco. Preencho e lacro o envelope de depósito. Sigo até a máquina. Faço o que ela manda e leio “Agência não válida para esta transação. Consulte seu gerente”;
- Saí. Tossi, inspirei, expirei, inspirei, expirei... estava indo para a academia e resolvi virar a direita. Vim para casa;
- No prédio, crianças chatas brincavam na entrada e quase as atropelei. No hall do elevador, um casal de namorados trocava carinhos de dar vergonha e uns caras feios combinavam bar na quinta;
- Subi com toda essa turma e o elevador NÃO parou no meu andar. Fui até o décimo e voltei. Abri a porta, arranquei a roupa, entrei no chuveiro gelado, no escuro, claro, e agora estou aqui, perdendo tempo.
E aposto que se você teve paciência, e ainda está lendo isso, deu umas risadinhas da minha cara. Odeio você. Odeio e odeio.
ps.: Ah! Baixei a trilha do Moulin Rouge, que adoroooo e a Your Song, com o confortável Ewan McGregor, está com pau.
Após meses pensando (sério) resolvi ir ao show do Keane, por pelo menos dois motivos razoáveis. Às vésperas do “grande espetáculo”, descobri que, felizmente, a comunidade emo não é tão enorme assim e sobraram alguns ingressos. Mas antes disso, achei que não (o site dizia que, para pista, estavam esgotados), e tive uma troca de e-mails indigesta com uma pessoa que tem tudo para ser indigesta, mas não é. Ok. Passou. Ao telefone, a mocinha do Ticketmaster me vendeu um convite, sem desconto, sem ser possível fazê-lo com a carteirinha de estudante e também com R$ 24 de taxa (e não, eles não entregam em casa). Já não gostei, mas estava decidida e pensei: dane-se.
“Há no máximo 15 ingressos para pista no sistema e a senhora pode não estar encontrando amanhã. Vale a pena estar tentando comprar com desconto depois e vir a estar cancelando esta compra. A senhora vai estar tendo sete dias para isso”, aconselhou a suspeita e gerundista vendedora. Ok, “vai que...”.
Recuso-me a concretizar neste hipertexto o número que está para cair na minha conta, caso eu não consiga fazer o cambalacho comentado acima. Assim, chamemos de X o valor absurdo que ficou acordado ao final da ligação, com meu “sim” antes da benção final...
(saio da primeira pessoa para não me matar)
Thais, irritada com os e-mails indigestos, com o valor X e com o trabalho, que está puxado nesta semana de feriado, resolveu se dar ao luxo de sair no horário (horário, aliás, que é incrível para uma jornalista). Mas a Thais não ia para casa relaxar... ela ia pagar o aluguel, que não é baratão, e depositar R$27 (que era para ser R$26,20, mas a máquina não aceita moedas e a conta da Thais do Bradesco não tem um puto e ela não consegue fechá-la, pois tem que ir pessoalmente na agência que está 150km longe dela) em uma conta da Folha de S.Paulo.
Estrategicamente ela planejou (e ela adora programações infalíveis): “vou pagar o aluguel, pois em 20 minutos a imobiliária vai fechar; depois passo num Banco do Brasil, saco dinheiro para cobrir o cartão de crédito, que ainda está vinculado lá para não ter problemas, e já coloco uma graninha a mais, para fazer uma transferência, e não depósito, para a Folha. Aí, saio de lá, vou na academia, volto para casa, tomo um banhão, janto e leio um pouco antes de dormir. Hoje, nada de internet”.
(voltando para a primeira azarada pessoa)
Agora, resumindo, porque já não dá para agüentar tudo isso:
- depois de pagar o aluguel, me perdi no bairro, peguei trânsito e achei o Banco do Brasil mais próximo quase meia hora depois;
- chegando ao Banco do Brasil, enfrentei uma filinha de duas velhinhas que, por não se darem bem com a máquina, valiam por 12 pessoas “normais”. Quando consegui passar o cartão, digitar a senha e ia informar o valor do saque, li: “Operação indisponível no momento”;
- Inspirei, expirei, inspirei, expirei... segui para o Bradesco. A programação da semana está PRONTA e não dava para deixar para amanhã. Com R$27 trocados na carteira fui, pelo menos, fechar a pendência com a Folha. Trânsito. Chego no banco. Preencho e lacro o envelope de depósito. Sigo até a máquina. Faço o que ela manda e leio “Agência não válida para esta transação. Consulte seu gerente”;
- Saí. Tossi, inspirei, expirei, inspirei, expirei... estava indo para a academia e resolvi virar a direita. Vim para casa;
- No prédio, crianças chatas brincavam na entrada e quase as atropelei. No hall do elevador, um casal de namorados trocava carinhos de dar vergonha e uns caras feios combinavam bar na quinta;
- Subi com toda essa turma e o elevador NÃO parou no meu andar. Fui até o décimo e voltei. Abri a porta, arranquei a roupa, entrei no chuveiro gelado, no escuro, claro, e agora estou aqui, perdendo tempo.
E aposto que se você teve paciência, e ainda está lendo isso, deu umas risadinhas da minha cara. Odeio você. Odeio e odeio.
ps.: Ah! Baixei a trilha do Moulin Rouge, que adoroooo e a Your Song, com o confortável Ewan McGregor, está com pau.
25.3.07
Às 21h20 do domingo
Então ele saiu, bateu a porta do carro e caminhou com força até o da frente, maldizendo o cara que estava no Dobló. Ele socava outros carros que estavam parados por perto.
Parou na porta do Dobló. Gritava e balançava o carro. A mulher, no banco do passageiro começou a chorar. Teve literalmente um ataque de pânico. O motorista abriu a porta e socou a cara do homem irritado, que respondeu com um pontapé.
A cena estava armada. Enquanto o marido pegou a arma, a mulher saiu do carro, se pôs no meio e, chorando, ajoelhou no chão, entre os dois que se socavam e empurravam. Ela implorou que parassem. Mas não aconteceu.
Todos no estacionamento do supermercado, que estavam na fila da gasolina a $ 2,259, permaneceram estáticos. Ninguém ria, ninguém achava engraçado. Todos lamentaram. A polícia chegou depois de muito escândalo.
O pior é que aconteceu mesmo.
Parou na porta do Dobló. Gritava e balançava o carro. A mulher, no banco do passageiro começou a chorar. Teve literalmente um ataque de pânico. O motorista abriu a porta e socou a cara do homem irritado, que respondeu com um pontapé.
A cena estava armada. Enquanto o marido pegou a arma, a mulher saiu do carro, se pôs no meio e, chorando, ajoelhou no chão, entre os dois que se socavam e empurravam. Ela implorou que parassem. Mas não aconteceu.
Todos no estacionamento do supermercado, que estavam na fila da gasolina a $ 2,259, permaneceram estáticos. Ninguém ria, ninguém achava engraçado. Todos lamentaram. A polícia chegou depois de muito escândalo.
O pior é que aconteceu mesmo.
24.3.07
Ode à feminilidade

Ontem, mais uma vez, me decepcionei com a quantidade de mulheres sem classe em uma festa, digamos, de gala. Puxa, o que diferencia os homens das mulheres são características de base, sendo, óbvio, a feminilidade inerente às mulheres. Ou deveria ser. Não sei o que está acontecendo, mas cada vez mais vejo mulheres sem postura, sem charme, sem sex appeal andando por aí. Quem me conhece sabe muito bem que não tenho atração por mulheres. O que me impulsionou a escrever este post foi mesmo a decepção com o cenário decadente que ando reparando estar presente em tantas locações. Minhas companheiras de gênero andam fazendo feio.
Ok, sou um pouco machista sim. Acho que mulher tem que ter um andar bonito, tem que ter trejeitos charmosos. Tem que fazer diferença em detalhes sutis, que variam de acordo com a personalidade de cada uma. Pode-se ser muito feminina sendo punk, patricinha, hippie ou freira. A feminilidade não está em adereços, mas no comportamento.
É por isso que o famoso pretinho básico atravessa gerações com sucesso. Ele sugere sensualidade, sofisticação, mas é discreto, deixando para cada uma que o use adicionar seu tempero. Ele é prova de que o que distingue cada mulher e o que faz diferença está nas entrelinhas (e é por isso que, apesar de básico, algumas nem com um ficam elegantes).
Sobre a evolução do pretinho básico
Ok, sou um pouco machista sim. Acho que mulher tem que ter um andar bonito, tem que ter trejeitos charmosos. Tem que fazer diferença em detalhes sutis, que variam de acordo com a personalidade de cada uma. Pode-se ser muito feminina sendo punk, patricinha, hippie ou freira. A feminilidade não está em adereços, mas no comportamento.
É por isso que o famoso pretinho básico atravessa gerações com sucesso. Ele sugere sensualidade, sofisticação, mas é discreto, deixando para cada uma que o use adicionar seu tempero. Ele é prova de que o que distingue cada mulher e o que faz diferença está nas entrelinhas (e é por isso que, apesar de básico, algumas nem com um ficam elegantes).
Sobre a evolução do pretinho básico
O primeiro exemplar foi criado por Chanel, em 1926, revolucionando a moda, pois as mulheres só podiam usar a cor para o luto. Na década de 30, a quebra da bolsa de NY e a II GGM proporcionaram um triste período, que combinou com a cor.
O preto só ganhou glamour quando, em 1947, Christian Dior lançou o New Look, um estilo que valorizava as formas femininas. A partir daí, o peso da dor caiu e o preto passou a ser fashion. Nas décadas de 60 e 70, Jacqueline Kennedy e Audrey Hepburn tornaram-se as divas da cor, do charme e deixaram na história a marca da sua feminilidade, mostrando que o simples pode ser glamouroso e elegante, mas o responsável por isso é mesmo o espírito de quem o veste.
Na foto, a atriz Audrey Hepburn em cena do filme "Bonequinha de Luxo", de 1961
O preto só ganhou glamour quando, em 1947, Christian Dior lançou o New Look, um estilo que valorizava as formas femininas. A partir daí, o peso da dor caiu e o preto passou a ser fashion. Nas décadas de 60 e 70, Jacqueline Kennedy e Audrey Hepburn tornaram-se as divas da cor, do charme e deixaram na história a marca da sua feminilidade, mostrando que o simples pode ser glamouroso e elegante, mas o responsável por isso é mesmo o espírito de quem o veste.
Na foto, a atriz Audrey Hepburn em cena do filme "Bonequinha de Luxo", de 1961
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