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24.9.08

momento chicletinho

Gosto de ouvir músicas de dor de cotovelo e não me encaixar, mas gosto mesmo é de me acomodar em suas notas meio desafinadas e na sua caixa de distorção (é assim que chama aquele tréco cheio de botões?). Gosto de torcer para você ficar mais um pouquinho e dar certo, gosto de ficar presa entre seus caninos. Gosto de ser sua presa, e de te prender também. Gosto do seu sofá vermelho e de colocar meus pés ao lado dos seus na cadeira fora de lugar e de ter medo do suspense à frente ou da sua cabeça baixa no batente da porta. Gosto que você seja assim, grande, pra eu me sentir pequena e sua, gosto de ser cuidada por você. Gosto de lembrar de você e de mim como passado, só pra ficar mais feliz sabendo que é presente. Gosto de você embrulhado ou só numa sacolinha. Gosto de você mesmo num envelope, sem nem etiqueta, sem capa e caixa de DVD. Não preciso ter o gênero, nem a data de gravação, ou a trilha sonora no estojo preto. Eu conheço a história e gosto dela. Gosto de tê-la sempre no play, como a fita "Os Caça Fantasmas", que minha irmã via cinco vezes por dia em 1990 e alguma coisa. Gosto de fazer mil coisas, mas você estar sempre no pensamento. Gosto de você ser parte e não incomodar. Você está em todos os lugares, até aqui.

9.4.07

Eu quero, tu queres, ele quer, nós queremos, vós quereis, eles querem

Quero ser apertada até ficar roxa. Quero ser mordida até sangrar. Quero ser beijada até sufocar. Quero ser abraçada até ficar com o corpo todo dormente. Quero ser espremida, amassada, sacudida, assaltada, invadida. Quero ser cuidada até implorar ‘’menos!” e quero cuidar até ouvir “mais!”. Quero morrer sem respirar.

29.3.07

Com os pés no chão


E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada

E quanto mais estrada, mais sei que vou querer atalhos

E quanto mais atalhos, mais sei que, na maioria, não serão a melhor escolha

E quanto mais escolhas, mais sei que surgirão dúvidas

E quanto mais dúvidas, mais sei que precisarei de força

E quanto mais força, mais sei que terei de ser diplomática

E quanto mais diplomática, mais sei que farei com calma

E quanto mais calma, mais sei que seguirei no caminho

E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada...

28.3.07

Para quem ainda não surgiu


Silencia-me, por favor
Silencia-me
Deixe que o barulho das situações irrelevantes não chegue até mim
Atente para que piadas sem graça não me atormentem
Inunda-me com a calada de uma noite estrelada
(Tolero o doce som da chuva caindo)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
Cuide para que o grito do tédio não me sufoque
Alcance, a mim, a calma, mas sem dar crédito à rotina
Preencha-me com tua presença
(Aceito as pedras que naturalmente virão)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
E transforma o desconforto do silêncio vazio que hoje conheço
Apresenta-me um som que não precisa ocupar meus espaços
Prova-me que há sons mudos e silêncios ruidosos
Silencia-me, por favor
Silencia-me
E me desconserte.

22.3.07

Disse minha mãe ontem... (e só eu compreendi)




paradoxo sim, não
a vida vem, a vida vai,
morte fica, vida vem

a altura é baixa, embora fosse alto o tom com que ele se pronunciava a meu respeito, seu grito angustiado saia da garganta como se fosse um estertor da morte

morte por não saber que o que angustiava era meu grito não ser ouvido ou meu olhar não ser compreendido, morte era o que restava



(por Maria Antonieta)

21.3.07

Córo



Corro. Vejo um furacão se aproximando e corro.

Corro. O vento me envolve, quase me tira do chão e eu corro.

Corro. As pernas se movem com sincronismo, mas não tiram meu corpo do lugar.


Estou presa. O furacão me envolve.

Estou presa. O vento me tira do lugar.

Estou presa. As minhas próprias pernas estão se aproximando.


Corro, para não me prender, e córo.