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9.4.07

Eu quero, tu queres, ele quer, nós queremos, vós quereis, eles querem

Quero ser apertada até ficar roxa. Quero ser mordida até sangrar. Quero ser beijada até sufocar. Quero ser abraçada até ficar com o corpo todo dormente. Quero ser espremida, amassada, sacudida, assaltada, invadida. Quero ser cuidada até implorar ‘’menos!” e quero cuidar até ouvir “mais!”. Quero morrer sem respirar.

29.3.07

Com os pés no chão


E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada

E quanto mais estrada, mais sei que vou querer atalhos

E quanto mais atalhos, mais sei que, na maioria, não serão a melhor escolha

E quanto mais escolhas, mais sei que surgirão dúvidas

E quanto mais dúvidas, mais sei que precisarei de força

E quanto mais força, mais sei que terei de ser diplomática

E quanto mais diplomática, mais sei que farei com calma

E quanto mais calma, mais sei que seguirei no caminho

E quanto mais caminho, mais sei que tenho estrada...

28.3.07

Para quem ainda não surgiu


Silencia-me, por favor
Silencia-me
Deixe que o barulho das situações irrelevantes não chegue até mim
Atente para que piadas sem graça não me atormentem
Inunda-me com a calada de uma noite estrelada
(Tolero o doce som da chuva caindo)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
Cuide para que o grito do tédio não me sufoque
Alcance, a mim, a calma, mas sem dar crédito à rotina
Preencha-me com tua presença
(Aceito as pedras que naturalmente virão)

Silencia-me, por favor
Silencia-me
E transforma o desconforto do silêncio vazio que hoje conheço
Apresenta-me um som que não precisa ocupar meus espaços
Prova-me que há sons mudos e silêncios ruidosos
Silencia-me, por favor
Silencia-me
E me desconserte.

22.3.07

Disse minha mãe ontem... (e só eu compreendi)




paradoxo sim, não
a vida vem, a vida vai,
morte fica, vida vem

a altura é baixa, embora fosse alto o tom com que ele se pronunciava a meu respeito, seu grito angustiado saia da garganta como se fosse um estertor da morte

morte por não saber que o que angustiava era meu grito não ser ouvido ou meu olhar não ser compreendido, morte era o que restava



(por Maria Antonieta)