3.9.08

a cozinha

Dentre as experiências na cozinha havia pouca coisa a salientar: um mousse de limão espetacular, tentativas amargas de fazer arroz na panela com solução encontrada quase um ano e meio depois de muita desgraça e um susto provocado pela união de frango, óleo e fogo. O pequeno espaço que guardava uma geladeira novíssima e sempre 99% vazia, um fogão especialista em assar comidinhas prontas e uma pia com armário repleto de panelas e travessas quase sem uso, era praticamente cenográfico. É verdade que sempre tinha louça suja na pia, o que dava bastante veracidade ao ambiente, mas a cozinha não era um local de fumaça aromatizada por temperos e respingada por caldos saborosos. Não. Era mesmo o que tinha depois da porta de correr da sala, e o que vinha antes do armarinho de dispensa com o soberano microondas em cima. O teto ainda cinza pelo resultado da citada união de frango, óleo e fogo continuava assim desde o ocorrido mais de 365 dias antes. O relógio de parede sem pilha continuava sobre a banqueta de madeira e o pingüim de pelúcia estava imóvel desde sempre, no alto e sem resquício algum de gordura, apenas pó.

Em toda a história daquela cozinha só um dia deste ano teve destaque, o dia 2 de agosto. Com a presença das caixas na sala, a cozinha ganhou atenção e uma vontade enorme de fazer aquele maquinário enferrujado funcionar emergiu dos tupperwares escondidos na profundeza de uma gaveta. De comestível havia poucos elementos: açúcar, barrinhas de cereal, macarrão penne, um pacotinho de gelatina, uma lata de creme de leite e uma de leite condensado. Assim, o avental saiu do ganchinho na parede, o abridor e colheres das gavetas e a fôrma de pudim foi lavada e enxugada com pano de prato limpíssimo. O mix elétrico mexeu ou ingredientes à base de leite com a gelatina recém feita na preferida panela vermelha. Pronta, a sobremesa foi para a primeira grade da geladeira, lugar de respeito. Depois que as caixas engolissem tudo, o doce seria companhia e remédio. Seu papel era importante. Tratou de manter-se bem firme e gostoso.

7 comentários:

Thais França disse...

Marina, suspeitei desde o princípio!
bjinhos!

Paulo disse...

Thais
Pelo menos uma vez a cozinha foi ativada, fora é claro esquentar algo rápido que costumeiramente deve ser feito ...
Seu pai, Paulo

Thais França disse...

Pai, estou mudando e vc nunca conheceu o ap! Ia gostar.

beijos

Fabio Chiorino disse...

"Tratou de manter-se bem firme e gostoso". Tenho dúvidas se está a falar do doce ou de sua própria vida.

Thais França disse...

Em cheio, Fabinho!
bj

Juliana Gonçalves disse...

Eu fiquei com vontade de comer o pudim.
=)

Thais França disse...

Acredita que os ingredientes estavam quase passando da validade? comprei pra fazer pra vcs daqueeeeelllaaaaa vez (e não fiz! hihihi)