3.9.08

a.c e d.c

Depois que saíram do carro, as caixas subiram pelo elevador e ficaram na sala. Elas ocupavam uma parte considerável do chão. Estavam amontoadas e podiam enxergar também a cozinha e a pequena área de serviço. “Logo vamos engolir tudo o que tem nessas gavetas!”, comentou uma com malícia. Ao que outra completou: “Não vai sobrar nenhuma coisinha também em cima dos móveis. Olha aquelas velas ali, e aqueles castiçais. Vão ficar todos amontoados aqui em mim, hehehe”. As caixas riam sarcasticamente das peças de decoração, dos quadros, das toalhinhas coloridas, dos livros e CD´s, de tudo que perderia sem lugar.

Elas ainda estavam em um canto, mas logo dominariam o pedaço e sabiam disso. Aliás, aguardavam ansiosas pela apoteose. Passaram a noite imaginando serem recheadas de partes de vida de objetos inanimados. De lá, iam para um caminhão fechado e escuro e tudo que engoliram seria eliminado apenas quase 200 km de distância depois. Elas eram más. Elas sabiam que fariam diferença, pois elas carregariam história sem deixar pedra sobre pedra. Elas iriam colaborar ativamente para o fim de uma fase. Elas eram divisores de águas. De repente, criara-se uma era: antes das caixas e depois das caixas.

2 comentários:

Paulo disse...

Thais
Poderia ser ac /dc , corrente alternada e corrente continua, você se lembra o rápido curso de eletrônica que começou a fazer nos anos 90 ??
Seu pai, Paulo

Thais França disse...

aahhahahaahha
ê pai! sim, tomei um choque enorme e nunca mais voltei!