Espaço reaberto pós longo período aposentado. Este é um lugar onde paro para pensar o que vem à mente, sem arredondar. Já foi uma gaveta; já foi um tupperware, daqueles que a gente fecha bem as idéias e põe na geladeira, guardando o que queremos preparar mais para frente. É relevante, tem motivo de estar, mas não está pronto. Superficial. Superfácil, Só prefácio. Superfacial, está na cara, mas só ali (aqui). As vezes, até consigo enxergar a lua pela fresta do telhado.
Antes do fim de semana começar eu escrevi que estava com vontade de ir a um show para dançar, cantar e ‘energizar’
as pessoas ao redor com raios de música, disse que queria rir até a cintura
doer, me reunir com bons amigos para comer e beber e ir ao cinema saindo de uma
sala e entrando na outra. O domingo terminou 2h da madrugada, após duas sessões
de cinema seguidas. No sábado, comi a melhor comida japonesa do mundo feita
pela irmã e pelo cunhado especialmente pra nossa reunião de amigose na sexta me acabei com clássicos do rock,
num showzinho de um pub. Ainda conheci gente nova e revi duas amigas
adoravelmente doidas, ganhei beijos e abraços, comi pipoca, comprei novos
óculos escuros.
A sensação de felicidade hoje, ao começar a semana foi
incrível. Sinônimo de ser feliz é mesmo aquele clichê de vivenciar com
intensidade as pequenas coisas da vida, mas é também a sensação de completude,
quando concretizamos objetivos.Delícia!
Nada como acordar e pensar “que gostoso, vai começar tudo de novo!”. Cada dia é
uma dádiva, basta optarmos à exclamação, não à interrogação insegura ou
reticências preguiçosas.
Ontem a noite eu vi um fantasma. Ele não me assustou, nem perto de mim ficou. Mas me
fez lembrar de dois tempos: um bom e outro ruim. Sai, fantasma, não me deixou
dormir! Agora deixe-me ficar acordada sem pensar em você. As lembranças injustas me fitam e atormentam através de seus olhos azuis.
O difícil não é esquecer, mas abrir mão do apego; o apego de
pensar em como seria e lembrar do pouco que foi. É gostoso o apego a essas
lembranças poucas e às centenas de
fagulhas de vivências que nunca existiram, mas são vivas, pois falam, cheiram
bem e dão sensação de aconchego, pirilampando num universo fictício que gravita
dentro da mente criativa e romântica da gente. Não é amor, é apego. É parecido,
mas amor é real, é preciso ser experimentado, comprovado empiricamente. O apego
é a vontade do amor. A vontade grande que ele exista e se faça material
concreto. É o pré-amor, pode-se assim dizer, eu acho. Por isso é fácil esquecer
o que não foi e difícil desapegar. É difícil dizer ao pré-amor: “Mas você já
vai sem ter vindo? Eu tinha tantos planos pra você!”
Ahhh o apego! Esse “quase” amor que gravita em saltitância e
elegância, como astronauta fazendo de nossa cabeça solo lunar. Passeia por
entre nossos arquivos cerebrais, remexendo e perfumando as gavetas mais sérias,
como nossa rotina profissional, com nossos afazeres diários organizados em
ordem alfabética ou por ordem de exibição. As seis gotas de homeopatia pela
manhã, a alimentação equilibrada, os exercícios pontuados da semana, o horário
de início e fim do expediente, as idas e vindas pelas ruas, a cobrança pelos
dois capítulos do livro por dia antes de dormir, a oração que precede o fechar
dos olhos já com a mente leve no travesseiro. Ahhh, apego! Como é ruim
deixar-te ir, sendo pré-amor do que não foi e poderia ter sido. Não acredito em
reencarnação, mas se ela existir, na próxima prefiro vir nascida em janeiro
para ser mais razão e menos coração. Prefiro vir em junho, para não ser tão
fiel e persistente. Prefiro vir emnovembro para ser quase só carnal. Em outubro não quero vir mais. Os
nascidos em outubro têm por meta comprovar o amor e abraçá-lo. É
fantástico, mas cansa por todas as vidas.
No dia da mentira despeço-me de minhas não
verdades. De minhas ilusões projetadas, de minhas verdades absolutas que
vagam num céu cor de rosa. No dia da mentira dou um riso verdadeiro,
mas que de tão aberto, parece falso. No dia da mentira contemplo e digo
adeus a sonhos que não serão concretizados nunca, pois são feitos de
papel marché e se desfazem na primeira chuva fina de outono. No dia da
mentira pisco e ao abrir os olhos posso começar tudo de novo. No dia da
mentira tudo é engraçado e parece que as mentiras tristes nunca
existiram.
Nós mulheres
somos fantásticas! Nascemos charmosas: ainda bebês crescemos em delicadeza e
esperteza. Quando começamos a engatinhar já fazemos graça com os quadris ainda
em fraldas e um pouco mais tarde rodamos nossas sainhas cor de rosa pela sala
de casa. Todos se encantam com nossa fragilidade, com nosso riso aberto, com
cachinhos ou franjinhas lisas emoldurando o rosto. Crescemos e continuamos
iluminando o mundo. Adolescentes, brigamos por idéias, construímos amizades, abrimos
o coração para amores, descobrimos como é difícil tomar conta de nós mesmas,
mas perseveramos e perseguimos sonhos.
Adultas, nos
dividimos em várias! Somos amantes, amigas, filhas, netas, mães, profissionais,
esposas, namoradas, médicas, loucas e com sorte, somos ainda molecas. Quando
envelhecemos retomamos a meiguice da infância e acumulamos nos gestos lentos e
olhar penetrante toda nossa vivência. Na velhice temos a criança carinhosa, a
adolescente mimada, a adulta atribulada e a calma que a experiência traz.
Como é bom
ser mulher e saber que todas as etapas da vida são especiais. Como é bom ser
mulher e sendo atleta ou educadora, comerciante ou enfermeira, empresária ou
dona de casa, passamos um batom e ao piscar os olhos, conseguimos amenizar os
problemas de todo um mundo. E basta um beijo para devolver a crença dos já sem
fé. Parabéns para nós! Dia 8 ou dia 1 ou 31 de qualquer mês.
Tive um sonho maluco. Sonhei com um cara doido, cheio de
cabelos. No começo parecia só uma cabeça que falava sem parar. Começava assuntos
e não acabava, emendava outros. Tempos depois, retomava o primeiro com um link
perfeito, articulado. Ritmo frenético, ritmo acelerado. Estava quase 100% escuro
e eu não conseguia discernir o cenário. De
repente a luz começou a melhorar e essa cabeça cheia de cabelos e muito falante
começou a evidenciar-se no topo de um corpo magro e alto. Vestia preto.
Conforme a luz melhorava via-se ícones, desenhos, formas e
até personagens, entre outras coisas menores, difíceis de entender, gravitando
ao redor daquela figura que, se de boca fechada, pareceria tradicional, mas
tantas eram as frases e assuntos e palavras soltas e discursos e músicas e
poemas picotados e seilá mais o que que saia daquela boca, ficava claro que era
uma figura diferente, meio bizarra até.
De tão estranho passou a ser atraente e num lapso ínfimo de
tempo passou a querer me hipnotizar. Ainda tinha consciência, mas era tão intrigante
que me deixei levar para tentar entender. Para experimentar. Aquela boca não parava de falar, os
olhos penetravam os meus e as coisas todas que gravitavam ao redor, parecendo
pedaços de sonhos de pessoas comuns, começaram a gravitar ao meu redor também.
Estava no olho do furacão! Foi aí, que um cheiro delicioso de chocolate tomou
conta e eu podia enxergar os doces em forma de rosquinhas saídos do forno chegando cada vez mais
perto de mim. Delicioso, sensacional! Dunkin Donuts por todos os lados! Foi aí,
na melhor parte, que o cara maluco que me hipnotizava, num gesto rápido, como o
queimar de uma lâmpada, fez cair todos no chão, exceto um, que levava à minha
boca.
Fechei os olhos para degustar aquele doce que estava prestes
a abocanhar, mas nessa hora, ele tirou de mim o melhor bocado. E fiquei sem
nada.
Naquele dia ela lavou seu coração de papelão e o pendurou no
varal, para secar. O céu estava azul e as ondas vibrantes de amor vindas de
tantos lugares do mundo e de tantas dimensões paralelas perdidas entre o céu e
a terra pareciam pairar sobre o varal. A brisa suave era quente, como maresia,
e o coração de papelão deixava a umidade para tornar-se duro e seco. Que controverso
para um coração! Mas era só assim que ele conseguia manter-se literalmente
firme. Estava aprendendo a ser meio termo, por necessidade, mas o que gostava e
sabia mesmo era ser flexível, derretido. Gostava de desfazer-se e fazer-se de
novo. Gostava de virar escultura em papel marché. Pendurado no varal, o coração
de papelão se preparava para passar mais um Valentine´s Day em perfeita elegância,
sem desmerecer outros corações mais duros ou invejar os mais afortunados.
O amor não está só no ar, está em todos os lugares, quer
queira ou não. Eu sou uma romântica e gosto de admirá-lo. Claro, há diversos
tipos de amor e neste fim de semana pareci estar disponível, ou seria melhor
propensa, para observá-lo. Começou na sexta a noite, quando eu e uns amigos
falávamos sobre o quanto pessoas interessantes e inteligentes se tornam
absurdamente ‘burras’ quando topam com alguém que consegue despertar algo mais
submerso, menos superficial, mais bonito. Daí foram risadas intermeadas a
histórias de desilusões e desencantos de pessoas que acima de tudo são felizes.
Na verdade, na quinta-feira o assunto já tinha pairado, numa
longa conversa confidencial madrugada afora. No sábado, saí para comprar um
potinho de vidro bonitinho, para presentear um amigo com a melhor geléia de
morango do mundo, a que minha avó faz, e fui parar no supermercado. Mente vazia,
cantando a música que havia sido interrompida no rádio do carro. Bati a porta e
um casal passou marchando ao meu lado. Ele era lindo, ela idem. Estavam bem
bravos um com o outro. Não sei o motivo, devia haver razão, mas eu só consegui
pensar “se eu fosse eles não estaria discutindo. Estar em dois é muito bom para
perder tempo brigando”. Andando, olhei para trás e a cena estava ainda mais nublada.
Entrei no mercado. No meio das gôndolas pouco frequentadas do lado direito,
surpreendi um casal se beijando como se ninguém pudesse vê-los. Fiquei com
vergonha (não mais que eles!) e triste em ter interrompido o beijo tão sincero.
Pronto! Aquele casal minimizou o atraso de amor do estacionamento.
Escolhendo novo sabor pro meu Listerine, ao meu lado uma
moça falava ao telefone com seu amado “Vou comprar uma surpresa pra você! Uma coisa
que você adora!”, ela disse sorrindo. Puxa! Que delícia vai ser o encontro
quando o presenteado receber a surpresa! Eu que adoro surpresa e adoro mais
ainda dar presente… fiquei com inveja.
Saí do mercado e fui alugar filmes. A locadora que frequento
é ótima, mas os filmes estão caros e há alguns dias estou para renovar minha
ficha numa outra locadora, também pertinho de casa e mais em conta. Fui superbem
recebida de volta e fiquei uma meia hora conversando com a proprietária sobre
filmes que ela me indicava, a maioria com romances absurdos. Pedi indicação de
suspense, mas ela me ignorou. O amor também está na locadora.
Saí e fui comprar sorvete e qual foi minha alegria ao
descobrir que há um Corneto de sabor novo! Trouxe para casa e, ao abrir… ele
era decorado por coraçõezinhos vermelhos de açúcar. Sorvete é bom e também é
amor, faz carinho na gente!
Há meses ensaiava ir conversar com um amigo que havia virado
persona non grata. Amigo de verdade, que a gente magoa, magoa a gente e, de
repente, não se fala mais. Isso não é comum pra mim, era exceção e incomodava. Eu
não gostava dessa sensação e muito menos de me imaginar uma cristã sem perdoar
ou pedir perdão. Não foi fácil, mas após alguns anos fui até ele e, pra minha
alegria, um abraço salvou minha alma e meu coração. O amor é realmente
fantástico, cura e resgata, faz tudo passar.
Hoje terminei de ver um filme que comecei ontem, chama-se
The Lady, traduzido para “Além da Liberdade”, que conta a história real de uma
mulher que salva a esperança de seu País. Sensacional. Vale a pena, uma
história que mostra vários tipos de amor e o desenrolar deles. Triste,
inspirador, intenso. Fui pesquisar e descobri que ela é a pacifista homenageada
pelo U2 com a música Walk On. Eu já gostava da letra, com clip gravado no Rio
aliás, mas agora compreendo além do refrão. Ainda tem domingo pela frente e
talvez ainda observe mais o amor por aí. Espero que sim.
Assista até o fim... a última imagem é da Aung San Suu Kyi, a pacifista do filme.
Antigamente a gente escrevia na calçada com tijolo de construção. No geral, escrevíamos nossos próprios nomes entre florzinhas e casinhas e as casas pra jogar Amarelinha. Quando estávamos com a melhor amiga também podíamos escrever o nome do menino que a gente gostava com corações flechados. Ah! E estes, só estes eram riscados com força antes de deixarmos a calçada quando a mãe chamava pra ir tomar banho, para que ninguém que também fosse se sentar e desenhar ali descobrisse.
Escrever com tijolo na calçada é fácil, mas riscar o nome até ficar ilegível nem tanto. Lembro como se fosse hoje da mão amarelada da gente, seca e com machucadinhos do nosso tijolo-giz. Por conta disso, eu e uma amiga escolhemos um pedaço de calçada sem muita visibilidade para escrevermos os nomes (em código, pra garantir) dos meninos que gostávamos e não precisarmos riscar. Assim, no dia seguinte, podíamos ficar ali, só decorando com florzinhas e corações enquanto falávamos sobre nossos amores, na maioria, impossíveis.
Quando desapaixonávamos e resolvíamos “virar a página”, aí sim, a gente riscava com força, definitivamente. Lembro da minha coluna de nomes em código rabiscados na calçada somando três ou quatro e a da minha amiga com pelo menos o dobro de nomes! Éramos crianças, mas quando virávamos a página era de verdade, pra mim pelo menos era. Mas o tijolo riscado sempre nos fazia lembrar quem esteve escrito com amor ali e, às vezes, minha amiga me ‘apoquentava’ e era obrigada a relembrar da listinha dela…
O tempo passou e o “virar a página” mudou. Agora, a gente pára de fuçar o perfil no Facebook, de puxar papo por mensaginha inbox, de mandar sms e email. É interessante perceber a evolução do “virar a página” e da gente. Hoje, mais madura, tenho dó de virar, fiquei mais teimosa. Sempre quero adiar, pois dou mais valor pros nomes da listinha, mas como quando criança, quando acontece é pra valer. Decidida a virar a página, o nome é riscado bem forte. “Menina que não rabisca os nomes não correspondidos bem forte é menina boba”, como bem me ensinou minha vizinha mais velha, da casa de cima da minha, quando então, com 13 anos, sabia bem mais sobre o amor que eu e minha amiga de 9.
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Ah! E esse som combina tanto! Gosto muito.
Ela vê e imediatamente não são meras imagens, são vontades
dele. Dela, por ele. Uma coleção de cenas das quais nunca participou, mas pode
descrever com exatidão cada uma delas, com uma estória inventada para a história de amor
inexistente. Tem várias, mas duas preferidas:
1
Naquela manhã tomaram juntos uma média de café com leite e
pão na chapa. Básico. Teve salada de frutas também. Ela não conseguia descolar
os olhos dele. A visão do restante do ambiente era vaga, completamente afetada
pelo túnel que formava dos olhos dela até os olhos dele. Também a fala estava
prejudicada. Não conseguia emitir mais que duas palavras em sequência. A satisfação por ter o cheiro dele à seu bel prazer
durante toda a noite e início daquela manhã completavam todo seu corpo, enchendo como ar o organismo inteiro, parando na garganta. Por isso era tão difícil
falar. Ele a preenchia e havia roubado sua língua, com aquela boca quente e macia.
Os movimentos pareciam mais suaves e cada riso marcado nas covinhas formadas
nos cantos da boca de lábios finos eram motivo de uma quase parada cardíaca
dela. Exagero? Pra maioria sim, mas não pra ela, que aguardara meses para velar
o sono do cara mais fantástico que já havia conhecido. A média de café com
leite tinha gosto de pódio de ouro e o pão na chapa ficou no prato. A salada de
frutas só embelezou a mesa. Nada mais cabia. Ele tinha tomado conta de tudo
numa invasão permitida deliciosa.
2
Estavam viajando de férias em algum lugar bem distante. Ela tirou
uma foto sem graça dele, que não queria aparecer com cara de sono. Ele deu um
sorriso forçado e perguntou “tá feliz?”, ela acenou tímida e com jeito de criança
sapeca que sim. Ele aprovou e abriu os braços para abraça-la e claro, a
fotógrafa amadora com cara de boba não pensou duas vezes e se jogou no calor
daquele peito coberto com uma camiseta branca cheirando amaciante. Que delícia!
Não precisava ter viajado pra lugar nenhum, ali era o único lugar onde ela queria
estar independente da estação do ano.
Cinema é um tema que adoro. Poderia ter um blog só sobre
cinema, poderia decorar minha casa com posters, ouvir só trilha sonora e usar
roupas com capas de filmes. Hoje passei por uma experiência horrível em uma das
salas do cinema da minha cidade. Acenderam as luzes e desligaram o projetor
assim que a última palavra foi dita no fim do filme. Não vi nenhum crédito
final. Não vi nenhuma ceninha engraçada, que certamente viria na sequência. Muita
falta de respeito. Se a companhia não fosse boa, certamente minha noite teria
sido estragada pelo gesto absurdo.
Mas eu dizia sobre como cinema me faz bem. Pois. Estava vendo
umas fotos antigas e me lembrei de uma festa a fantasia que fui e eu e uns
amigos planejamos uma festa movie star, que nunca existiu. Todos iriam vestidos
de personagens de cinema famosos e teriam que interpretar a noite toda. Coisa besta,
não deu certo, mas me lembrei de cenas da minha vida que foram
cinematográficas, umas para o bem, outras para nunca mais repetir. Resolvi listar
algumas, por diversão.
- Diário de uma Paixão: sim! Já fui beijada sob a chuva como
no filme!
- Pulp Ficcion / Embalos de Sábado a Noite: quem nunca
dançou imitando Travolta e Uma? Hein? Hein?
- O Diário de Brigitte Jones: putz. Chorar vendo drama e
tomar sorvete no pote já embalaram uma noite menos feliz que a do Travolta…
- Corra Lola, Corra: quantas vezes você não foi e voltou,
pelo menos em pensamento, mudando uma coisinha no roteiro, imaginando o que
aconteceria?
- American Pie: o que vou revelar é confidencial. Feio. Chato.
Vergonha alheia totally você terá de mim. Há muitos anos fiquei com um carinha
e, não lembro se ele ficou com outra na mesma noite ou sumiu, virei um copo de
alguma bebida melequenta inteiro na cabeça dele. No meio da baladinha. E ainda
disse “ops, foi sem querer!” e saí rindo com minha amiga igualmente pirada. Nossa…
você achou que loucas assim só existiam em filme? Espero que sim… mas naquele
dia eu fiz uma coisa dessa… EU! Uma mulher fina, elegante, sincera… vergonha,
muita vergonha… só por Deus… Até hoje quando me lembro tenho vontade de ir lá
pedir desculpas pro cara. MUITO ABSURDO… mas foi cinematográfico!
- Thelma e Louise: Direto saio dirigindo com os cabelos ao
vento e uma amiga do lado. Nunca me joguei de precipício algum, mas é deliciosa
a sensação de que, se lguém estivesse filmando, a cena sairia linda!
- Duets, Vem cantar comigo: esse filme cafona também já
imitei na minha real life. Cantei musiquinha em videokê e ganhei o moço. Claro que
foi pelo charme, não por cantar bem. Sou péssima. Cafoninha mas legal.
- Uma linda mulher: ah, tô me achando! Uma vez, há long time
ago, estava descendo uma rua de saia, salto e feliz. Não era nada demais, não,
mas acho que como estava feliz e sorrindo, o conjunto chamou atenção. Cruzei com
uma pessoa, que me olhou fundo nos olhos… e eu passei (não conhecia). Dois
segundos depois, ouvi um barulho, olhei para trás e a menina (sim, era mulher)
tinha caído numa caçamba por seguir caminho andando com o pescoço virado
olhando pra mim… nossa, que vergonha!
Depois de uns copos de Amarulla e vinho, sozinha em casa, ao
som de Nouvelle Vague, foi isso que me lembrei. O resto são detalhes e não cenas
de cinema. Algumas briguinhas que viraram beijos suculentos em abraços tórridos
(clichê de qualquer comedinha romântica de quinta); porta do carro batendo e
pés atravessando a rua correndo no asfalto molhado; olhar no espelho para tirar
a maquiagem com o rosto todo borrado (muito Marilyn Monroe!); choros e soluços
agarrada ao travesseiro (superrrrr 80’s drama!) e alguns diálogos infames. Não é
difícil ser uma movie star… é só escolher a trilha sonora para cada momento. Adoro
100%.