
Aprendi há pouco tempo o óbvio: nossos medos são frutos de nossas inseguranças. Bacana, a solução é acabar com essas insegurançazinhas, mas e aí? Como?
O primeiro passo é raciocinar. O segundo é montar a frente de batalha e todas as estratégias de guerra contra essa poderosa vilã esguia e de mil faces. O planejamento deve seguir mais ou menos a ordem abaixo.
1 –
Investigação e acompanhamento para diagnosticar qual das mil faces dessa vilã é a mais vulnerável, qual nos agride mais e, por isso, qual temos que atacar primeiro para enfraquecer as outras;
2 – Diagnosticada a mãe das inseguranças,
buscar antídotos racionais para combatê-la. Isso varia de pessoa para pessoa e tem que ser aliado a uma chacoalhada na auto-estima, o segredo de todas as fórmulas (aqui entra todo aquele discurso já batido de se achar bonito, sexy, levantar seus pontos positivos e deixá-los sobressair, etc. Todos já conhecem e é realmente importantíssimo quando colocado em prática sem ser pedante, pelamor).
Voltando a soluções racionais, exemplo:
Quero determinada vaga de emprego, mas não me sinto seguro (a) quanto minha competência. Além disso, vou pra dinâmica de grupo com mais várias pessoas e sou desajeitado (a) e estou gordo (a) – essa última é uma preocupação mais feminina, mas entra no exemplo porque entre nós mulheres é quase unânime.
- Se você foi chamado pra dinâmica de grupo é porque não é qualquer um. Emprego tá difícil e seu CV deve ter passado pela mão de alguém que o colocou numa pilha de “sim” pelo menos 50 vezes menor que a pilha de “não”. Nunca achamos que somos realmente bons em tudo quando sabemos que seremos avaliados por alguém que, no caso, tem poder. Normal. Senta a bunda na frente do micro e de livros, jornais, etc, e apura o que você acha que deve. Refrescar algumas coisas sempre é bom. Respira fundo e vai. Quanto a estar gordo (a)... bem, dieta é uma solução a médio/longo prazo, mas, para não perder tempo, pode-se muito bem usar roupas que disfarcem as gordurinhas a mais. Se sou desajeitado posso procurar me atentar a isso, dar uma melhorada ou fazer disso um aliado. De repente pode ser charmoso um desastrezinho se vir acompanhado de um sorriso interessante. Para as mulheres, caminhar com um pé na frente do outro também é bom. Além de evitar tropeções e nos ajudar fisicamente a manter equilíbrio de corpo e mente também torna o andar mais elegante e feminino. E isso nos dá forças;
3 – Com boa auto-estima apoiada em soluções concretas fica mais fácil posicionar-se em campo. Mas, como a insegurança é uma erva daninha, é provável que ela ainda esteja pelo quintal. Matá-la não é fácil. Então,
muna-se com todas as armas possíveis e enfrente-a, reflita, converse com amigos, peça ajuda a quem verdadeiramente lhe quer bem (geralmente estes seres são no máximo dois pares de humanos e um animalzinho de estimação);
4 – O medo é algo que nos impede, censura, coíbe, aprisiona.
Sinta-se livre e alguém com possibilidades para ___________ (aí, complete com quaisquer das palavras que mais achar conveniente). Nunca há só uma solução. Por isso,
descubra o botãozinho DANE-SE (ou Foda-se), que todos temos em algum lugar. Aperte e siga;
5 – Em toda guerra há perdas, mas nessa jamais o desfalque pode ser você. É essa a idéia em acabar com o medo matando a insegurança, certo? O que te merece e o que você quer não podem estar na mira do botão DANE-SE...
Arma nenhuma é bem usada sob estado passional. Siga seu coração (sim, drible a frieza, maior efeito colateral desse processo de extermínio)
e sua inteligibilidade.
Perceba seus valores. Tenha total noção deles. Quando alguma situação depender do outro, analise se ele tem noção do seu valor, de quem é você. Aí, pese o que diz seu coração e seu cérebro.
Busque harmonia e deixe as picuinhas fora da jogada. Elas vão ficar pulando, querendo atenção, te chamando. Ignore-as.
A preparação básica para encarar a insegurança de frente e fazer ela se sentir patética é essa aí, dividida nos cinco tópicos acima. Mas depois de conseguir se posicionar e saber usar as armas não pense que a batalha está ganha pra sempre e que a paz mundial reinará. A vilã esguia de mil faces é também cheia de vidas, como nos games. Esteja pronto para enfrentá-la sempre que precisar.
“Ah, mas então de que vale tudo isso se ela não morre?”. O segredo para estar mais próximo do fim é a primeira machadada. Estudos científicos em Harvard, Sorbonne e Massachusetts revelaram que a insegurança se regenera pelo processo de autotomia, logo, como o rabo da lagartixa, depois de cortado a primeira vez, não tem mais esqueleto, nem o mesmo tamanho, nem a mesma flexibilidade e nem a força de antes.
(foto do banco de imagens SXC.hu)