Às vezes dá vontade de correr, correr sem parar, pulando obstáculos, costurando vias, alternando estrada de terra, asfalto, paralelepípedo, mármore escorregadio. Chão liso de shoppings ou de grandes supermercados, fechados para limpeza, cheios de sabão. Dá vontade de correr e se jogar ali, para a espuma ajudar a ir escorregando pra frente. Medida bem humorada de criança que quer rir, sem se importar em molhar a bunda.
Às vezes dá vontade de chorar, chorar muito mesmo, exageradamente como tudo que acontece naquela propaganda do Novo Fiesta, que o pessoal fala “tudo bem!”. Chorar até as lágrimas acabarem, até o rosto ficar molhado e o pescoço melado. E as roupas respingadas. E as mãos cheias de rímel e lápis preto. Sabe aquele choro que depois vira risada, risada da própria tragédia? Então, às vezes dá vontade de ter tragédia só pra rir da comédia do fundo do poço.
Às vezes também da vontade, sabe do quê? De andar sem sapato. Não dá? Às vezes bate uma vontade de ficar descalça e sentir o geladinho do chão! Dá vontade de procurar imperfeições no piso e senti-las com os dedos dos pés. Dá vontade de fazer todo mundo ficar assim e jogar os sapatos do alto de uma janela bem alta, e ficar olhando o que vai acontecer com eles quando terminarem a queda livre. Ou então, dá vontade de arrancar e jogá-los na pista, em alta velocidade e dirigir descalça. É gostoso sentir os dedos nos pedais. É legal sair com a sola do pé suja.
Às vezes dá vontade de envelhecer para virar aposentada e curtir cinema de graça, teatro, andar de ônibus pela cidade à toa, ouvindo as conversas dos outros. Às vezes dá vontade de ser criança de novo e poder fazer absurdos sem ninguém achar anormal, só, no máximo, levar bronca por ter saído da linha. Às vezes dá vontade de ser pipa e ficar voando no céu. Mas aí, dá vontade de ser passarinho e ser pipa perde a graça, apesar do charme. Quando bate a vontade de ser passarinho é uma gostosura. O cenário é entardecer com pôr-do-sol e um ventinho refrescante sopra no rosto. O cheiro de eucalipto vem junto com a vontade de ser passarinho sempre voador.
Às vezes dá vontade de tomar banho na bacia de alumínio da minha avó e ficar jogando água nas pessoas que passam, mas só meus pés cabem nela hoje em dia. Poderia ser ruim, mas realizaria três vontades de uma vez: a de voltar a ser criança, a de ficar descalça e a de ser passarinho, porque, para isso, é só fechar os olhos e ficar quietinha. Qualquer dia vou experimentar.
Espaço reaberto pós longo período aposentado. Este é um lugar onde paro para pensar o que vem à mente, sem arredondar. Já foi uma gaveta; já foi um tupperware, daqueles que a gente fecha bem as idéias e põe na geladeira, guardando o que queremos preparar mais para frente. É relevante, tem motivo de estar, mas não está pronto. Superficial. Superfácil, Só prefácio. Superfacial, está na cara, mas só ali (aqui). As vezes, até consigo enxergar a lua pela fresta do telhado.
27.8.08
26.8.08
pensando em quereres ...
- Quero ter um apartamento com pouca parede e uma bela varanda numa rua larga/avenida arborizada (não tem problema ter barulho, mas tem que ter luz ambiente bacana contrastando com as folhagens que deverão formar um corredor dividindo as mãos da rua larga/avenida).
- Também quero um New Beatle amarelo (me dei conta que é meu preferido depois do Mini – nada acessível – no fim de semana. O marido da minha amiga quer que ela compre um e ela está titubeando... estou trabalhando para ajudar a colocar a cabeça dela logo no lugar e ela aceitar a idéia).
- Quero poder escrever bem em algum lugar, quero ser cronista um dia. Mas de verdade, e nacionalmente reconhecida. Ou mais.
- Sempre quis um irmão gêmeo, mas isso sempre foi impossível e desde cedo aprendi que existem coisas que estão além do nosso alcance e, as que não estão, precisam de uma forcinha para serem conquistadas. “Tamoaê”.
- Queria que meu cabelo estivesse como há uns meses, antes de eu cortar. Mas eu tenho certeza que se eu não tivesse cortado estaria marcando horário no salão ou já teria cortado e daqui uns meses teria me arrependido, ou seja: ok.
- Queria pelo menos dois abraços do Lu por dia (daqueles que é só abraço mesmo), uns quatro beijões e uns pares de beijinhos.
- Queria comprar um shopping com tudo dentro e ficar uma semana sozinha nele, só me divertindo! Hehehe!
- Queria um monte de coisas que o dinheiro compra, como uma lipo e os dentes mais brancos do mundo, mas meu dinheiro anda curto e me contento com greve de chocolate e de massas e pasta dental Whitening.
- Queria uns dias de férias de mim, só pra querer voltar pra mim de novo e me sentir aliviada de eu ser eu e não outra pessoa. Só pra ter certeza, sabe?! Outro dia minha mãe perguntou se eu queria ser outra pessoa. Não queria não, mas seria legal saber como é. Se hoje eu pudesse escolher, queria um dia ser o Phelps, no outro o Eric Moussambani (lá nos 15 min de fama dele) e no outro eu mesma, mas com 9 anos, na aula de natação. Depois voltaria pra mim mesma hoje e pensaria “devia nadar”.
- Também quero um New Beatle amarelo (me dei conta que é meu preferido depois do Mini – nada acessível – no fim de semana. O marido da minha amiga quer que ela compre um e ela está titubeando... estou trabalhando para ajudar a colocar a cabeça dela logo no lugar e ela aceitar a idéia).
- Quero poder escrever bem em algum lugar, quero ser cronista um dia. Mas de verdade, e nacionalmente reconhecida. Ou mais.
- Sempre quis um irmão gêmeo, mas isso sempre foi impossível e desde cedo aprendi que existem coisas que estão além do nosso alcance e, as que não estão, precisam de uma forcinha para serem conquistadas. “Tamoaê”.
- Queria que meu cabelo estivesse como há uns meses, antes de eu cortar. Mas eu tenho certeza que se eu não tivesse cortado estaria marcando horário no salão ou já teria cortado e daqui uns meses teria me arrependido, ou seja: ok.
- Queria pelo menos dois abraços do Lu por dia (daqueles que é só abraço mesmo), uns quatro beijões e uns pares de beijinhos.
- Queria comprar um shopping com tudo dentro e ficar uma semana sozinha nele, só me divertindo! Hehehe!
- Queria um monte de coisas que o dinheiro compra, como uma lipo e os dentes mais brancos do mundo, mas meu dinheiro anda curto e me contento com greve de chocolate e de massas e pasta dental Whitening.
- Queria uns dias de férias de mim, só pra querer voltar pra mim de novo e me sentir aliviada de eu ser eu e não outra pessoa. Só pra ter certeza, sabe?! Outro dia minha mãe perguntou se eu queria ser outra pessoa. Não queria não, mas seria legal saber como é. Se hoje eu pudesse escolher, queria um dia ser o Phelps, no outro o Eric Moussambani (lá nos 15 min de fama dele) e no outro eu mesma, mas com 9 anos, na aula de natação. Depois voltaria pra mim mesma hoje e pensaria “devia nadar”.
analogia
Poeta me desculpe, mas ganhar poema de você é fácil. Você faz isso com o pé nas costas. Desculpem-me também os floristas e jardineiros, não quero rosas vindas de vocês. Assim é fácil também. Eu sei, eu sei. Entendo que o compositor esteja me achando chata e desagradável por não aceitar uma música fresquinha feita para mim, não quero. É bom ganhar um cartão decorado com pincel e aquarela, mas não vindo de um artista. Aceitaria bombons comprados por um diabético que só conhece sabores salgados e uma melodia quadrada de quem não sabe tocar guitarra. Quero coisas sinceras e palavras que tenham tido dificuldade para sair, porque o medo estava fechando a garganta e as inseguranças travando a língua, mas elas conseguiram virar frases e olhares reais. Quero vento de ventilador e não de ar condicionado. Ontem comprei um vasinho de flores para mim.
20.8.08
a algum possível novo leitor
Amigo leitor, por favor, ignore os último posts. Li o que aparece até o fim desta barra de rolagem e assustei. Passeie pelo arquivo, que está aí, no menu lateral, lá pro fim, depois do calendário humano (legal, né?!).
Tá bom, vai ler? Beleza. Sou eu mesma, fazer o quê!? Mas no geral, sou mais legal, viu... Ó, passeia pelos arquivos, você vai ver, é sério. Não vou jurar por Deus porque é pecado. Mas eu juraria se não fosse!
Então, você vem sempre aqui? Não! Óbvio que não! Você é leitor novo, desculpe a ignorância. Nossa, acho melhor me despedir, a coisa anda feia. A saúde estava capengando, muitas preocupações, sabe como é, né?! A gente não pode ser 100% feliz toda hora, e olha, eu sou do tipo feliz mesmo nos dias tristes. Verdade! É que, também, o fim do ano está chegando, meu aniversário também e ando pensativa. É isso. Adoro fazer planos! Estou com várias promessas para a listinha, e você?
Então, mas eu já ia indo embora. Então tá, fica assim. A gente se fala.
Abração, lembranças pra família!
Vou trabalhar, tem bastante coisa pra fazer por aqui. Aí não? Putz, também né... dureza. Opa, já ia começar a puxar papo de novo...!
Bom, abração,
sucesso sempre!
Thais França
ps.: ei, você vem aqui de vez em quando! Curiosidade mata, né... viu que não era pra você e leu assim mesmo! Que cara de pau!
Tá bom, vai ler? Beleza. Sou eu mesma, fazer o quê!? Mas no geral, sou mais legal, viu... Ó, passeia pelos arquivos, você vai ver, é sério. Não vou jurar por Deus porque é pecado. Mas eu juraria se não fosse!
Então, você vem sempre aqui? Não! Óbvio que não! Você é leitor novo, desculpe a ignorância. Nossa, acho melhor me despedir, a coisa anda feia. A saúde estava capengando, muitas preocupações, sabe como é, né?! A gente não pode ser 100% feliz toda hora, e olha, eu sou do tipo feliz mesmo nos dias tristes. Verdade! É que, também, o fim do ano está chegando, meu aniversário também e ando pensativa. É isso. Adoro fazer planos! Estou com várias promessas para a listinha, e você?
Então, mas eu já ia indo embora. Então tá, fica assim. A gente se fala.
Abração, lembranças pra família!
Vou trabalhar, tem bastante coisa pra fazer por aqui. Aí não? Putz, também né... dureza. Opa, já ia começar a puxar papo de novo...!
Bom, abração,
sucesso sempre!
Thais França
ps.: ei, você vem aqui de vez em quando! Curiosidade mata, né... viu que não era pra você e leu assim mesmo! Que cara de pau!
a vida é linda depois da TPM
TPM é uma tristeza. Tudo fica cinza sem graça ou vermelho raivoso. As flores enchem a paciência e o sol é quente demais. A chuva é chata demais. O céu é azul demais. Mas ela vem todo mês e, felizmente, depois de um tempinho feito garota enxaqueca a gente (a maioria, pelo menos) volta ao normal. O otimismo tem seus três ou quatro dias de confinamento em um buraquinho pequeno, frio e escondido do cérebro, mas depois volta soberano. Ufa!
E viva as Olimpíadas! Viva o 41º lugar com 1 ouro e 5 bronze! Viva o cafézinho preto recém passado na garrafa térmica verde limão! Viva a limonada, que a gente faz, para não azedar a vida!
Estava ontem em frente ao meu prédio e ouvi duas velhinhas conversando. Uma baixinha, de vestido florido com destaque em azul e a outra um pouco mais alta, de calça de elanca e camiseta. Ambas devem estar na casa dos 70. A conversa foi mais ou menos assim:
(de vestido florido) – O que você achou da pintura do prédio?
(de calça de elanca) – Gostei, mas achei o azul apagado...
(de vestido florido) – Jura! Eu gostei, me lembrou o hospital municipal.
(de calça de elanca) – Então, as pessoas morrem lá, viu como a cor é ruim?
(de vestido florido) – Mas também tem muitas que nascem. Eu adorei!
Ou seja... qual seu referencial?
E viva as Olimpíadas! Viva o 41º lugar com 1 ouro e 5 bronze! Viva o cafézinho preto recém passado na garrafa térmica verde limão! Viva a limonada, que a gente faz, para não azedar a vida!
Estava ontem em frente ao meu prédio e ouvi duas velhinhas conversando. Uma baixinha, de vestido florido com destaque em azul e a outra um pouco mais alta, de calça de elanca e camiseta. Ambas devem estar na casa dos 70. A conversa foi mais ou menos assim:
(de vestido florido) – O que você achou da pintura do prédio?
(de calça de elanca) – Gostei, mas achei o azul apagado...
(de vestido florido) – Jura! Eu gostei, me lembrou o hospital municipal.
(de calça de elanca) – Então, as pessoas morrem lá, viu como a cor é ruim?
(de vestido florido) – Mas também tem muitas que nascem. Eu adorei!
Ou seja... qual seu referencial?
15.8.08
nem sólido, nem líquido
Sobre a mesa em L, uma bagunça generalizada. Teclado, mouse, apoio de punho, monitor 19” à frente. Caixinhas de som. Calendário colorido, porta-canetas coloridérrimo sem canetas, só um lápis, borracha, marca-texto e grampos de grampeador. Um carimbo com nome e função meio escondidinho. Uma lata de ervilha pintada de verde (é artesanato) abriga remédios para dor de cabeça e lixa de unha. Repara que aquilo é meio anti-higiênico...
Não move os braços. Um notebook emprestado ocupa quase todo espaço do lado esquerdo, onde também se encontra uma agenda sobre uma lista de ramais, que servem de apoio para o telefone preto, pesado e paquidérmico.
No espaço à direita, reservado para leitura e interação com quem senta à frente: jornal do dia, revista da semana, um guarda-chuva que deveria estar guardado há quatro dias e uma revista de quinta categoria comprada no fim de semana anterior.
Nas gavetas, papéis amontoados sem motivo, rascunhos escondidos e bisnagas de creme sem conteúdo ocupando espaço. Cada hora em um lugar, a garrafinha de água ainda tem lacre e os rins dela estão quase perdendo a função de filtrar. Talvez o cérebro também esteja em estado quase crônico de ressecamento. Uma vida medíocre é espelhada ali, abaixo dos óculos com armação nova e acima da lata de lixo ao lado da cadeira giratória laranja. Não acende a luz, liga o ventilador e fica sentindo seu estado de calefação ainda mais rápido.
Não move os braços. Um notebook emprestado ocupa quase todo espaço do lado esquerdo, onde também se encontra uma agenda sobre uma lista de ramais, que servem de apoio para o telefone preto, pesado e paquidérmico.
No espaço à direita, reservado para leitura e interação com quem senta à frente: jornal do dia, revista da semana, um guarda-chuva que deveria estar guardado há quatro dias e uma revista de quinta categoria comprada no fim de semana anterior.
Nas gavetas, papéis amontoados sem motivo, rascunhos escondidos e bisnagas de creme sem conteúdo ocupando espaço. Cada hora em um lugar, a garrafinha de água ainda tem lacre e os rins dela estão quase perdendo a função de filtrar. Talvez o cérebro também esteja em estado quase crônico de ressecamento. Uma vida medíocre é espelhada ali, abaixo dos óculos com armação nova e acima da lata de lixo ao lado da cadeira giratória laranja. Não acende a luz, liga o ventilador e fica sentindo seu estado de calefação ainda mais rápido.
13.8.08
às 14h20, no elevador
De longe notei a presença dela. Apesar de não passar de um metro e meio de altura, já era grande. Usava sandália com salto, tinha uma bolsa vermelha de verniz supermoderna e nos lábios contornados de rosa, muito gloss. Uma presilha de strass adornava os cabelos claros e um lenço de poás, o pescoço. Entrou no elevador com toda delicadeza e elegância que só uma verdadeira lady pode fazer notar e, educadamente, deu boa tarde a todos que também estavam ali, espremidos mais para o fundo. Os olhos brilhavam e percebi uma mistura de surpresa e timidez. Quando a porta se fechou e o solavanco se deu (coisa que só antigos elevadores ainda fazem com esmero) ela gargalhou e apertou firme a mão da mãe. Apesar de toda estampa, era mesmo só uma menininha que se divertia com algo novo e diferente. Com certeza, se não tivesse mais gente ali ela teria pulado, esquecendo que usava saia e que queria ser gente grande.
31.7.08
"Só um estantinho, por favor"
Não dá tempo de escrever, só de pensar, pensar e pensar. Isso é bom. Entre um intervalo e outro, o debate sobre o que é realmente importante.
"And love is not the easy thing
Is the only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind"
And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong
(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't steal it
No, they can't even feel it
Walk on! Walk on!
Stay safe tonight
You're packing a suitcase for a place
None of us has been
A place that has to be believed to be seen
You could have flown away
A singing bird in an open cage
Who will only fly, only fly for freedom

(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't deny it
Can't sell it, or buy it
Walk on! Walk on!
You stay safe tonight
And I know it aches
How your heart it breaks
You can only take so much
Walk on! Walk on!
Home!
Hard to know what it is
If you never had one
Home!
I can't say where it is
But I know I'm going
Home!
That's where the hurt is
And I know it aches
And your heart, it breaks
And you can only take so much
Walk on!
You've got to leave it behind:
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you feel
All this you can leave behind
All that you reason, it's only time
And I'll never fill up all I find
All that you sense
All that you scheme
All you dress-up
All that you've seen
All you create
All that you wreck
All that you hate
"And love is not the easy thing
Is the only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind"
And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong
(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't steal it
No, they can't even feel it
Walk on! Walk on!
Stay safe tonight
You're packing a suitcase for a place
None of us has been
A place that has to be believed to be seen
You could have flown away
A singing bird in an open cage
Who will only fly, only fly for freedom

(Chorus)
Walk on! Walk on!
What you got, they can't deny it
Can't sell it, or buy it
Walk on! Walk on!
You stay safe tonight
And I know it aches
How your heart it breaks
You can only take so much
Walk on! Walk on!
Home!
Hard to know what it is
If you never had one
Home!
I can't say where it is
But I know I'm going
Home!
That's where the hurt is
And I know it aches
And your heart, it breaks
And you can only take so much
Walk on!
You've got to leave it behind:
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you feel
All this you can leave behind
All that you reason, it's only time
And I'll never fill up all I find
All that you sense
All that you scheme
All you dress-up
All that you've seen
All you create
All that you wreck
All that you hate
22.7.08
agora, vai!
11.7.08
o ladrão

Chegou em casa esbaforido com a mochila pesada já nas mãos, fora dos ombros doloridos. Foi tirando a roupa pela casa e chutou os sapatos pra cima; o cachorro veio de encontro com o rabo abanando, brinquedo na boca, euforia. Não ganhou atenção alguma. Seu dono queria dormir. Correu pro quarto e se jogou na cama desarrumada e empoeirada, devido à janela aberta há três dias; janela que interligava a segurança de um cômodo escuro à claridade e movimento de ônibus, carros e pessoas da avenida.
Jogou-se na cama e cobriu o rosto com a coberta, como fazia em tempos nos quais seus pés ficavam longe do final do colchão. (Um tempo distante, quando medo de lagartixa era um segredo vergonhoso. “E se alguma subisse por ele durante a noite? Essas danadinhas geladas e esquisitas adoram a calada da noite, eu sei...”. A solução era cobrir-se todinho e se certificar de que o lençol não oferecia nenhuma brecha).
Pois, 100% coberto e imóvel fechou os olhos e logo dormiu. Rolou de um lado para o outro, rangeu os dentes, teve pesadelos, suou, chorou. Acordou e passou a mão no espaço ao lado. Sentia falta. Sentia falta de sua inocência e sabia que nunca mais a recuperaria. O cachorro mordeu e rasgou toda a mochila, deixando em evidência a culpa, que não o havia deixado dormir em paz. Olhou para o chão e viu os livros e discos preferidos dela ali. Vingança vã do que ela havia feito: roubado suspiros, sorrisos e coração. Ela não devolveria, ele também não. Agora, cada folha de cada livro amarelado lhe contaria uma história e cada faixa de cada disco embalaria seus momentos sórdidos. Ele tinha se tornado um ladrão para sempre. De uma vez por todas o medo de lagartixa havia sumido e dado lugar a um medo maior, o medo de fraquejar.
30.6.08
retrospectiva
Quando eu era criança eu ia a pé pra escola, corria e andava de bicicleta a tarde toda e os fins de semana inteiros pelo condomínio onde morava. Era uma rua fechada extensa e, no final dela, havia uma área de lazer com piscinas e quadra de grama. A gente ia da portaria até a quadra e da quadra até a portaria inúmeras vezes. E sem tênis com amortecedor, era de havaianas mesmo (aquelas antigas, azuis, pretas, verdes ou amarelas, sempre com branco). No meio do corre-corre brincava de pular corda, pular elástico, esconde-esconde, “baleado” (como chamam Queimada na Bahia). Não era raro eu passar mal e ter que tomar injeção de Dramin (tenho alergia a Plasil) para cessar o vômito. Mais tarde descobrimos que eu tenho prolapso na válvula mitral, o que é um probleminha sem muita importância, que não vai me matar, mas que me fez levar no bolso um atestado médico para não prática de Educação Física a vida toda. Ok, mesmo assim eu jogava vôlei na rua. E continuava ligada na tomada.
Entre 11 e 17 anos eu andava mais de 15 km por dia em terreno acidentadíssimo (quem conhece Itatiba entende o quanto o superlativo foi cabível). Quando conquistei minha carta de motorista (hoje sou pilota) e logo após entrei na faculdade e consegui um estágio, o sedentarismo poderia ter me pegado, mas resisti. Conheci as delícias de um choppinho vez ou outra, de um vinho bem descansado e, com dinheiro próprio, pude comprar inúmeras guloseimas inexistentes no meu então cardápio, graças à triagem da minha mãe. Com todo este novo mundo a meu bel prazer, poderia ter me entregado, mas não. Resisti e entrei numa academia. Comecei a trabalhar e meu trabalho me fazia caminhar bastante e, numa correria total, minhas panturrilhas tornavam-se as mais bonitas já vistas.
Tudo isso acabou. Preciso fazer alguma coisa, virei rainha do escritório sem direito AB Toner. Sim, este post ficou chato e acabou de repente. Ficou chato porque é assim que estou hoje. E ponto. Um bom dia pra você.
Entre 11 e 17 anos eu andava mais de 15 km por dia em terreno acidentadíssimo (quem conhece Itatiba entende o quanto o superlativo foi cabível). Quando conquistei minha carta de motorista (hoje sou pilota) e logo após entrei na faculdade e consegui um estágio, o sedentarismo poderia ter me pegado, mas resisti. Conheci as delícias de um choppinho vez ou outra, de um vinho bem descansado e, com dinheiro próprio, pude comprar inúmeras guloseimas inexistentes no meu então cardápio, graças à triagem da minha mãe. Com todo este novo mundo a meu bel prazer, poderia ter me entregado, mas não. Resisti e entrei numa academia. Comecei a trabalhar e meu trabalho me fazia caminhar bastante e, numa correria total, minhas panturrilhas tornavam-se as mais bonitas já vistas.
Tudo isso acabou. Preciso fazer alguma coisa, virei rainha do escritório sem direito AB Toner. Sim, este post ficou chato e acabou de repente. Ficou chato porque é assim que estou hoje. E ponto. Um bom dia pra você.
25.6.08
Eu quero morrer como a Ruth Cardoso
Eu quero morrer como a Ruth Cardoso, rápido, sem esperar.
Eu quero morrer e ter meu marido chorando pela morte ter nos separado. Calado por lágrimas quentes derramando um choro morno em minha presença apagada. Emudecido pela falta de meu espírito num corpo morto dentro de um caixão sem cores.
Eu quero uma morte romântica, triste e sóbria, como a de Ruth Cardoso.
Eu quero morrer com rugas semelhantes às de dona Ruth. Quero que elas representem uma coleção de feitos. Quero morrer falando com um filho, quero morrer sem tempo de me despedir. Quero morrer por meu coração ter trabalhado além da conta.
Eu quero morrer como a Ruth Cardoso, sendo eu e não primeira dama. Eu quero morrer com minha história de vida calcada em pedra. Eu quero morrer sendo sócia de uma vida conjunta, quero ser completude e relevância para mais de pelo menos meia dúzia de pessoas, sendo isso reconhecido por não ter sido metade, mas meu todo.
Eu quero morrer sem óculos, como a Ruth Cardoso. Eu quero não precisar ver a última cena. Quero só sentir o alçar vôo das asas da minha alma pelo impulso das minhas pernas.
Eu quero morrer e ter meu marido chorando pela morte ter nos separado. Calado por lágrimas quentes derramando um choro morno em minha presença apagada. Emudecido pela falta de meu espírito num corpo morto dentro de um caixão sem cores.
Eu quero uma morte romântica, triste e sóbria, como a de Ruth Cardoso.
Eu quero morrer com rugas semelhantes às de dona Ruth. Quero que elas representem uma coleção de feitos. Quero morrer falando com um filho, quero morrer sem tempo de me despedir. Quero morrer por meu coração ter trabalhado além da conta.
Eu quero morrer como a Ruth Cardoso, sendo eu e não primeira dama. Eu quero morrer com minha história de vida calcada em pedra. Eu quero morrer sendo sócia de uma vida conjunta, quero ser completude e relevância para mais de pelo menos meia dúzia de pessoas, sendo isso reconhecido por não ter sido metade, mas meu todo.
Eu quero morrer sem óculos, como a Ruth Cardoso. Eu quero não precisar ver a última cena. Quero só sentir o alçar vôo das asas da minha alma pelo impulso das minhas pernas.
16.6.08
Para voltar
A temperatura até que estava alta para uma tarde de meados de junho, mas a sensação térmica pedia por uma blusa de manga comprida reforçada, já que o vento bagunçava os cabelos e assoviava alto ao pé do ouvido. Entrei no carro e, como pouco gosto de fazer, fechei o vidro da minha janela. Recostei a cabeça nele e observei os pedaços de chão entrando embaixo do carro em movimento, ou, sob outra perspectiva, o carro passando por cima da rua cheia de pegadas, passos, marcas, freadas, histórias. Tanto faz. Vi bicicletas, pessoas correndo, algumas paradas também passaram. Passou um posto de combustível, uma doceria, uma lanchonete. Passava tudo quase tão rápido quanto a minha presença em cada um daqueles trechos de cidade.
O sol estava se pondo e as nuvens, que pedrentas explicavam que haveria chuva ou vento no fim do dia, também já tinham deixado claro que não iriam permitir que a bela estrela desse seu adeus com ar glorioso. Ele daria lugar para a lua (que já dividia o lado oposto do céu desafiando sua majestade) sem despedir-se formalmente, sairia à francesa. Mas, de forma tímida, como que para não desapontar, preparou uma surpresa. Quando o carro seguia por mais uma rua, que levaria para a saída da cidade, dezenas de plátanos com folhas avermelhadas pelo outono nos davam tchau. Mesmo fraco, o sol abençoou as árvores magras com uma cobertura dourada imortalizando um momento que, até então, era simplesmente uma passagem por cenários urbanos comuns e confundíveis.
O sol estava se pondo e as nuvens, que pedrentas explicavam que haveria chuva ou vento no fim do dia, também já tinham deixado claro que não iriam permitir que a bela estrela desse seu adeus com ar glorioso. Ele daria lugar para a lua (que já dividia o lado oposto do céu desafiando sua majestade) sem despedir-se formalmente, sairia à francesa. Mas, de forma tímida, como que para não desapontar, preparou uma surpresa. Quando o carro seguia por mais uma rua, que levaria para a saída da cidade, dezenas de plátanos com folhas avermelhadas pelo outono nos davam tchau. Mesmo fraco, o sol abençoou as árvores magras com uma cobertura dourada imortalizando um momento que, até então, era simplesmente uma passagem por cenários urbanos comuns e confundíveis.
Felicidade é aquele milésimo de segundo que você repara que você está no lugar certo, com a pessoa certa, na hora certa, com um frágil raio de sol iluminando seus olhos para que, além de mais brilhantes, eles sejam capazes de refletir aquela eufórica sensação de privilégio em slow motion, esquentando o mundo inteiro sem mesmo precisar se mover. O duro é que, se você não perceber este milésimo de segundo, nada fará sentido e felicidade será uma palavra que rima com caridade, maldade, ansiedade, e mentira, não verdade.
4.6.08
Dia dos Namorados

Perfumou-se, colocou uma bela saia e sapatos bem lustrados. Conferiu o presente ainda dentro da sacola. Laço amassado, desfez e refez com a fita de cetim já marcada. Não ficou bom, tirou, passou com o ferro meio morno. Laço novo. Ele chegou para buscá-la com flores. Ela entregou a caixa e ele disse ter adorado os finos lenços bordados. Foram ao cinema e ele a deixou em casa antes das 10h da noite, como impôs o pai. Dois meses depois ele se foi sem volta, e já faz mais de 50 anos. Suspira de saudades, foi seu último Dia dos Namorados acompanhada.
Escreveu um bilhetinho numa daquelas folhinhas quadradas de bloquinhos de papel de propaganda. Não gostou, amassou. Escreveu outro, mas as linhas imaginárias ficaram tortas. Amassou. Resolveu mudar também a mensagem. “Hummm, má idéia”; amassou. Deu-se conta de que estava escrevendo a lápis, "como assim?!". Amassou de novo. Quando pegou a caneta, escreveu as calculadas frases e assinou... "puxa, ficou ótimo!". Ao entregar com rosas colhidas no jardim, a moça leu: “Eu amo você. Eu amo você. Eu amo você, meu amor.”
Ele era diferente. Ele era tudo. Ela queria algo especial. Com um mês de antecedência vasculhou cada prateleira de cada loja de cada rua da cidade. Não encontrou nada. Como dar uma camisa, para alguém de olhos tão brilhantes? Como dar um isqueiro, um chaveiro, um objeto qualquer, para alguém tão sensível. “Já sei! Farei um presente com minhas próprias mãos!”. Comprou retalhos de linho branco e bege, linha azul petróleo. Cortou e costurou o tecido. Bordou as iniciais do nome dele. "Perfeito". O Dia dos Namorados seria comemorado no cinema, com Cantando na chuva, para ficarem bem pertinho, sem o pai contestar.
25.4.08
Um dia diferente no corredor esquecido
- Olá, preciso fotografar os quadros que estão no auditório do térreo, onde está a chave?
- A sala está reformando, os quadros estão embalados um a um e colocados em ordem, não posso liberá-los. Vai que você embaralhe a ordem. E além do mais é um trabalhão embalar com o jornal novamente. Você entende, senhora?
- Faremos o seguinte, você acompanha o processo para eu não correr o risco de bagunçar seu trabalho e eu não toco em nenhum quadro. Mas preciso fotografá-los. É para um projeto do prefeito e o fotógrafo está aqui; descemos em 15 minutos.
Assim que eu e o fotógrafo chegamos ao subsolo e fomos até o local combinado, um corredor mal cuidado que dá acesso à garagem e é usado por poucas pessoas, em geral funcionários de manutenção e limpeza, percebi que as três pessoas que nos esperavam sentiam-se importantes. Logo entendi: os egos inflados orgulhavam-se por estarem atendendo a uma necessidade do prefeito, autoridade máxima da cidade, mas mais importante, autoridade máxima na hierarquia respeita por eles, que estavam na base.
“Puxa, se você tivesse pedido antes a gente já preparava tudo, tirava os jornais, deixaria aqui em ordem. Dá um trabalho fazer isso!”, disse o responsável pelo almoxarifado, valorizando o serviço. Logo, uma mulher simples com crachá indicando fazer parte da equipe, e um senhor corcunda e aparentemente fraco e cansado, com a mesma insígnia no peito, começaram a trazer os pacotes. Quis ajudar, eles não deixaram. Era serviço deles. O superior ordenou que não tirassem da ordem e fossem desembalando com cuidado para que o durex não se perdesse, e pudessem ser novamente embrulhados e guardados. Era assim que ficariam até que o auditório em reforma estivesse pronto. Só então poderiam voltar a ocupar seus distintos lugares na parede, onde marcavam a trajetória de toda uma cidade.
Era quase 11h da manhã quando isso acontecia. Enquanto o fotógrafo fazia as imagens com cada quadro deitado no chão, naquele corredor acimentado, frio e visivelmente sujo, a equipe da limpeza começou a chegar para bater o cartão de ponto. Era hora do almoço deles. Ao verem o corredor abandonado, agora repleto de muito jornal amassado e os 32 grandes quadros no chão, percebi que os olhos de todos brilhavam. Algo novo acontecia ali.
Um começou a contar que conhecia tal passagem histórica relacionada àquele quadro, outro se gabava por conhecer algo mais antigo. Um deles, um dos mais antigos de casa, apontava que se parecia com uma das personalidades ali emolduradas. Outros só riam da cena. O fotógrafo, para eles, era uma personagem envolta em mistérios. O que fazia fotografando fotos? Para quê serviriam? O que ele faria com elas? Por que a atividade estava sendo feita ali, naquele corredor esquecido, longe dos mármores e revestimentos de boa qualidade que os outros todos andares do prédio ostentavam? Não demorou muito, a curiosidade foi rompida: “Pessoal, podem passar por aí com cuidado. O moço está fazendo um serviço pro prefeito!”.
Pronto! Todos queriam ajudar e logo foram colocando a mão na massa. Os que sobraram fingiam desprezo e saiam indignados com os outros, que ao invés de almoçar, estavam ali, embalando quadros em jornal velho. Pura inveja. Engoliam seco a vontade de carregar até o almoxarifado pelo menos um daqueles objetos. Os que conseguiram uma peça para embrulhar sorriam e comentavam bobeiras sobre a prefeitura, a cidade, a história, o amor pela terra, pela região. Naquele momento, o corredor esquecido, com pessoas esquecidas em suas profissões e quereres, experimentava um pouco de glória.
- A sala está reformando, os quadros estão embalados um a um e colocados em ordem, não posso liberá-los. Vai que você embaralhe a ordem. E além do mais é um trabalhão embalar com o jornal novamente. Você entende, senhora?
- Faremos o seguinte, você acompanha o processo para eu não correr o risco de bagunçar seu trabalho e eu não toco em nenhum quadro. Mas preciso fotografá-los. É para um projeto do prefeito e o fotógrafo está aqui; descemos em 15 minutos.
Assim que eu e o fotógrafo chegamos ao subsolo e fomos até o local combinado, um corredor mal cuidado que dá acesso à garagem e é usado por poucas pessoas, em geral funcionários de manutenção e limpeza, percebi que as três pessoas que nos esperavam sentiam-se importantes. Logo entendi: os egos inflados orgulhavam-se por estarem atendendo a uma necessidade do prefeito, autoridade máxima da cidade, mas mais importante, autoridade máxima na hierarquia respeita por eles, que estavam na base.
“Puxa, se você tivesse pedido antes a gente já preparava tudo, tirava os jornais, deixaria aqui em ordem. Dá um trabalho fazer isso!”, disse o responsável pelo almoxarifado, valorizando o serviço. Logo, uma mulher simples com crachá indicando fazer parte da equipe, e um senhor corcunda e aparentemente fraco e cansado, com a mesma insígnia no peito, começaram a trazer os pacotes. Quis ajudar, eles não deixaram. Era serviço deles. O superior ordenou que não tirassem da ordem e fossem desembalando com cuidado para que o durex não se perdesse, e pudessem ser novamente embrulhados e guardados. Era assim que ficariam até que o auditório em reforma estivesse pronto. Só então poderiam voltar a ocupar seus distintos lugares na parede, onde marcavam a trajetória de toda uma cidade.
Era quase 11h da manhã quando isso acontecia. Enquanto o fotógrafo fazia as imagens com cada quadro deitado no chão, naquele corredor acimentado, frio e visivelmente sujo, a equipe da limpeza começou a chegar para bater o cartão de ponto. Era hora do almoço deles. Ao verem o corredor abandonado, agora repleto de muito jornal amassado e os 32 grandes quadros no chão, percebi que os olhos de todos brilhavam. Algo novo acontecia ali.
Um começou a contar que conhecia tal passagem histórica relacionada àquele quadro, outro se gabava por conhecer algo mais antigo. Um deles, um dos mais antigos de casa, apontava que se parecia com uma das personalidades ali emolduradas. Outros só riam da cena. O fotógrafo, para eles, era uma personagem envolta em mistérios. O que fazia fotografando fotos? Para quê serviriam? O que ele faria com elas? Por que a atividade estava sendo feita ali, naquele corredor esquecido, longe dos mármores e revestimentos de boa qualidade que os outros todos andares do prédio ostentavam? Não demorou muito, a curiosidade foi rompida: “Pessoal, podem passar por aí com cuidado. O moço está fazendo um serviço pro prefeito!”.
Pronto! Todos queriam ajudar e logo foram colocando a mão na massa. Os que sobraram fingiam desprezo e saiam indignados com os outros, que ao invés de almoçar, estavam ali, embalando quadros em jornal velho. Pura inveja. Engoliam seco a vontade de carregar até o almoxarifado pelo menos um daqueles objetos. Os que conseguiram uma peça para embrulhar sorriam e comentavam bobeiras sobre a prefeitura, a cidade, a história, o amor pela terra, pela região. Naquele momento, o corredor esquecido, com pessoas esquecidas em suas profissões e quereres, experimentava um pouco de glória.
23.4.08
presente de aniversário

Queria poder te comprar todas as motos velozes do universo.
Queria encomendar no mercado negro a melhor guitarra e que ela viesse com um chip de aprendizado, como naquele filme.
Queria também que o note mais poderoso do mundo custasse R$ 1,99, para eu poder te comprar uns 10 de uma vez.
Queria que todo dia a gente pulasse juntos daqueles 53m de altura, pra que você gritasse o que você gritou bem alto, sempre, cada dia desafiando mais a sua garganta.
Queria muito encontrar uma lâmpada mágica e, quando esfregasse, surgisse um gênio. Eu ia pedir que nós fôssemos para uma ilha deserta pelo menos uma vez por mês, que ele conseguisse carros maravilhosos para passearmos com os cabelos ao vento e que me desse controle para eu nunca mais te fazer chorar.
Não sei o que comprar com o pouco dinheiro que eu tenho. Um disco do Legião ou dos Beatles não seria suficiente. Do Metalica seria muito anos 80, do ACDC, pelamor, não gosto.
Que nem criança fazendo desenho com lápis de cor ou dando uma foto pra mãe como se fosse o máximo, vou embalar um sorriso e te dar de presente. E ele vai se repetir todo dia, cada vez que você olhar para ele. Um dia será um sorriso tímido, outro, um sorriso bobo, outro, um sorriso aberto, outro, um sorriso malandro, outro, um sorriso sedutor, outro, um sorriso triste, para você puxar e deixá-lo feliz, à sua moda. Espero que você goste. É de todo meu coração.
carta de amor
Meu amor, eu amo você. Você estava lindo hoje. Meu coração pulou quando te vi de azul. Me desculpa não fazer o trabalho com você hoje, precisei mudar de grupo porque a chata daquela menina falou pra todo mundo que eu estava namorando com você e eu não queria que soubessem. Viu, não fica chateado. Mas também não manda bilhetinho na sala, porque eles vão descobrir que é verdade (estou mandando esse porque sou discreta). No recreio a gente se encontra na frente da 6ª A, porque ninguém fica lá nessa hora, porque fica longe da cantina.
Queria te falar mais uma coisa... Adorei quando você estava indo embora e desenhou um coração no ar! A sua mãe estava perto e não viu, foi superlegal, ninguém viu, só eu. Eu tenho certeza que a gente vai ser muito feliz e que aquela chata não vai atrapalhar dizendo pra todo mundo que sou eu quem escrevo as redações para você e é você quem faz minha lição de matemática. Eu amo você.
Viu, mais uma outra coisa. E essa é séria. Ainda não estou preparada para dar beijo de língua. Você pode esperar até o mês que vem? Aí te dou uma resposta de quando acho que farei isso. Vou procurar no Google se não é anti-higiênico. Eu sei que todo mundo faz isso, mas seilá.
Mil beijos, te amo, te quero e te desejo mais que tudo! Quero casar com você daqui 10 anos mais ou menos.
Assinado, sua namorada secreta da sua sala, 5 ª B.
Queria te falar mais uma coisa... Adorei quando você estava indo embora e desenhou um coração no ar! A sua mãe estava perto e não viu, foi superlegal, ninguém viu, só eu. Eu tenho certeza que a gente vai ser muito feliz e que aquela chata não vai atrapalhar dizendo pra todo mundo que sou eu quem escrevo as redações para você e é você quem faz minha lição de matemática. Eu amo você.
Viu, mais uma outra coisa. E essa é séria. Ainda não estou preparada para dar beijo de língua. Você pode esperar até o mês que vem? Aí te dou uma resposta de quando acho que farei isso. Vou procurar no Google se não é anti-higiênico. Eu sei que todo mundo faz isso, mas seilá.
Mil beijos, te amo, te quero e te desejo mais que tudo! Quero casar com você daqui 10 anos mais ou menos.
Assinado, sua namorada secreta da sua sala, 5 ª B.
18.4.08
só se fala nisso
A mãe chorou na missa, tá salva. O pai é homem, tudo bem não chorar.
“Mostra, câmera! Ela não chora, a madrasta não chora!”
Cara, pelo jeito ela vai ser presa, está em estado de choque, só esperando a sentença, com um fio de esperança de o caso se reverter.
Lógico que ela não chora!
Ô povo latino de sangue quente!
Ô urubuzaiada!
Ô sensacionalismo pobre...
Ô sexta-feira que não acaba!
“Mostra, câmera! Ela não chora, a madrasta não chora!”
Cara, pelo jeito ela vai ser presa, está em estado de choque, só esperando a sentença, com um fio de esperança de o caso se reverter.
Lógico que ela não chora!
Ô povo latino de sangue quente!
Ô urubuzaiada!
Ô sensacionalismo pobre...
Ô sexta-feira que não acaba!
1.4.08

Odeio brigadeiro, odeio os chocolates todos.
Adoro legumes e dieta, assim como azeitonas e comida chinesa, mesmo que essas coisas não tenham muito a ver com as primeiras.
Adoro axé e Paulo Coelho.
Detesto comprar roupas e viajar, me cansam!
Adoro ficar sozinha nos finais de semana.
Tá, só pra não esquecer da brincadeira do 1o de abril. Quando era criança, era uma delícia essa baboseira :)
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