20.2.08

O dia que uma drag queen colou em mim

Semana passada vivi um dia tão fútil quanto divertido. Se não bastasse eu entrar na academia decorada com florzinhas e borboletas, com mulheres fazendo exercícios em aparelhos com estofados revestidos em corino rosa e lilás, passei por elas e fui direto a um banheiro transformado em camarim.

Afastei umas plumas pretas e outras brancas que estavam logo na porta e sentei num banquinho esperando minha vez. Duas mulheres já estavam maquiadas e sorriam muito, se olhando no espelho e se sentindo lindas. O maquiador, um gay alto astral (“lóóóógico”, pras duas características dele), olhou para mim e perguntou: “Você é a próxima, baby?”. Eu disse que sim. Ele deu um pulinho e falou: “Vou adorar maquiar essa pele de pêssego!”.

Em seguida, começou a contar que seus pincéis eram Mac e que o batom X rosinha claro cintilante ficaria perfeito em mim. Dei uma risadinha e falei que queria fazer as fotos com uma maquiagem bem branca e um batom bem escuro, para ficar diferente. Ele espantou e mandou: “Nãoooo, baby! Está louca! Vamos fazer algo bem light pra você ficar beeemmmm linda! Vou prender sua franja com umas presilhinhas e ficará show!”.

Eu bem que quis confiar nele, mas, juro, não deu. Minutos depois, a moça que estava na minha frente saiu da cadeira de "diva" e eu ocupei o lugar. Tirei os óculos, fechei os olhos e o maquiador começou a passar uma super massa corrida no meu rosto (pra quê? Eu não tinha uma pele de pêssego?). Depois, agarrou um estojo de sombras com uma expressão facial incrível e começou a pintar meus olhos. Olhos dele arregalados. Rímel “curvas intensas” para dar “mais charme” nos meus... “delineador de alta fixação” para não borrar, não marcar, não sair, não escorrer.

As mulheres já maquiadas e duas outras que estavam na fila olhavam para mim, que estava ali de olhos fechados e pescoço pra cima, e comentavam entre elas que eu estava ficando linda. Gostei daquilo. Estava achando que tinha acabado quando o maquiador me disse: “Pronto! Vamos agora dar acabamento!”. Aí, o franzino mestre dos pincéis Mac passou um blush com “toque bronzeado da Amazônia” (???), pintou meus lábios com o batom rosa “super-ultra-perfect” para mim e gritou: “Linda! Arrasou!”.

Feliz, achando que me transformara numa bela modelo de capa de revista internacional, me olhei no espelho e não me vi, mas uma viçosa drag queen!

Tá. Ri muito. Olhei para as já maquiadas e elas estavam com maquiagens idênticas a minha. Mesmas cores, mesmo batom rosa super-ultra-perfect. Como já havia espiado o resultado do book fotográfico de outras, e havia gostado muito, dei uma aliviada e pensei que “devia ser maquiagem especial para a luz do estúdio e que tudo daria certo”.

Em uns minutinhos, já era minha vez de encarar os flashes. Entrei tímida no estúdio e aos poucos fui me soltando. Pra começar, quis colocar “um pouco de mim ali”, como sugeriu o fotógrafo, como se eu não fosse eu (teria ele percebido que não era eu, mas uma drag queen que havia colado em mim?). Soltei as presilhinhas, baguncei a cabeleira, puxei a franja pra frente. Todas as mulheres tinham as poses dirigidas pelo fotógrafo, mas eu teria as minhas poses! As minhas caras e bocas! Legal!

Comecei com nível begginer de dificuldade e fiz cara de louca. Depois, progredi na escala e fiz cara de boba. Seguiu cara assustada, cara de menininha do interior passando frio, cara sexy (com direito a ventilador para propaganda de shampoo), cara de má, cara de pilantra, cara de sofrida, cara de feliz, cara de muito feliz, cara de sapeca, cara de pensando na vida, cara de personal trainner (com a camisetinha da academia), cara de sou a Vera Fischer no auge.

Saí de lá me achando uma diva de sucesso e não mais uma drag queen. No dia seguinte veria o resultado e poderia comprar fotos extras (a academia daria só uma com a camisetinha deles). Pensei “puxa, isso vai sair caro. Vou me controlar e escolher no máximo dez, dependendo do preço...”.

Dia seguinte fui correndo ver o meu book “ma-ra-vi-lho-so”, como me garantira o maquiador. Para minha felicidade, das mais de cem, gostei de apenas três fotos, sendo que uma delas estava com um filtro roxo e preferi não comprar. Quem fez as caras e bocas foi a drag queen... eu não estava enganada! Uma delas ficou boa e comprei porque a blusa azul deu um contraste legal com o batom rosa super-ultra-perfect. Os olhos não apareciam (ufa! nada de drag). Podia ter ficado triste, mas saí me achando incrível: me livrei da drag que colou em mim no dia anterior, não precisei gastar com várias fotos extras (descobri que cada uma sairia por R$ 52) e minha pele continua boa. Sem massa corrida, ela realmente parece um pêssego! Oh!

19.2.08

textinho da mamãe

Devo meu gosto pela escrita e leitura à minha mãe. Além de sempre preferir suspenses e bons autores para companhia, ela vez ou outra escreve algo. Fazia tempo que não lia nada que não fosse um discurso para alguém, uma palestra, uma oratória. Eis que recebo por e-mail um textinho muito bonitinho. Despretensioso, simples, curto. Achei uma graça. Está aí, ó:




Aos poucos, como se tivesse dificuldade para avançar, ela deu um passo a frente, perturbada, pois não era de seu feitio ser tão curiosa. A estranha sensação de estar interrompendo algo muito íntimo fez com que ela tivesse a vontade de voltar correndo e novamente esconder-se debaixo da cama. Mas, não, ela não iria fazer isso, afinal, era a primeira vez que a cena se desenrolara na frente dela e não poderia passar em branco. Ela deu voltas, se aproximou devagarzinho, observou, esticou-se o máximo que pode e espiou.

É aí, então, que seu coração se acelera com o movimento brusco e, com susto, ela se desprende do chão e corre em direção ao nada, fugindo do desconhecido, sonhando acordada com o aconchego dos braços que ela ama. Mas o barulho na sala continua. A curiosidade volta com força total e, numa carreira graciosa, ela se atira sobre as pombinhas que invadiram nossa sala de jantar e abana o rabo satisfeita.

é o fim...

- População de Kosovo abre os olhos e se vê construindo (enfim) um país já em pé de guerra;
- Fidel renuncia antes de completar Bodas de Ouro com Cuba;
- Bush dança mexendo o pescoço tipo Fat Family, na África;
- Folha publica editorial na capa, continuando a guerra fria que envolve processos, fanáticos, Edir Macedo e seu cofre do Tio Patinhas;
- Reinaldinho ex-Fenômeno estrupia joelho e em menos de uma semana nem sente mais dor;
- Lula acha que todo mundo acredita que ele quer investir na base da Antártida só para pesquisas...


Agora me diz... o mundo tá acabando?

13.2.08

se

Se você fosse um peixe eu moraria à beira mar, para não ter que te colocar num aquário.
Se você fosse um passarinho, eu construiria um viveiro enorme e lindo e deixaria as portas abertas para você entrar e sair quando quisesse.

Se você fosse um cachorro não cortaria suas orelhas. E eu compraria mimos e pasta de dente com gosto de carne. Você teria uma casinha de madeira bem espaçosa e eu daria comida escondido, quando você enjoasse da ração. Se você fosse um gato eu compraria uma caixa de areia em forma de coração. Você teria um novelo de lã novo sempre para brincar e não me aborreceria se você só aparecesse na hora das refeições.

Por sorte você não é um bichinho de estimação e nem cabe num tupperware, para eu te colocar na geladeira e te conservar pra mim. Por sorte você também não é planta, para eu matar de tanto colocar água, com medo que você morresse de sede. Por sorte você não é um menininho, para eu ter que te levar pela orelha até a casa da sua mãe. Você é um homem. E agora vai tocar violão pra mim.

sem boicotes


Ela só tinha medo de perder quando achava que tal coisa era realmente valiosa. Caso contrário, apostava na roleta russa, com certo receio da arma, mas num rompante de fôlego e coragem sempre apertava o gatilho na hora que titubeava.

Não era à toa, era um tipo de teste na linha do "se for pra ser, a bala não vai matar” ou “se for para machucar, que a bala perfure e exploda logo com tudo, diminuindo o tempo de espera do fim”.

Era sempre assim, mas todo sempre tem exceções. A última exceção tinha acontecido há muito tempo, depois, numa segunda possibilidade de aparecer, passou por cima e pegou dois revolveres, para intimidar a exceção. Deu certo e ela não apareceu.

Mas, eis que surge um novo cenário. Eis que a exceção aparece. A cautela. Agora, enquanto ela beija o céu, espera que alguém a ataque pelas costas. Mas se segura e não lança mão do artifício que oferece chances de ser letal. Não quer que seja. E tem medo.

Dorme e sonha com o carro roubado, a família sumida, o emprego tomado, as plantas sem flores no quintal. Quando acorda, segura firme nas mãos a chave que abre o cadeado onde guarda a arma. Não quer levar mão da roleta russa. Não quer arriscar. Quer continuar a beijar o céu. E se ele se fechar, bem, é melhor se preocupar só depois.

11.2.08

o post da Dani

Estar longe de tudo e de todos nos possibilita sentir coisas verdadeiras. De quem eu realmente gosto? Do que realmente sinto falta? O que não faz a menor diferença? O que achava essencial e vejo que é desnecessário? Quem eu colocaria num potinho para guardar pra vida inteira?

Hoje conversei com uma pessoa essencial. Conversei não, troquei e-mail. E esse não conversar cara-a-cara, ao vivo e a cores fez muita falta. E-mail supre carências básicas, num grau de 0 a 10, 4, sendo bem otimista. Num parâmetro de 0 a bosta (bosta sendo = 10), o número sobe e vai pra 9 tratando-se de qualidade. Conversando pessoalmente um assunto puxa outro, o que por e-mail é complicado, a menos que se fiquem horas dando “enviar e receber”, mas não tem a expressão facial e todos os outros elementos de um contato teti-a-teti, né. Ruim.

Faz anos (isso, anos) que devo um post para minha amiga Danizinha. Hoje ela entrou no blog e ficou com ciuminho de alguns nomes citados em um post antigo, já expliquei o que aconteceu. Mas nada, nada muda o fato de a conversa com alguém tão especial ter sido feita por meio de teclas e ondas. É aí que me questiono muitas coisas. É aí que tenho súbita vontade de explodir tudo e assassinar o Bill Gates. Mas isso não resolveria. Aliás, não ia adiantar nada. E eu ainda ficaria sem emprego, pois trabalho nisso. Na net.

Não, não precisa me deixar um comentário, me ligar ou mandar um e-mail explicando as vantagens da WWW. Eu sei. As conheço bem. Mas que saudade de conversar com a Dani esticando o pescoço, roubar batatas fritas do prato dela no almoço, comer os bolos da mãe dela. Saber de detalhes do dia-a-dia que por e-mail não dá. Não rola. Não atende a demanda.

Queria fazer poesia, queria escrever algo bonito pra Danizinha. Mas ela vai ter que esperar mais (mais um ano?). Ando feliz com a vida, revoltada com a distância de bons amigos e fadada a escrever algo quase homossexual. Por isso, parei por aqui. Abaixo, só pra Dani.

Saudade Dani. Gipeta manda lembranças.
Aqui em São José estão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock´n roll
Uns dias chovem noutros dias bate sol
Mas o que eu quero te dizer
É que você faz falta pra cara... opa, pra caramba!

Beijão.

7.2.08

A casa da vó


No carnaval eu não corri atrás do trio e nem fiz trenzinho no salão. Não vesti fantasias e nem máscaras. Fui pro meio do mato do jeito que eu sou. Com sapato de verniz.

Claro que mato não é meu lugar e o sapato de verniz teve que ser lavado duas vezes. Atolei na lama e no esterco também. Na primeira, meus dedos sentiram o geladinho da terra úmida quando a lama entrou pela abertura da frente do sapato. Na segunda, por sorte, só dei uma escorregada. Aí, ganhei um tênis velho emprestado e pude adentrar pelo mato alto, que escondia insetos e outros bichos. A dona do tênis até já foi picada por cobra por lá.

Atravessando um pequeno trecho do mato pude ver um vale lindo. Estava no alto de uma montanha, em frente à casa onde morou a avó do meu namorado. Em frente a uma casa que guardava tantas lembranças quanto as teias de aranha que hoje tomam conta dos cantos.

O local está abandonado e ao entrar pela construção antiga e rústica, com tinta branca nas paredes e batentes azuis, não houve como não reparar na escuridão. Tudo vazio, tudo morto, tudo escuro. “Dá até dó. Uma judiação”, alguém comentou. Ao abrir as janelas, a luz entrou e clareou o que um dia foi uma sala de contar histórias, o que um dia deve ter reservado um sofá para aconchego e guardado brinquedos no chão.

A luz entrou, mas não clareou tudo. Clareou só o que se podia ver. Estava ali, mas não clareou o que um dia foi e estava na memória das pessoas que me apresentavam “a casa da vó”. Como a terra que entrou pelo meu sapato e todos puderam ver a sujeira encobrindo o verniz, mas só eu senti a lama úmida entre meus dedos, só eles sentiram a falta de calor daquele lugar que um dia guardou o sol.

Fugindo dos ‘’ante’’


Ando com uma preguiça para escrever absurda. Às vezes, geralmente quando pego um trecho maior que 15 minutos de carro, me vêm algo em mente, mas quando chego à frente do micro para escrever, tudo se esvai. Desfaz-se feito as nuvens que teimo em querer acreditar que são de algodão.

Um colega deixou por aqui o conselho de eu arranjar um “muso inspirador”, mas, sabe, acho que é porque arrumei um que não ando conseguindo escrever nada.

De fato, a melancolia, a tristeza e a solidão são grandes fontes de inspiração. A felicidade também é, mas como já sou piegas, se eu me ativer a este mote, o blog terá que mudar. Vou ter que colocar um fundo cor-de-rosa e ninguém conseguirá entrar mais aqui sem sentir açúcar na boca e coçando os olhos. E, na boa, isso não é legal. Enjoa, haja Dramin.

Então é isso. Por sorte ando feliz e muito feliz. Mas meu muso inspirador acabou com o blog! Vou me exercitar incorporando outros ‘’eu’’ e também aprender a escrever sobre coisas boas sem ser maçante, pedante ou irritante. Meu desafio agora é acabar com os ‘’ante’’, antes que o No mezanino seja fechado por placas de madeiras escuras com pregos grossos e enferrujados.

25.1.08

tá feio de ver...

O elefante cinza tinha saudade de quando era um elefante azul e chamava atenção das elefantinhas cor-de-rosa da selva. Hoje, sente-se um enorme elefante branco, sem utilidade nem respeito. Uma coisa e não mais um ser vivo. Um objeto e não mais de admiração, mas de desprezo.

Nah, pra onde vou com essa de elefante? Quem gosta de elefante? Eu mesma prefiro zebras e girafas, leões, elefante é desajeitado e... cinza! Vou escrever então de pessoas. Sim, porque, sendo uma pessoa, devo conseguir escrever algo mais decente sobre, ou que, pelo menos, tenha experimentado para poder sair algo coeso. Mas falar do que? Continuo com brancos preguiçosos. Vou é falar de nada. O como é bom não fazer nada e não se preocupar com páginas em branco, linhas sem letras, palavras com todos os acentos, pingos nos "i" e "t" cortadinho. Isso, vou abordar o "nada".

“Nada é bom, nadar também.” Tá vendo? Tá fogo! Não sai. Até o ano passado eu sentava na frente do micro sem nada em mente, olhava pro word e a estória baixava em mim e eu ia escrevendo, sem nem saber o fim, fluía! Agora... agora nada. E “nada” sem graça.

Me rendo. A preguiça internética ainda não me abandonou. Semana que vem eu tento de novo. Juro.

22.1.08

renovação


Sobras
Nacos de sujeira e de nada
Que um dia foi farto e
Sobra
Pedaços de mim com destino certo
Lixo
Lava com sabão
Deixa o sol esquentar
E celebra o que continua inteiro, mesmo mutilado.

14.1.08

Everything's gonna be alright

Volto hoje ao trabalho e só ontem fiz a manjada retrospectiva de 2007 e projetei meus anseios para este ano. Antes não deu tempo ou não quis ou fugi ou fingi achar balela (e é).

Tá tudo ainda entalado na garganta, mas há gritos mudos nas extremidades do corpo todo. Sorte que beijei na boca na virada. E que virada. E que bons dias de não descanso andando de lá pra cá. Delícia.

É isso aí, mais 360 e poucos dias para vivermos e morrermos mais um tiquin. Mais um emoldurado de 12 meses para procurarmos feriados (são poucos em dias úteis neste ano). São horas e horas pros ponteiros dos relógios darem voltas e infelizmente é a pilha que acaba e não a corda que temos que girar. Tempos modernos, tempos de liquidez em tudo. Dias quentes, vida que se esvai. E assim vai até 31-12.

Um tanto de angústia a todos e que muitos estalos de felicidade neste vamoscomeçartudodenovo(atéoanoquevem). Vai dar tudo certo. O copo está meio cheio.

Beijinhos!

28.12.07

vacaciones

... vuelvo sólo en 07-01-2008!
Blog parado!

besos (y perdón por no responder a los últimos recados)

21.12.07

Tá acabando o ano...

Não sou uma pessoa boa para julgar e elencar coisas. Pelo menos, hoje, evolui e consigo saber e jogar fora sem dó o que me faz mal, mas o que me faz bem eu abraço feito a Felícia e fico chateada em numerar... então, cito algumas coisinhas boas de 2007. Nada de listinha de dez mais, cinco mais.

O único prêmio de primeiro lugar é pro quesito “Fã e figura mais presente do blog No Mezanino”. Este, sem dúvida (e por isso sem consciência pesada em ser injusta) vai pro meu pai, que insiste em assinar “Seu pai, Paulo”, como seu eu tivesse outro. Ele demorou pra aprender a assinar o nome sem aparecer o “anônimo” e passa aqui direto, comenta e acha bom (ele acha de verdade, coruja, não finge não – ou eu acredito piamente nisso).


Troféu Ouro Branco (o melhor bombom do mundo) pra ele (não deveria merecer nada, na verdade, pois miguelou os olhos verdes pra mim e pra minha irmã).


Algumas cositas boas do ano:
Todos os filmes que vi. Vi vários e agradeço as oportunidades de ver alguns deles no(a) Reserva Cultural. Olhe para os dois lados (divertido, moderno, bom praca), Vermelho como o céu (fez chorar), O Passado, Paris Je T'Aime (talvez arrisque que foi o que mais me empolgou), Os visitantes (vi na Warner, um filme israelense, acho, muito massa), O Último Rei da Escócia (não foi à toa o Oscar), putz, só este ano vi Pequena Miss Sunshine e amei, chorei de rir; Não por acaso (poético), Malena (é de 2000, mas vi este ano e tive certeza de que, se eu pudesse escolher ser outra pessoa, mas com meu cérebro mesmo e tal, ele seria o da Monica Bellucci), O ano em que meus pais saíram de férias (a última frase do moleque no carro vale o filme inteiro, que já vale muito), tá, Tropa de Elite também! Lembrei desses, não fui atrás, então, acho que estes foram meus melhores. Agora estou louca pra ver (e cantar – agüenta a Thais!) Across the Universe.

Músicas: descobri várias (sim, muitas) bandas e tenho CERTEZA que refinei meu gosto. Destaque para Manic Street Preachers e Superbus.

Amigos e colegas: Os fiéis espetaculares; “elementos” da promoter Lia; casamento de amigas do peito; novos bacanas na terra do trampo; troca de baboseira (ou não) diária com ‘’blogueiros’’ (ahahahah odeio este nome nerd) do Haja Saco ( em especial Fabinho , menino bom e simpático), Carol, Fê, Biazinha, Kiara, Calebe-Teenager, Jungle, Mari, Daniella, Priscila, Tiago... se esqueci alguém, xinga!

Amor: Ainda bem que a gente tem alguma coisa parecida com isso na vida; toda perda tem um ganho; tudo que é sincero vale a pena.

Trabalho: Ralação, adaptação, um monitor maior porque estou cada dia mais cegueta.

Família: A melhor sempre.

Foram muitas as experiências em 2007, que foi bem melhor que 2006... ufa! Cabelos diferentes, explosão da cozinha, carro novo (mesmo que simprinho), contas e responsabilidades de quem mora sozinha, fins de semana corridos, novas pessoas, novas conversas, novas descobertas.

Desejo que 2008 supere qualquer expectativa... sempre esperamos isso. Um Ano Novo maravilhoso a todos!

ps.: tem tanta coisa legal pra escrever e este post ficou medíocre. Tô cansada... tô morta... amanhã a.p. das 17h30 estarei de férias! Ufa!

18.12.07

absurdinhos

- da mesma marca, determinada mochila custa R$ 879 e uma barraca R$ 399
- o álcool subiu 4 centavos em duas horas
- resolvi querer uma pochete
- amanhã vou pagar 5 ou 6 pedágios
- esqueci de pagar uma conta de R$ 0,53 e cortaram meu gás

nada a ver, só pensando alto...

Perplexo é uma palavra bonita. Soa bem. Assim como pelado soa legal e balela é engraçada porque enrola a língua se falada rápido demais. Gosto de perceber o som das palavras, talvez seja por isso que prefiro as ditas às não ditas. Palavras guardadas são desperdício de som. Paradoxalmente o silêncio é espetacular. Fica aí mais uma demonstração da minha indecisão para algumas coisas, libriana...

O que bate o martelo são os sentidos. Como brincar de “pedra, papel e tesoura”, o olhar cala, o tato faz falar, o cheiro emudece e a audição aguça a língua,; o paladar, no geral, impede que a boca seja usada pra outra coisa. E eu amo muito tudo isso, tipo slogan do Mc mesmo. E nesse 8 ou 80 meio que desequilibrado é que, insana, eu durmo em completa e incomparável paz.

17.12.07

Croniquinha ruim de Ano Novo*

Preparou-se para a noite do Ano Novo em 15 minutos apenas. Sabia que não seria muito diferente do ano anterior: meia noite ouviria fogos e cachorros uivando em conseqüência e as pessoas que estavam no prédio brindariam quase mais alto que os bêbados no salão de festas do térreo. Na TV, Copacabana estaria lotada e talvez virasse fumaça como no ano retrasado. A Paulista pipocaria em mil cores e em algum momento mostrariam o primeiro dia do ano nas demais capitais brasileiras, sem a mesma ênfase, mas com o mesmo entusiasmo de “ano novo, vida nova”. Pegou uma berma branca que comprou em promoção na C&A e uma camiseta escrito “E que venha o Ano Novo!” em letras douradas, que ganhou da mãe, que foi pra praia com amigos. A irmã deixou um par de havaianas (erroneamente dois números menores) com um bilhete “Vai passar em casa de novo, mané? Feliz Ano Novo!!!” e se mandou pra Floripa com as amigas. A cueca da sorte estava já meio velha, mas compôs o visu frankstein de reveillon. Tudo seria a mesma coisa. Abriu a porta do apê e colocou uma cadeira pra fora. Era só esperar a contagem regressiva, abrir o champagne barato, beber e dormir. Não atenderia ao telefone com os amigos gritando Feliz Ano Novo, ah, não ia mesmo. Tinha pavor disso.

Foi no shopping duas vezes por semana por quatro delas e não achou o que vestir. Queria algo que não fosse glamouroso, que não fosse praiano, que não fosse mambembe, mas que também não fosse especial. Não achou. Pegou a minissaia branca do ano anterior e uma regata branca meio desbotada. Deixou na cândida e ficou novinha. Pegou uma tinta prateada e fez uns rabiscos malucos. Rasteirinha de strass e beleza. Pronta pra ir pro bar com a galera. Antes, ia passar a virada em casa, pra fazer sossegada seu filminho mental ali, sem ninguém se intrometer ou falar merda. Gostava de azul, achava que não dava sorte só pras noivas, fez uma mecha no cabelo e esticou-se no sofá com uma taça de cristal numa mão e uma garrafa de Chandon na outra. Estava calor, foi abrir a porta.

O tapetinho listrado enroscou e ela foi pro chão. A saia subiu e o vizinho da frente arregalou os olhos. “O que que é? Nunca viu? Pode vir me ajudar?”. Na verdade ele já tinha visto sim, mas fazia tempo. Enquanto ele a ajudava a levantar, ela reparou nos calcanhares caindo pra fora dos chinelos. “Esse chinelo não é seu, né?”. “É sim, assim como sua saia”. Eles desataram a rir e a contagem regressiva começou. E foi assim que o cara da cueca velha beijou a mocinha da mecha azul e daí pra frente o corredor daquele andar nunca mais foi o mesmo. Depois disso Renato Russo mudou um pouco a verdadeira história e escreveu Eduardo e Mônica, que vocês já conhecem.

*Outro texto escrito para postar no blog dos coleguinhas do Haja Saco (o primeiro está aqui)

10.12.07

olhos de menino

Ele tem olhos de menino que corre atrás de pipas
Ele tem olhos de menino que não gosta de comer verdura
Ele tem olhos de menino que coleciona figurinhas
Ele tem olhos de menino que ganha o maior carrinho de todos no Natal
Ele tem olhos de menino que pula a janela pra brincar na rua
Ele tem olhos de menino que gosta mais do sorvete dos outros
Ele tem olhos de menino que vive cheio de ralados e esparadrapos pelo corpo
Ele tem olhos de menino que joga espelho embaixo da carteira da colega de saia
Ele tem olhos de menino que desamarra biquínis e puxa cangas na praia
Ele tem olhos de menino que rouba beijo da menina e depois de levar um tapão sai correndo dando risada
Ele tem olhos de menino que espia o que não deve pelo buraco da fechadura
Ele é grande. Ele tem olhos de menino.

6.12.07

aaaaaaaaaaaaaaa


a ansiedade é uma coisa terrível que corrói e faz o corpo padecer a gente quer tudo que é necessário pra hoje e tudo que é bom pra ontem e aí como não temos controle sobre o tempo a pele fica feia os cabelos caem as unhas desfiam e sai até herpes na boca outra coisa que também acontece é a língua fica boba e falar coisas absurdas tão rapidamente que não dá tempo de o cérebro censurar em algumas ocasiões isso acaba sendo ótimo mas em outras geralmente levamos um tapa na cara real verbal ou visual e todos doem ser ansioso é ruim a gente toma sorvete tão rápido que não dá tempo de sentir o sabor e fica só com dor nos dentes sensíveis e andamos tão depressa que nem percebemos a cidade iluminada com luzinhas e mil enfeites de Natal sorte que os ansiosos têm também conta pra pagar para poderem ser obrigados a parar pelo menos pra fazer somas e subtrações mas aí vem o boleto da passagem da viagem de férias e a ansiedade passa a perna novamente naquele ínfimo momento lúcido e se imagina as malas por fazer os acertos finais e a empolgação que está pra chegar como se uma torcida organizada balançasse pompons em volta de quem está ali com tudo na cabeça passando como um filminho em alta velocidade um filminho que ainda não foi gravado e que as cenas podem ser iguais piores ou melhores que aquelas ali ser ansioso é uma merda pois a gente nunca acerta a trilha sonora e nem faz uma fusão decente nas imagens até os créditos finais são atropelados e atropelado o momento entre o café e a volta pro trabalho que teima em atrapalhar todos os planos de dias tranqüilos e sem preocupações nem que durem só dez ou seja 240 horas sem dar uma de trator ao invés de passarinho feliz não dá pra ser acelerado igual ao Forest Gump e ficar barbudo daquele jeito

3.12.07

palitinho de picolé premiado vale mais um

Não te conheço. Não sei quem é você. Não sei se prefere Phebo porque limpa melhor ou Dove porque tem o bendito 1/4 de creme hidratante e não sei se prefere entrar na água do mar ou caminhar na areia. Não sei se é encrenca, não sei se é fantasia de monstro em parque de diversões. Não sei qual dos seus nomes combina mais com você, mas gosto do que cada um me faz pensar. Não sei muita coisa, e não é esse pequeno mistério que me impulsiona a querer descobrir mais, mas perceber que você é do tipo que sempre faz rir. Disso estou certa. E quem faz rir acumula créditos. É como provas de fim de semestre com peso 2 ou bolas de bilhar que valem mais. Quem faz rir é a bônus track da melhor música do álbum em versão especial ao vivo só com voz, banquinho e violão.

29.11.07

Sexta infame com tudo!



Me confessa... óbvio que você já sentiu uma orquestra de anjos tocando no seu coração, vai! vávává!

Essa música é incrível, inacreditável...
O comecinho é intraduzível... um "La da di da-da da-da da / Da-da da-da / La da di da-da da-da da" poético por demás! Número 5 num novo CD que deixo no carro...

Assista ao clipe e contemple esta bela obra dos anos 80. A corte é um sarro, mas o meu destaque fica pro back gordinho (nada contra, vê a cara dele) que estréia aos 1'01'' e faz entradinhas surpresas... e, claro, pra piscadela final! Sensacional!
Ah! tem um moleque tocando gaita também, enquanto outros voam (claro, são anjos!)

Boa sexta!

Must Be Talkin' To An Angel
Eurythmics

La da di da-da da-da da
Da-da da-da
La da di da-da da-da da
Da-da da-da, yeah

Main:
No one on earth could feel like this
I'm thrown and overblown with bliss
There must be an angel
Playin' with my heart, yeah

I walk in to an empty room
And suddenly my heart goes BOOM
It's an orchestra of angels
And they're playin' with my heart, yeah

Chorus:
Must be talkin' to an angel

Main

And when I think that I'm alone
It seems there's more of us at home
It's a multitude of angels
And they're playin' with my heart, yeah

Chorus

Bridge:
I must be hallucinating
Watching angels celebrating
Could this be reactivating?
All me senses dislocating?
This must be a strange deception
By celestial intervention
Leavin' me the recollection
Of your heavenly collection

(Instrumental)

Chorus repeats until fade