15.5.07

E eu me sinto sempre criança... *

Quando criança me projetava uma mulher independente, sempre de salto alto, com jóias finas no pescoço e aproveitando o pouco tempo livre longe do meu emprego – que me faria a mulher mais bem sucedida do mundo – para cuidar dos cabelos e pele em salões de beleza. Estaria sempre com um notebook cheio de informações e teria uma lista de bons contatos do ramo, uma agenda lotada de compromissos em lugares chiquérrimos e claro, teria um relacionamento estável com um homem à minha altura. Inteligente, com ótimo senso de humor, decidido, seguro e muito charmoso, ele me amaria incondicionalmente e entenderia minha rotina frenética.

Enfim, fazia a projeção de uma mulher bem diferente do que é minha mãe. Cresci, amadureci, escolhi uma profissão mais com o coração que com o cérebro e abortei o plano infantil. Hoje percebo que por mais diferentes que sejamos, cada vez mais me torno um pouquinho da minha mãe.

Quando me transporto para minha infância, sempre me vêm à mente as horas e horas que passavam despercebidas ao lado da minha mãe. Uma mãe que faz bolos e festa por si só. Uma mãe que agrada e dá chinelada se preciso. Uma mulher que sabe que está constantemente aprendendo e constantemente ensinando.

Procurei incessantemente uma palavra que resumisse minha mãe e que talvez se identificasse com a sua. Imaginei-me criança e pensei em “perfeita”, mas achei exagero. Ninguém é perfeito. Então, depois de me conscientizar da derrota para o dicionário da singularidade, resolvi descrever o que ela é com o resumo de boas imagens vindas da memória e do coração, memórias de criança que rodopiam sem formarem uma só palavra especial. Foi aí que acionei meu lado criança-piegas e arranhei alguns versos simplórios, sem enfeites e sem rima.


"Minha mãe é aquela mãe que toda criança quer ter
É levar para a escola, dar beijo de boa noite, fazer bolo de chocolate
Minha mãe é aquela mãe sábia na simplicidade
É o encontro de palavras certas, de frases confortantes, de gestos e abraços
Minha mãe é como brisa leve que acaricia os cabelos das pessoas puras
É mão aberta, é caridosa, preocupada e sempre disponível
É criança que brinca com chuva e faz chover sobre as flores fazendo tudo ficar mais bonito
É mágica que faz o amor brotar sobre todo rancor
É meu passado, meu presente, meu futuro e minhas entrelinhas. É parte de mim nela e parte dela em mim."


Reconheço que seria um absurdo eu tentar ganhar a vida escrevendo poeminhas, mas acho que consegui transmitir que minha mãe é doçura, é meu braço direito e um pouquinho da minha cara, do meu ser, da minha história. É um porto seguro que permite que eu me dispa de toda maturidade e auto-afirmações para que deite no seu colo e peça cafuné quando preciso. Ou quando não preciso, mas sinto vontade.

Aqueles que como eu têm a sorte e o prazer de ter mãe do tipo “mãezona” acabam sempre acreditando que possuem “a melhor mãe do mundo”, mesmo depois de descobrir seus inúmeros defeitos, suas inúmeras falhas e fragilidades. Acho que este ponto que intersecta o lúdico e o palpável, permitindo que sintamos um amor incondicional, junto ao reconhecimento de que a mais perfeita também é suscetível a erros, colabora para sermos mais tolerantes, mais fortes e também mais leves.

Infelizmente esta relação se torna cada vez mais rara por aí. É por isso que me sinto imensamente feliz e orgulhosa quando apresento a alguém ou cito esta mulher tão importante para mim. A sensação é a mesma de quando, alguns bons anos atrás, minha casa vivia cheia de colegas, somando entre cinco a dez por dia. Sempre ouvia da boca de todos (e ainda ouço), com uma invejinha: "sua mãe é muito legal, pôxa...". Nunca tive ciúmes do tempo que ela despendia ouvindo confidências, dando conselhos ou fazendo café forte com bolo de fubá para alguns e milkshake com bolo de baunilha para outros. Eu sabia que o amor dela e o beijo de boa noite eu só dividia com minha irmã.


*foto incluída às 21h45

4 comentários:

Elissa disse...

Nossa mãe é realmente maravilhosa!!!!!

Ficou lindo o texto!

beijaooo irmã!!!

Renata disse...

Seu versinho tá muito bom. Amolece o coração da gente e é sincero...
Essa mãe merece essa filha e essa filha merece essa mãe. Essa mãe é espelho e essa filha é reflexo... ou vice-versa. Simples assim!
Parabéns!

Daniella Harada disse...

queria viver de poemas também... mas acho que o blog é um meio de se fazer isso!
adorei o texto todo, sorte de nós que temos mães assim!
muito bom!

Anônimo disse...

QUERIDA AMEI SEU PERFIL FIEL,DECENTE,PIEGAS....SÓ NÃO SOU JORNALISTA...MAIS COPIEI SEU PERFIL PARA USAR NO MEU ORKUT...VOCÊ NÃO SE INCOMODA EM USAR SEU PERFIL POIS TEM TUDO HAVER COMIGO...SOU EXATAMENTE ASSIM...SÓ NÃO VIVO SEM AR CONDICIONADO... DESCULPA SE VC NÃO GOSTAR EU RETIRO DO MEU PERFIL...MAS ACHEI O MÁXIMO SUA CRIATIVIDADE...

BJO

CAROLINA PEREIRA