28.5.07

Nando Seixas Benigni Matogrosso*



Sábado fui ao show do Nando Reis, segunda apresentação em São Paulo do novo CD/DVD Luau MTV. Ele cantou algumas músicas novas, mas a maioria foi hits maravilhosos desde Marvin, ainda da fase áurea dos Titãs, até Sim, Sou dela e N, do recente álbum Sim e Não, de 2006 (aliás, um dos motivos deste novo CD não ter muitas faixas inéditas).

O cara canta muito. Muito mesmo. E além de cantar tem uma simpatia incrível, um jeitão esquisitão cativante e presença de palco. Falando nisso, quando a cortina se abriu e vi os músicos, notei a percussionista. Ela estava lá quietinha, quase se misturando aos instrumentos e demais objetos do palco, mas tinha algo, um certo sex appeal musical. Tinha e tem. Mais tarde descobri que era a Lan Lan, a mulher da Cássia Eller, sabe?! Ela está tocando com Carlos Pontual e sua turminha, que formam Os Infernais, caras muito bons também. Afinados e refinados (apesar de o tecladista ser bem bobo e parecer o Frank Aguiar).

O show é dividido em duas partes, uma total acústica, com todos sentadinhos e comportados, zen, e outra mais eletrizante, com mais jogo de luzes, movimentos extravagantes e acordes vibrantes. Das fotos que fiz, as que mais gostei foram essas aí, bem parecidas, por sinal, e da segunda parte do show.

No começo deu um pau na estrutura e o som ficou capenga. Nando Reis fez uma “embromation” superdescontraída e também mostrou que voz e violão são mesmo suas especialidades, junto das letras profundas e com raros refrões. Poesia musicada, prova de que para existir harmonia nem sempre é necessário ter rima nos versos.

Gosto muito do Sim e Não, mas, definitivamente, o meu álbum preferido é o Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro, de 2000. Nele estão as faixas All Star (“Estranho é gostar tanto do seu All Star azul”), Mantra (“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare”), No recreio (“Quer saber quando te olhei na piscina se apoiando com as mãos na borda”) e Relicário (“O que você está fazendo? Um relicário imenso desse amor”). Para ser melhor, só se tivesse também As coisas tão mais lindas, Não vou me adaptar e Dessa vez (dá uma vontade de chorar!). Dessas, ele só não cantou Não vou me adaptar.

Bom, escrevi demais e escreveria trocentos mil toques, mas preciso parar com essa compulsão. No geral, depois percebo que poderia subtrair mais de um parágrafo sem prejudicar o entendimento do texto (esse é um deles, ahahaahah). O show foi bom, bom mesmo, não matou ainda minha vontade de ir a um show, mas saciou um pouco a fome (a sede, né?!). Múltiplo e cheio de performances lombricóides estranhas, Nando Reis está meio Raul Seixas, Ney Matogrosso e Roberto Benigni. Um artista completo e maluco. A noite foi boa e na última música (Do seu lado) fui surpreendida com o melhor beijo dos últimos meses. Perfeito, ainda mais porque o imaginava exatamente daquele jeito, mas não que se concretizaria. Por tudo, valeu a entrada inteira, já que a meia tinha “acabado”.

Em tempo: dependendo do que perdoar eu não perdoo. Mas que é lindo e verdadeiro o último verso da música A minha gratidão é uma pessoa, isso é. "E estavam livres da perfeição que só fazia estragos".

* Atualizado às 21h50

3 comentários:

Fabio Chiorino disse...

boa crítica musical. Adoro Nando Reis, para desespero dos meus amigos. Em homenagem, tenho uma barbicha ruiva rs
beijão, Tha

Anônimo disse...

Thais
Nando Reis é um bom poeta mas como cantor é sofrível, muito ruim, pelo menos na minha humilde opinião.
Seu pai, Paulo

Thais França disse...

Fábio, fica fácil p/ vc quando aparece festa a fantasia, né?! (piadinha tossssca!)

Pai, não é seu estilo mesmo... aliás, ainda ouve som vibrando as janelas? bjos