28.10.07

Brainstorm literal

A chuva não estava forte, mas achou melhor abrir o guarda-chuva. Protegia-se das gotas poucas e gordas que caiam do céu e pareciam estourar na lona como se recitando sílaba a sílaba o nome dele. Aproveitou e tomou um remédio para dor de cabeça (conseguia engolir o comprimido enorme sem líquido e achava isso um inútil, mas interessante, diferencial). As gotas gordas começaram a cair em intervalos menores e a martelar as sílabas do nome dele na lona do guarda-chuva com mais intensidade. Começou a correr, mas a chuva não deu trégua e o que começou com um suave sílaba-a-sílaba virou um ininterruptível gritar pelo nome dele. O vento soprou o guarda-chuva, que entortou e perdeu sua função. Abandonou o objeto vagabundo numa lixeira pública qualquer e parou de escutar a chuva gritando o nome dele. Quando achou que a perseguição havia acabado, percebeu que se embebedava da canção triste que escorria por ela, pelo asfalto, bueiro abaixo.

5 comentários:

Calebe disse...

Pára com esse brainstorm - já bastou a chuva que me empapou todinho no sabadão... (a chuva estava boa pacas, avaliando)

Beijo

Thais França disse...

Chuva é um fenômeno espetacular!

Fabio Chiorino disse...

Tha, eu ia dizer exatamente isso. Perto da chuva, o sol é uma migalha

Bru disse...

fico de mau humor qdo chove... acho que a chuva traz tristeza...
estava com dó da personagem...

Thais França disse...

Bru, não fique. A melancolia é triste, mas fortalece!

Fábio... sim, migalha de pão velho, daqueles que damos pros patos.