20.11.07

Um Rodrigo qualquer

Era uma vez um Rodrigo como todos os outros. Como todos os outros, era safado, bonitão, tinha um certo charme, e gastava dinheiro à rodo. Não, não era fútil. Ele não gostava de economias, só isso. Ganhava bem, ia viajar direto e tinha amigas e amantes por todos os lados. Também tinha muitos amigos. Amigos de bar, de balada, de trabalho, da academia, da ong que freqüentava voluntariamente para agradar a vizinha-avião. Não sabia ir ao cinema e ficar de mãos dadas, mas era mestre em dançar forró e dar amassos em cantos retirados. Era um Rodrigo, como já dito.

Um dia o Rodrigo descontrolou e engordou no mesmo período em que bateu o carro, ficou à pé e o barbeador pifou. Desacostumado com o peso, não conseguiu mais praticar esportes. Tentou, ele tentou. Mas, seilá o motivo, não emagrecia. O carro ficou dois meses na oficina e a barba cresceu até ficar como a do Tom Hanks, em O Náufrago. O sonho de viver sob uma redoma de vidro, como naqueles filmes futuristas, numa praia particular jogando vôlei com os melhores amigos e as meninas mais gostosas do mundo ia por água abaixo. Não conseguia mais imaginar, não conseguia sonhar, não conseguia se olhar no espelho.

Aí, o Rodrigo como todos os Rodrigos fez algo diferente e chorou. Lavou a alma, mas não se conformou. Arregaçou as mangas e saiu por aí correndo. Dizem que o Forest Gump é inspiração. Dizem que agora consola as mais feias. Dizem que virou lenda urbana. Dizem que mora no prédio ao lado. Dizem que encontrou um emprego pífio e conserta relógios de ponto de empresas falidas. Dizem que fez lipo e virou o Gianecchini. Dizem que é piada, e é o Maradona. Dizem que nunca existiu.

2 comentários:

Fabio Chiorino disse...

1º parágrafo = o auge
2º parágrafo = a derrocada
3º parágrafo = a dúvida (repleta de humor)

e quem disse que texto bom precisa preencher no mínimo uma página de Word? pura bobagem...

Thais França disse...

ahahahah boa, Fabinho, um desconstrutor!
beijos... senti falta do seu hj, pôxa! foi terça!