19.6.09



"Minhas palavras sobem voando, meus pensamentos ficam aqui abaixo; palavras sem pensamentos nunca chegam ao céu."
[William Shakespeare]

...



"A fuga nunca levou ninguém a nenhum lugar."
[Antoine de Saint-Exupéry]

(imagens feita no backpaker Sereia do Mar, Paraty-RJ)

manifestação sobre decisão de ontem

16.6.09

buracos

Eu podia jurar que havia dois, podia jurar que dois pulsavam e podia jurar que os dois eram de verdade. Podia jurar que os dois espaços ocupados no sofá seriam ocupados mais vezes e juraria, ainda, que os dois queriam um sofá maior. Eu podia jurar que o beijo não era de despedida, mas de acolhida, e juraria também que a estrada ficaria mais curta. Eu podia jurar porque, vai ver, o meu amor era tão grande que valia por dois.

...


A sala de interrogatório não tinha aquele vidro translúcido e nem um lustre com luz amarela balançando pra lá e pra cá. Nada de dupla de policiais malvado/bonzinho para mexer com o emocional do réu. Não tinha café de garrafa térmica e o cenário não era composto de mesinha quadrada e uma cadeira dura. Não. Mas a sala estava fria, congelando. E quando o interrogado prestou todo depoimento e o investigador anotou tudo, ainda muitas perguntas ficaram sem resposta. Mas o dever estava cumprido e a vida continuaria. Não houve condenação. Não houve multa. Não houve veredicto, porque, o tempo todo, não era uma questão de mocinho ou bandido, mas de mocinho e menino.

...


Ele tem olhos de menino que corre atrás de pipas
Ele tem olhos de menino que não gosta de comer verdura
Ele tem olhos de menino que coleciona figurinhas
Ele tem olhos de menino que ganha o maior carrinho de todos no Natal
Ele tem olhos de menino que pula a janela pra brincar na rua
Ele tem olhos de menino que gosta mais do sorvete dos outros
Ele tem olhos de menino que vive cheio de ralados e esparadrapos pelo corpo
Ele tem olhos de menino que joga espelho embaixo da carteira da colega de saia
Ele tem olhos de menino que desamarra biquínis e puxa cangas na praia
Ele tem olhos de menino que rouba beijo da menina e depois de levar um tapão sai correndo dando risada
Ele tem olhos de menino que espia o que não deve pelo buraco da fechadura
Ele é grande. Ele tem olhos de menino.

E eu queria que esse menino fosse meu.

13.6.09

Acalento

Acordamos e o frio deu lugar para um calorzinho aconchegante. Céu azul, mar calmo. O brilho do sol refletia na água e parecia vir em nossa direção. A areia macia e recheada de conchinhas parecia um tapete enorme. Fotografamos. Nos sentamos na areia e admiramos o mar. Imagem nenhuma pode retratar nossa visão. E a imensidão nos preencheu.

10.6.09

para colorir o dia





Véspera de feriado. Ninguém quis ver U2 Cover comigo. Semana difícil. Dia mais frio que o esperado. Céu cinzento, amargo, chuvisco. Cidade gelada e todos com sacolinhas de presente nas mãos. Aí, de repente, alguém anuncia: tem um tucano aqui fora!

E ilustrando o tempo, que metaforiza minha vida, um colorido inesperado aponta. Sai do conforto e escolhe um dos ícones mais feios da rua para se exibir e encantar as dezenas de pessoas curiosas que saíram para vê-lo. Depois de pincelar com suas cores aquele arredor, voou e a chuva tomou seu lugar.

9.6.09

Viver despenteado

Acho que nunca postei algo que não foi escrito por mim. Mas este texto é tão bonitinho! Não é?! Não encontrei quem é o autor...



Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade... O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia...
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes, deixa seu cabelo irreconhecível..

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos eu vou estar com o cabelo bagunçado... mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

A moça e a estrada



Era uma pessoa boa em abstrair coisas. A brincadeira de ver bichos em nuvens acompanhava sua vida, mesmo depois da infância. Com a maturidade, passou a ver mais coisas que bichos. Via de tudo nas nuvens.

Adorava andar de carro em estradas de alta velocidade sentindo o vento embaraçar os cabelos e o sol esquentar seu braço esquerdo. Gostava do “bronze motorista”. Era como que uma forma de lembrá-la que sabia aproveitar o sol mesmo sem estar estirada para ele. E nem podia. A pele era branca demais e já tinha marcas de expressão e de sol no rosto. Com preguiça de usar cosméticos rejuvenescedores, passava maquiagem de boa qualidade e usava grandes óculos escuros. Unindo o útil ao agradável, tinha a combinação perfeita para se sentir a estrela de um videoclipe.

No geral, era aos finais de semana que conseguia dedicar-se à essa entrega na estrada. Gostava de lembrar que o avô dizia que a estrada é como a vida, pois a gente tem que ir sempre em frente, para não causar acidentes. E como a vida, a estrada nos permite ver o que tem ao seu redor rápido demais, por isso é preciso curtir cada quadro. E ela curtia.

Ligava o som e quando estava pensativa apenas acompanhava as músicas no pensamento. Quando estava feliz, era muito mais divertido, pois cantava e batucava todos os sons, tanto dos vocais quanto dos instrumentos. Tinha estatura mediana, não era tão alta e as pernas, muito menos, longas, mas sempre no batuque frenético batia o joelho direito na ignição. Às vezes aquele carro parecia apertado, mas era um apertadinho confortável, sabe?! Era o que ouvia ela dizer.

Um dia, um tanto pensativa apenas cantarolando na mente a música que tocava no rádio, recebeu um telefonema. O dia passou a ser noite e os vidros foram fechados. O cotovelo esquerdo não ocupava mais a beira da janela e o freio passou a ser mais utilizado que antes. Sem dó. Nesse dia ela passou de carro, buzinou e não a reconheci. Os cabelos estavam presos para não serem embaraçados e os óculos escuros aposentados no porta-luva. Estranhamente não vi mais nuvens no céu. Será que no inverno elas somem? Nunca soube disso, mas hoje sei que a estrada não é a mesma sem ela. Era boa em abstrair as coisas, acho que abstraiu a estrada e, por isso, não pôde mais seguir e parou em algum retorno.

8.6.09

Mais um sobre o dito cujo (amor, Roma ou romã)



Eu também tinha uma teoria paralela de que temos que ter humildade para receber o amor. Porque o amor é muito maior que tudo e se ficamos tentando descobri-lo, entendê-lo, reconhecê-lo, acabamos por ter que matá-lo (ou fingir que ele não existe), para podermos agüentar que não damos conta de enquadrá-lo em formas concretas.

É preciso ser humilde para entender que amor é mistura de gazes (tem que ler esse textão abaixo pra entender o que quis dizer com isso) e, sendo volátil, é difícil segurá-lo para poder fazer medições de engenharia. É preciso ser humilde para assumir que sendo gás volátil e invisível, dá medo.

O que é o amor? (a mosquinha de banana)





Semana do Dia dos Namorados e a pergunta, que há séculos alguém tenta responder, paira no ar como aquela mosquinha de banana chata que sobrevoa a mesa de frutas. Você tenta matar, tenta se livrar dela e não consegue. E quando consegue, outra igualzinha aparece. A multiplicação inexplicável te põe no meio de umas 20 mosquinhas de banana. Não dá pra fugir.

Eu já achei que amor fosse algo infinito e igual à sensação do primeiro beijo. Tinha que ser sempre de arrepiar, de tirar do chão, de fazer a cabeça ficar leve e o coração batendo aconchegado, mas rápido, intenso. Eu deveria ter uns 11 anos.

Depois, achei que amor fosse algo infinito enquanto durasse, como na música. Tinha tudo a ver, pois nessa época achei que amor fosse música e os apaixonados tivessem “todo tempo do mundo”, também como na música. Aí, um dia, a música enjoava, cansava, saia de moda. O amor foi infinito enquanto durou. Eu tinha 15 anos quando achava que o amor era isso e queria ter vários amores. Tive.

Depois, achei que amor fosse algo infinito e finito ao mesmo tempo. Explico: na memória da gente ele seria finito, como música da estação, enquanto durasse, mas ficava o registro da sua existência numa gavetinha. Ou seja, por mais que outros viessem ocupar o coração, e outros sucedessem, depois todos iriam pro arquivo. E eu teria amor pra cada fase, pra cada tempo, na gaveta, mas com uma fagulhinha aquecendo o arredor. Na velhice, olharia pro último amor que tive, também velhinho ao meu lado, e agradeceria por ele estar ali. Os outros, fagulhinhas engavetadas, mas bem vivas, seriam lembrados com carinho. Eu tinha 20 anos e não conseguia esquecer um amor que teimava em me bater à porta e estragar outros amores. Percebi que não era amor, era doença, e fiquei um tempo sem uma nova teoria, mais um tempo com uma mosquinha de banana.

Quando tinha entre 25 e 26 anos, fui atropelada por uma teoria nova. Amor era aquilo que estava sentindo, amor era aquela montanha-russa gostosa, mas que num piscar de olhos virava um gira-gira de carrossel com algodão doce. Era vai e vem de volúpia e calmaria. Coloquei pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar, mas o amor era de vidro e se quebrou. E eu pensei: “Se era amor, como era de vidro?”. É porque não era.

Aos 27 anos, já desacreditada, passei a andar com um inseticida. Matava qualquer mosquinha que via e matava e matava, sem dó, bem rápido ia apertando a tampinha do aerozol, para evitar a multiplicação. Óbvio que as mosquinhas se tornaram resistentes e um belo dia encontrei o amor sem perceber. Descobri que o amor é muito mais simples que todas as teorias anteriores e todas as teorias de amigos e conhecidos, e de desconhecidos também. Amor não é significante e significado, mas impossível colocar uma sentença ao lado dos dois pontos no dicionário. Amor simplesmente é. Mas não estava satisfeita. Como assim, é???

Até que, enfim, consegui minha teoria resolutiva. Acho que as anteriores me ajudaram a descobri-la, pois tendo conhecido cada uma delas sei que são fraudes. Amor é um pouco de todas, mas sua característica maior é que adormece para ser acordado. O amor é algo que quando chega e te escolhe, entra nas veias, e o sangue vai levando-o a todas as partes do corpo. Enquanto a música toca, ele vibra e se faz presente. Quando o filme passa, ele se identifica e se mostra ali, mas quando o tempo passa rápido demais, a rotina cansa e ele adormece, é preciso uma narcose por nitrogênio. Amor é mistura de gazes.

Amor é a dúvida do será que é e, de uma hora pra outra, você perceber que a resposta é ‘’óbvio que sim”. Talvez seja por isso que para amar de verdade é preciso testar teorias malucas, como num laboratório de química, onde depois de anos misturando soluções, uma explode com tudo e quebra todas as anteriores, te fazendo perceber em todo o tempo de pesquisa, você sempre foi uma porcaria de um alquimista bobo. Porque o amor não era a mistura de soluções, mas a explosão em conseqüência. E isso, não dependeu do seu acerto, mas do seu erro.

Depois da explosão o gás invade todo o recinto. No começo é novidade e todos se acostumam com ele, o respiram sem perceber. Como o oxigênio, não é preciso vê-lo para saber se existe e está sempre ali te suprindo. Quando essa comodidade se faz presente, a gente sente falta da explosão, pois foi com ela que o conhecemos. Aí, parece que ele morreu. Mas está ali, e é por isso que disse ser necessária uma narcose de nitrogênio. Essa narcose pode ser um chute no balde, uma conversa com palavras baixas, um silêncio absoluto, uma viagem estranha, uma corrida pelado na rua, uma rodada de tequila seguida por mais umas três ou quatro. Depois da narcose, você dá uma chacoalhada e o amor acorda.

Essa minha teoria absoluta acabou sábado. E agora eu não tenho mais teoria nenhuma. “O que é o amor?”, a mosquinha de banana dormiu comigo, tomou banho, café, almoçou, fez diversas coisas durante o domingo e hoje veio trabalhar comigo. No meio dessa divagação gigante que virou o post ela me disse no linguajar das moscas de banana que o amor é quando é pra dois, se não é dor. Acho que ela andou lendo Martha Medeiros. Mas tem razão. Amava meu avô e quando ele morreu e eu não tive mais reciprocidade, virou dor. Então, agora, me apego a esta teoria... amor é quando é pra dois, e se não for, nunca foi, é dor camuflada. Era só uma fraude. E fraudes, quando adormecem não têm mais como ser acordadas. Amor adormece, fraude recebe injeção letal. Ou vai ver, amor é só Roma ou romã ao contrário. E ponto.

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(Imagem encontrada via Google (claro!)em: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/poucaspalavras)

6.5.09

testemunhas mais que oculares

Uma delas ia casar, as outras três seriam madrinhas. A responsabilidade da primeira era bem menor que das outras. Ela podia estar cega de amor e fazer uma loucura apoiada em emoção, mas as outras assinariam, lúcidas, aquele contrato que, um dia, acreditou-se que duraria até que a morte separasse as partes interessadas.

A que ia casar pensava no vestido, nas cores da decoração, nas lembrancinhas, na lua-de-mel. As outras pensavam se estavam fazendo a coisa certa ou se deveriam conseguir um atestado para o final de semana que se aproximava.

No dia D as três entraram na igreja lotada. As três, pensativas e angustiadas, estavam a postos no altar e suavam frio enquanto a marcha nupcial tocava e a primeira, reluzente de alegria, cristais e maquiagem, desfilava pelo tapete vermelho. Na hora da pergunta “e se alguém tem algo contra, diga agora ou cale-se para sempre” as três se entreolharam e, solidárias, selaram a boca com o olhar recíproco e confidente.

Quando os noivos saíram da igreja de mãos dadas e alianças pesando nos dedos, elas seguiram atrás com lágrimas nos olhos. Tinham assinado como testemunhas a sentença da primeira e, mulheres que eram, fizeram-se acreditar que no final tudo daria certo. Aproveitaram a festa e fugiram do buquê.

4.5.09

Complexo de Valquíria

Valquíria era tão alta e tão desengonçada que nenhuma bicicleta servia para ela. Era tão alta e tão envergonhada que sua coluna começou a curvar antes dos 30 anos, bem antes, talvez antes dos 18. Isso porque Valquíria era desengonçada ao estremo.

A moça alta, envergonhada e corcunda tentou ser caixa de supermercado, mas suas pernas não cabiam no espaço miúdo. Tentou, então, ser balconista de consultório dentário. Não deu certo, pois não podia só ficar ali sentada na recepção, tinha que andar de uma salinha para outra e os corredores eram estreitos demais para ela, e os dentistas de lá eram baixinhos demais e ela se sentia mal. Depois disso, Valquíria arrumou um emprego em uma empresa especializada em telemarketing. Sentada ali, ninguém veria o quão desengonçada ela era e podia ganhar seu dinheirinho tranqüila. Mas Valquíria esqueceu que não trabalharia sozinha e, naquele salão lotado de pessoas com headphones, ela era a mais alta, a mais desengonçada, a mais corcunda e a mais envergonhada.

Largou o emprego e voltou para a casa da mãe. Lá ela era a filha mais envergonhada e mais corcunda das três irmãs e não tinha pudores em esticar as pernas e braços de forma a não caber no sofá. O curioso é que, apesar disso, lá ela não era a mais desengonçada e nem a mais alta. Era só a mais triste.

cansaço

Se já não existisse a música "Sobre o Tempo" eu a escreveria agora.

23.4.09

Minha primeira vez



A minha primeira vez foi, na verdade, a quarta. E até agora, infelizmente, essa foi a penúltima que me aconteceu. Quando meus olhos chegaram bem próximos a uma das paredes do velho Pingüino*, minha máscara foi alagada por uma água que não vinha do ambiente externo.

Com um sabor de primeiro beijo, assim que consegui me concentrar e equilibrar o corpo, administrando a quantidade de ar do meu colete com o funcionamento do meu pulmão ansioso, vi três pequenos cavalos-marinhos amarronzados enroscados no casco do navio encoberto por vida marinha verde, um verde tão verde que não ousei tocar. A fragilidade dos cavalos-marinhos vivendo ali, harmoniosamente naquele pedacinho do casco assentado numa imensidão de água límpida e salgada demais para mim, fez por alguns segundos eu me sentir extremamente medíocre. Aquela forma de vida tão tranqüila, ingênua, inofensiva e delicada é com certeza bem mais feliz que eu, cheia de preocupações de uma vida corrida. E restavam 49,95 m de casco para eu observar. E toda parte superior.

Nesse trajeto de conhecimento e reconhecimento de território alheio foi aonde percebi que mergulhar é, além de um encontro com o desconhecido, em um ambiente desconhecido, um encontro consigo. É preciso mergulhar na própria corrente sanguínea para um bom mergulho no mar. É preciso mergulhar pelo nosso interior para poder controlar a emoção e a nossa fisiologia. É conversar com a gente mesmo, contar segredos, dividir descobertas com a alma. Mergulhar é mais que ver peixinhos que não sei o nome, ou cavalos-marinhos perfeitos, mergulhar é encontrar com Deus. Foi assim que me senti quando a máscara alagou e minhas nadadeiras cortavam suavemente o azul esverdeado daquele mar.

E como encontrar com Deus não é algo que a gente faz toda hora, continuei movendo minhas nadadeiras desajeitadas, respirando ansiosamente e sentindo o bater do meu coração mais alto por pouco tempo. Enquanto eu me deslumbrava com cada pedacinho do que via, não percebi que subi alguns metros e o amadorismo não deu trégua.

A última coisa que vi foi o instrutor gesticulando “vem, desce”, e nessas alturas meu pulmão ansioso somado ao ar expandido no meu colete foram bem mais rápidos que meu polegar apertando a saída de ar. Subi igual a um rojão e o momento mágico acabou de repente. “Mula!” - pensei e falei. O tempo de mergulho já estava no fim e não desci mais ali.

Mergulhei em um outro ponto, delicioso também, água quentinha, caranguejo-aranha, água-viva, peixes gordos, magros, menores, maiores, estrelas do mar e outras “cositas”. Foi gostoso, vibrante, mas nada comparado ao primeiro beijo. E eu voltei para a embarcação imaginando o que seria da Capela Sistina se Michelangelo tivesse tido a oportunidade de ter feito um mergulho scuba.


* O Pingüino é uma embarcação que desde 1967 adormece a 18 metros de profundidade na Enseada do Sítio Forte, em Angra dos Reis, RJ. É um dos naufrágios mais visitados do país e onde os iniciantes têm a oportunidade de se sentir grandes mergulhadores.

13.4.09

obs.

Aos poucos estou colocando tags em todos os posts. Um dia aparecerá aí do lado a listagem delas, para buscar por palavra-chave. Acho que não estou sabendo escolher as palavras, mas beleza.

Legalzinho





www.photofunia.com

Além de divertido é rápido. Vai lá pra você ver...

Diálogos infames

Sedução

- Toc, toc
- Entraaaa! Pode abrir!!!
- Oi, achei que tinha mania de trancar a porta
- Pra você não
- É que eu pensei que pudesse estar ocupada
- Pra você não
- Aliás, não é cedo para estar aqui?
- Pra você não
- Âmm! Desculpe, achei que estava vestida!
- Pra você não.


Baitola sim, eu também

- Oi, tudo bem?
- Sim
- Já te vi antes...
- Eu também
- Será que foi por aqui?
- Sim
- Acho que vou beber alguma coisa
- Eu também
- Posso, então, pagar uma cerveja?
- Sim
- Hummm, adoro uma loirinha
- Eu também
- Desculpe, não estava...
- Sim
- Eu ia dizer que não estava falando da cerveja
- Eu também
- Peraí, será que estou entendendo bem?
- Sim
- Mas eu sou homem!
- Eu também.



Do contra

- Quero uma Fanta, por favor
- Laranja?
- Uva
- No copo?
- Com canudinho
- Vai pagar em dinheiro?
- No débito
- Quer uma sacolinha?
- Não, vou beber aqui
- Puxa, errei todas, né?!
- Sim. (e saiu triste porque acertou essa)


Indecisão

- Eu quero ser bombeira!
- Legal
- Não, quero ser enfermeira!
- Acho muito batido...
- Tá, então vou ser professora
- Ta fora de moda
- Então eu acho que vou ser bailarina
- Pelamor, sem ofender, mas não ficará bem com aquela sainha...
- Hummm então...
- Vó, escolhe logo a fantasia que a terceira idade inteira já está na festa.

6.4.09

voar ou ser invisível?

Quero voar e quero poder me desgarrar e ir até aonde o sol me queimar mais forte. Quero subir e sentir o vento passar por baixo de mim. Quero acelerar e atravessar a atmosfera para ver o que tem depois dela. Quero ver um arco-íris de cima e quero ver o mundo no formato que a gente estuda no globo. Quero voar. Mas, às vezes, preferia ser invisível. Nessas horas, eu teria desejos mais humildes que os de voar. Eu simplesmente iria a lugares onde conversas são proibidas e ficaria no meio, ouvindo tudo. Também entraria na casa de desconhecidos para bisbilhotar o que guardam no armarinho do banheiro, coisas assim. Entraria numa loja de perfumes, maquiagens e demais coisinhas femininas e roubaria as mais gostosas. Sairia rindo por ser uma ladra fora do comum e imune às leis dos seres humanos visíveis e palpáveis. Dirigiria em plena luz do dia e faria questão de parar em semáforos e buzinar, para chamar atenção e as pessoas se assustarem. Trocaria as coisas de todos os lugares de lugar. Ia numa praia de nudismo. Iria a todas as sessões de cinema possíveis sem pagar. Iria a shows e ficaria no palco, sentindo a vibração do som no meu corpo invisível. Caminharia pela Paulista sem medo em plena madrugada. Dormiria no meio do mato, sem me preocupar com insetos. E antes de voltar ao normal, acabava com as Nhá Bentas e com os bombons de cereja da Kopenhagen mais próxima.

30.3.09

Vida, uma conhecida minha.

Enquanto o blog estava em coma, a Vida vivia. Mas de praticante de exercícios leves a Vida passou a triatleta. Está correndo, pedalando, nadando, sempre numa velocidade alta demais. E na correria grava os momentos, tira fotos, manda por e-mail uma newsletter de vez em quando. A Vida bateu recordes de velocidade em pouco tempo e acabou percebendo que as pernas não agüentariam. Foi ao shopping e comprou rodinhas. Já trocou umas seis vezes desde janeiro, quando engrenou nessa rotina sem freios nem pára-choques. A Vida, portanto, está ficando doidinha. Semana passada saiu pulando de pogobol pela rua, pelada, gritando. Nesta segunda-feira pulou do alto de uma sacada, achando que era gato e que cairia sobre as quatro patas. Por sorte voou. A Vida está tão rápida que acelerou pro futuro e conseguiu acertar os movimentos exibidos naquele filme Matrix. A Vida pirou mesmo. Foge de balas, de socos, de enxurradas de línguas maldosas que caem afiadas do céu querendo cortá-la em pedacinhos. E foi assim que desenvolveu nova habilidade: ficar invisível. A Vida está evoluindo absurdo. Ela acaba entrando em crise de nervos quando percebe. É que são movimentos bruscos demais. Contei que ela virou elástica? Pois é, coisa que só Charles Darwin e Einstein juntos poderiam entender e explicar. O mais intrigante é que está cada dia mais doida, mas também cada dia uma doida mais lúcida. É controversa mesmo. Aí, quem explicaria seria Freud. Ou não. Deve estar tomando ginko biloba, guaraná em pó e ginseng. Vive de olhos abertos. Não dorme. Às vezes dá um medo da bichinha! Ela anda com tudo. Voa com tudo. Mergulha 100%. E quando você vira, ela já foi. Ta lá na frente. De cabelo em pé, mas com um lacinho pra enfeitar.

25.3.09

Workaholic

Tem dia que a dor nas costas é pior e tem dia que lembro que existia uma tal de LER. Tem dia que reparo que a cadeira está mais alta do que deveria, e que a posição do monitor não atende às normas. Tem dia que o sol se põe e a lua me observa ao longe, tímida, no quadrado da janela do escritório. Geralmente nesses dias, quando vou embora antes das 21h30, acho incrível! Uma conquista. Nesses dias penso: “queria correr, queria fazer academia, queria ver mais tv, queria ir ao shopping em plena segunda-feira, queria...”. Mas aí, ao desligar o computador, apagar a luz e por o celular no bolso... me dá uma saudade do expediente!

E eu pensei nessa música para acompanhar. Não sei por quê. Ela combina muito mais com o final de semana... (que, juro, não vejo a hora de chegar)

5.1.09

Coma

Este blog está em coma.
Talvez um dia volte, mas está respirando por aparelhos... seilá.

TF